Pudim de Nozes do Natal – O Desafio

Uma menina mineira acompanhava sua afetiva mãe na cozinha, com a função de quebrar nozes. As nozes eram enroladas em pano de prato, e com ajuda de um martelinho de amaciar carne eram delicadamente quebradas, sem barulho e sem misturar as cascas com as amêndoas. Um ritual de infância para o preparo do Pudim de Nozes da família “Noce”, em Belo Horizonte, servido nos Natais, e que ajudou na formação da memória afetiva culinária da Laura Noce, ex-colega de trabalho, amiga querida, que segue uma carreira consistente em marketing.

O desafio encontra-se abaixo, através da troca de mensagens no Facebook.

Esperamos que as 5 receitas descritas neste post, possam ajudar a renascer a memória culinária do Pudim de Nozes, que marcou a infância da Laura, e continua provocando grandes momentos de afetividade, através das lembranças do ritual de preparo e das lembranças sensoriais deste Pudim de Nozes.

 PUDIM DE NOZES – I (http://receitas.maisvoce.globo.com)

 1 – INGREDIENTES

 Pudim

  • 24 nozes
  • 2 latas de leite condensado
  • 2 latas de leite de vaca (medida na lata do leite condensado)
  • 2 ovos
  • 2 colheres (sopa) de chocolate

 Calda

  • 1 xícara de açúcar
  • 2 xícaras de água
  • 1 lata de creme de leite sem soro (para servir)

2 – MODO DE PREPARO

  • Faça a calda numa panela primeiramente. Derreta o açúcar até queimar, acrescente a água e depois que ferver bem e estiver numa consistência caramelada, despeje na vasilha do pudim.
  • Bata num liquidificador, as nozes, em seguida acrescente, o leite de vaca, o leite condensado, os ovos e depois o chocolate.
  • Leve ao forno pré-aquecido em banho-maria e depois de 1 hora e 20 minutos, retire.
  • Deixe esfriar, desenforme, leve a geladeira e sirva com o creme de leite sem soro para quebrar um pouco o sabor forte das nozes.

PUDIM DE NOZES – II (http://guiadereceitas.uol.com.br) 

1 – INGREDIENTES

  • 1 lata de leite condensado
  • 2 latas (medida na lata do leite condensado) de leite vaca
  • 1 xícara (chá) de nozes moídas
  • 4 ovos
  • 1 colher (sopa) de essência de baunilha
  • 1 xícara (chá) de açúcar para caramelo
2 – MODO DE PREPARO

  • Coloque numa panela o açúcar e leve ao fogo mexendo sempre até que derreta e vire caramelo.
  • Espalhe por uma fôrma e reserve.
  • No liquidificador, bata os demais ingredientes e despeje na fôrma caramelada.
  • Leve ao forno preaquecido por 40 minutos.
  • Retire do forno, espere amornar e leve à geladeira por 3 horas.
  • Desenforme e sirva.

 PUDIM DE NOZES – III (http://pt.petitchef.com)

1 – INGREDIENTES

Pudim

  • 1 lata de leite condensado
  • 4 ovos
  • 1 ½ xícara (chá) de leite de vaca
  • 1 colher (chá) de baunilha
  • 1 colher (sobremesa) de amido de milho
  • 5 biscoitos do tipo champanhe, picados

 Caramelo

  • 1 xícara (chá) de açúcar
  • ½ xícara (chá) de nozes picadas

2 – MODO DE PREPARO

  • Bata no liquidificador o leite condensado, os ovos, o leite, a baunilha e o amido de milho.
  • Caramelize uma forma para pudim com o açúcar e distribua as nozes picadas sobre o caramelo.
  • Coloque a mistura batida e sobre ela os biscoitos picados.
  • Leve ao forno, em banho-maria, por cerca de 50 minutos.
  • Espere amornar e desenforme.
  • Sirva gelado.

 PUDIM DE NOZES – IV (http://www.receitinhas.com.br) 

1 – INGREDIENTES

  • 2 latas de leite condensado
  • 200 grs de nozes trituradas
  • 4 ovos
  • 1 lata (medida na lata do leite condensado) de leite de vaca

2 – MODO DE PREPARO

  • Bata bem tudo no liquidificador.
  • Leve ao forno pré-aquecido em banho-maria, aproximadamente 40 minutos.
  • Deixe amornar e decore com nozes e fios de ovos. 
  • Sirva gelado. 

PUDIM DE NOZES – V (http://sobretudo.org

1 – INGREDIENTES

  • 8 ovos
  • 16 colheres (de sopa) de Açúcar
  • 250 g de nozes raladas
  • 200 g de ameixas pretas

2 – MODO DE PREPARO

  • Bata como para suspiro as 8 claras com 8 colheres de açúcar.
  • Junte as 250 g de nozes (raladas a máquina) e misture bem.
  • Coloque essa massa em fôrma untada com manteiga e leve ao forno para corar.
  • Ponho num prato e cubra com o Doce de Ovos:

DOCE DE OVOS:

  • Leve ao fogo, em uma panela pequena, uma xícara (de chá) de água e 200 g de açúcar, até dar ponto-de-fio.
  • Retire do fogo e deixe esfriar.
  • Junte 8 gemas passadas por peneira e leve ao fogo brando, mexendo sempre com uma colher de pau, até engrossar.
  • Cubra o pudim com este doce de ovos e coloque compota de ameixas pretas ao redor.

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Comida Afetiva, Capeba e Mingau de Cachorro

Nas bancas no domingo (12 de dezembro) a revista Época, com uma matéria sobre COMIDA AFETIVA. A repórter Flávia Pinho (com belas fotos do Rogério Voltan) apresenta uma abordagem interessante de restaurantes paulistanos que fazem sucesso cozinhando receitas de família como antigamente. Dos cinco citados (AMICI/5641-9110, BETH COZINHA DE ESTAR/3073-0354, CASA DA LI/3871-1002, DALVA E DITO/3068-4444 e LÁ NA VENDA/3037-7702), posso atestar dois; o Dalva e Dito e o Lá na Venda, este último com decoração super afetiva e com venda de coisinhas de “casa de mãe”. Outra curiosidade do Lá na Venda é o “Bolo de Nada”, mas vamos deixar para outros posts a apresentação destes restaurantes afetivos e voltar à matéria da Época, onde temos uma definição muito legal para Comida (ou Cozinha ou Culinária) Afetiva: “Mais do que uma culinária farta e descomplicada, trata-se de uma derivação da comida caseira e envolve necessariamente uma boa dose de emoção, bem como lembranças afetuosas – tanto de quem cozinha quanto de quem come.”

Outro destaque da reportagem é o depoimento do Alex Atala: “Todas as grandes cozinhas do mundo, a exemplo da japonesa e da italiana, usam como base a comida familiar”, diz. “Acho o termo comfort food, em inglês, horrível, mas é bom que estejamos finalmente aprendendo a valorizar os sabores que formaram o nosso paladar.

Horrível mesmo o termo comfort food para definir nossa comida caseira, nossa cozinha afetiva nacional. Não define nada. Sempre associei este termo à “comida de hospital” ou uma comidinha para tratar uma “dorzinha de barriga”. Na minha infância fui tratado muitas vezes com “mingau de cachorro” e “chá de capeba”, um ato muito afetivo da minha mãe, que usava da sua sabedoria popular na condução das pequenas enfermidades caseiras. Bem, acho que estas comidinhas e bebidinhas medicinais até que poderiam ser denominadas de comfort food, pois era um conforto e um alivio a sensação de bem-estar após o tratamento, com recompensa real para cair de cabeça, de boca e de estômago nas verdadeiras COMIDAS AFETIVAS da COZINHA AFETIVA da minha mãe.

Capeba - Planta Medicinal

Receita de Mingau de Cachorro

  • Pegue um dente de alho, pique e coloque no liquidificador.
  • Adicione 2 copos duplos de água.
  • Coloque uma colher de sopa de farinha de guerra (farinha de mandioca).
  • Adicione uma pitada de pimenta do reino, uma pitada de sal e ½ colher de chá de azeite de oliva extra virgem.
  • Bata tudo no liquidificador, coloque em uma panela e leve ao fogo.
  • Deixe chegar ao ponto de fervura, a aparência vai ser de um mingau ralo.
  • Deixe esfriar um pouco e tome como se fosse uma sopa. 

Uma variação deliciosa do Mingau de Cachorro, para não enfermos, é adicionar mais pimenta, sal e uma colher de sobremesa de manteiga. Quebre um ovo dentro da mistura, quando chegar ao ponto de fervura,  continue mexendo. Deixe esfriar um pouco e tome como se fosse uma sopa.

 No link abaixo a matéria completa da revista Época.

http://revistaepocasp.globo.com/Revista/Epoca/SP/0,,EMI194925-16206-1,00-COMIDA+AFETIVA.html

O Arroz de Palma

O texto abaixo, página 11 do livro O ARROZ DE PALMA (Editora Record, 2008), nos foi apresentado, via e-mail, por um companheiro de trabalho, Paulo Ferrari, como mensagem de final de ano. O livro representa a estréia na literatura do roteirista e dramaturgo Francisco Azevedo, autor das peças Unha e carne e A casa de Anais Nin.

O ARROZ DE PALMA retrata a saga de 100 anos de uma família portuguesa que migrou para o Brasil. A narração é alicerçada nas lembranças afetivas do personagem central, cozinheiro de profissão, que aos 88 anos, se encontra na cozinha de sua casa preparando um grande almoço de família em comemoração não só pelos seus 88 anos, mas também pelo aniversário de 100 anos do casamento de seus pais, já falecidos. No dia do casamento de seus pais, uma chuva torrencial de arroz caiu em cima deles, e a Tia Palma, recolhe do chão todo o arroz (12 quilos) e dá de presente aos recém-casados. Esse é o ponto de partida da história.

O ARROZ DE PALMA é uma história familiar, recheada de afeto e como bem diz em várias ocasiões a narrativa do livro, “família é prato difícil de preparar”.

A capa é a mais perfeita tradução de imagens e identidades de uma cozinha afetiva: arroz dentro de uma forma de alumínio em forma de coração, sobre lastro de madeiras rusticas e rendinhas das prateleiras antigas na borda do livro. 

 

 

O ARROZ DE PALMA (Francisco Azevedo, página 11)

Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.

E você?  É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.

Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.

Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.

O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini, Família à Belle Meunier; Família ao Molho Pardo,  em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é à  Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.

Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha.  Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.

Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.

 

Memória Afetiva do Natal Brasileiro

Histórias de “Natais” são parecidas em todas as famílias, e na medida em que agrupamos estas famílias por países, estados, cidades, bairros… as histórias ficam mais parecidas e as memórias formam uma identidade quase única. Temos, com certeza, uma Memória Afetiva do Natal Brasileiro, que pode ser segmentada em Histórias de Natais Baianos, Cearenses, Paulistas, Gaúchos, Mineiros…

As particularidades de cada história formam, então, a nossa identidade pessoal e única da Memória Afetiva de Natal, identidade recheada das heranças afetivas da nossa família, dos hábitos, costumes e condutas dos nossos pais, avós, tios, irmãos e vizinhos mais próximos. No texto abaixo, que afetivamente batizamos de “Pudim de Natal do Menino Jesus e Chinchilas”, Renata Rodrigues, amiga paulista de longa data, relata de forma criativa e bem humorada suas memórias afetivas de natal, que passam, logicamente, pela cozinha da sua mãe.

Arriscamos afirmar, que não existe História Afetiva de Natal sem memória afetiva de cozinha. Natais e Cozinhas estão intimamente ligados e relacionados. Boa leitura!

PUDIM DE NATAL DO MENINO JESUS E CHINCHILAS (Renata Rodrigues) 

Todos os “Natais” da minha vida foram memoráveis. Quando vasculho meus arquivos emocionais sobre o Natal, nada encontro de sombrio ou triste. E devo a minha mãe a construção feliz dessa data em minha história até os dias de hoje. 

Ela tem uma energia inesgotável em preparar a festa e uma criatividade infinita em nos surpreender em pacotes e detalhes. Cheguei à conclusão que seu conceito de presente se resume em algo que você desejaria muito ter, mas jamais se permitiria comprar – seja por dinheiro ou por juízo! Inclua nessa lista animais de estimação como gansos e chinchilas, colete salva vidas digital, piscina inflável de 30.000 litros, bicicleta restaurada de 1920 e assim por diante.

Chinchila

Tudo é possível e nada é previsível. Exceto o cardápio: nesse quesito nenhuma surpresa desde os meus quatro anos de idade, quando meu peru de estimação (Nestor) apareceu bronzeado sobre a mesa… pensando bem esse episódio poderia ser classificado como traumatizante em minhas memórias natalinas.

Deixe-me explicar melhor: nunca fizemos uma ceia de Natal. Isso mesmo – a tradição matriarcal definiu que em nossa residência haveria almoços natalinos e não ceias – nada de comer “restos” no dia seguinte nem crianças ficarem acordadas até tarde entre tapas e choros – sapatos embaixo da majestosa árvore, um Pai Nosso todo engolido em frente ao presépio e cama! No dia seguinte, se ninguém tivesse atrapalhado o Papai Noel espiando-o durante a noite, os presentes esperados estariam embaixo dos sapatos… ou dentro… ou em cima deles… ou fazendo deles um confortável ninho…

E num piscar de olhos o relógio anunciava o tão cheiroso e esperado almoço: todos os pratos dispostos na mesa, em suas respectivas travessas e ordem cósmica. E depois da oração o ataque era maravilhoso! Nunca entendi porque só comíamos tender no Natal – não ”criavam tenders” durante os outros meses do ano? E passas então? Porque aquela divindade de arroz com passar não podia ser cozida em outro dia com cara de domingo? Passei toda minha infância sem tais respostas tão essenciais e sem poder repetir tais iguarias em outros dias tão mortais…

Mas o ápice da festa ficava por conta da sobremesa: por 364 dias esperávamos por ele: O Pudim de Natal

Era como se guardassem a melhor melodia para tocar no final do concerto – um Gran Finale – algo para degustar preciosamente em pequenas porções espalhadas por tigelinhas de louça branca com desenhos florais e bordas douradas em companhia de centenárias colheres de sobremesas herdadas de bisavós espanholas. 

Hoje me espanto pela simplicidade da receita do tão venerado pudim… mas deixei de questionar sua presença singular em nosso almoço natalino quando minha mãe finalmente resolveu me explicar o porquê de tal exclusividade: 

___ Se eu o fizesse em outros dias não poderia fazê-lo no aniversário do menino Jesus.

Gostei de sua religiosidade gastronômica e pretendo respeitá-la em nossos Natais futuros. E também aumentar minha fatia do pudim esse ano… 

PUDIM DE NATAL DO MENINO JESUS

1 – INGREDIENTES

Calda Caramelizada

  • 2 xícaras de açúcar
  • 1 xícara de água quente
  • Gotas de essência de baunilha

Pudim

  • 1 litro de leite integral frio
  • 2 latas de leite condensado
  • 3 colheres de amido de milho 
  • 2 gemas (reserve as claras)
  • Gotas de essência de baunilha 

Recheio do Pudim

  • 200g de passas brancas e 200g de passas escuras (dormidas no vinho doce se gostar)

Cobertura de Suspiro

  • 4 claras 
  • 1 xícara de açúcar  

2 – MODO DE PREPARO

  • Prepare a calda levando o açúcar e a água ao fogo até caramelizar. Forre o fundo de uma forma de vidro tipo pirex oval. Espalhe algumas passas claras e escuras sobre a calda.  
  • Misture o leite integral, o leite condensado, as gemas e a baunilha. Dissolva o amido de milho nessa mistura e leve ao fogo mexendo sempre  até engrossar e por mais alguns minutos.  
  • Despeje a metade do pudim na forma. Espalhe mais passas claras e escuras sobre o pudim. Despeje o restante do pudim e repita as passas. 
  • Bata as claras em neve e adicione o açúcar aos poucos até que forme um suspiro firme. Cubra o pudim com o suspiro e faça alguns desenhos com a ponta de um garfo. Leve ao forno pré-aquecido e deixe em 180 oC até que o suspiro doure.  Deixe esfriar e leve à geladeira por algumas horas.  
  • Sirva de sobremesa no almoço de Natal. 

Lichia com Queijo Brie e Geléia de Pimenta

Mauricio Rampazzo é Bioquímico por profissão e paixão, amigo do coração, de descendência italiana e com raízes no nordeste (nada haver com biótipo, a raiz aqui é em função da fartura que este paulista, e Dona Iris – sua mãe, levam a mesa…, no nordeste fartura e diversidade são sinônimos de receber bem, de dizer que estamos felizes em ter amigos e parentes compartilhando da nossa comida, da nossa mesa). Ele sempre surpreende nos rateios das festas e reuniões, onde cada um deve levar seu pratinho e sua bebida. Seja na preparação das caipirinhas de frutas (as melhores que já degustei) ou na quantidade e variedade das comidas. Quem seria capaz de comprar quase quatrocentos reais de frutas no CEAGESP para um almoço de amigo secreto? Mauricio, com certeza. A especialidade, porém, fica por conta da comida idealizada por ele: Macarrão Caseiro, Capeletti in Brodo, Torresmo, Entradinhas Variadas, Alcachofras… “Maumau” é mais da direção culinária, da criação, da composição. Ele idealiza e Dona Iris cozinha. As receitas das comidas da afetiva família Rampazzo irão fazer parte deste Blog em breve. Hoje iremos falar, apenas, do petisco Lichia com Queijo Brie e Geléia de Pimenta… fantástico, rápido e delicioso. Vejam as fotos abaixo. Não temos receita. É só passar a Geléia de Pimenta no interior da Lichia e enfiar em um palito com um pedaço generoso de Queijo Brie. Deixar na geladeira até a hora de servir. A criatividade final do Rampazzo fica por conta dos palitos de Lichia mais Brie espetados na Abóbora Jerimum.

Lichia com Queijo Brie Espetados na Jerimum

Lichia com Queijo Brie

LICHIA – Fruta tropical que é encontrada principalmente na China, Índia, Madagáscar, Africa do Sul e México. É uma fruta de gosto doce, em cachos, a casca é rugosa e de cor vermelha, sendo fácil de ser destacada. A polpa é gelatinosa, translúcida sucosa e de excelente sabor, lembrando ao de uva Itália e não é aderente ao caroço. Ideal para consumo ao natural, sucos e compostas. A lichia contém alto índice de vitamina C, além de possuir as do complexo B, sódio, cálcio e potássio. O primeiro local de cultivo desse fruto no Brasil foi no estado de São Paulo.

QUEIJO BRIE – Os chamados brie são uma importante família de queijos de pasta mole e crosta florida, originados da região de Brie, na França. São fabricados com leite de vaca. A sua crosta é branca e macia, formada pelo fungo Penicillium candida. De sabor delicado, considera-se em boas condições se estiver mole, mas sem escorrer. O seu sabor e textura se modificam de acordo com a sua maturação: os sabores mais suaves e as texturas mais macias são encontrados em peças com até trinta dias de maturação; para um sabor mais apurados e uma textura cremosa, são indicadas peças com mais de trinta dias. Para melhor ser desgutado, o brie deve ser retirado da refrigeração 30 minutos antes de ser servido. O queijo camembert é um derivado do brie.

O Peru de Natal

O texto que apresentamos e abrimos as categorias “Natal Afetivo” e “Cozinha Literária Afetiva” é do Mário de Andrade. Foi extraído do livro “Nós e o Natal”, Artes Gráficas Gomes de Souza, Rio de Janeiro, 1964, pág. 23. Este texto nos foi presenteado por Albinha, amiga querida, baiana, do mundo, morando em São Paulo sei lá há quanto tempo é com quase dois pés em Olivença na Bahia.

Não tenho uma ordem precisa dos temas que irei incluir no blog, porém uma das minhas certezas era falar da afetividade da Alba (Alba Diniz, filha da Dona Terezinha, nossa “mainha”), traduzida na forma de receber e acolher dezenas de pessoas que necessitam de um retorno afetivo as suas origens maternas, caseiras e culinárias. A casa da Albinha, com sua cozinha grande e acolhedora, é um ponto de referência para nós emigrantes e para paulistas desgarrados. Em outra oportunidade, ainda desejo reproduzir o peixe de forno ou alguma receita rápida de Miojo criada por ela, porém o conto “O Peru de Natal”, longo para blog (paciência!), nos pegou de forma afetiva e sensorial, pela extrema coragem, simplicidade, veracidade e afeto que Mario de Andrade impregna na descrição de uma ceia natalina. Este texto foi escolhido por Alba para nosso sarau da sexta, 26/11/2010.

Mário de Andrade (1893-1945) nasceu na cidade de São Paulo no dia 9 de outubro, filho de Carlos Augusto de Moraes Andrade e Maria Luísa Leite Moraes Andrade, na Rua Aurora, 320. Sua obra, essencialmente brasileira, reflete um nacionalismo humanista, que nada tem de místico e abstrato. “Macunaíma”, baseada em temas folclóricos é, geralmente, considerada a sua obra-prima. Participou da Semana de Arte Moderna em São Paulo, no Teatro Municipal, entre 11 e 18 de fevereiro de 1922 (A Semana de 22) em companhia de Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Víctor Brecheret, Anita Malfatti, Menotti Del Pichia, Sérgio Milliet e Heitor Villa-Lobos. O site http://www.releituras.com/marioandrade_bio.asp apresenta a biografia e a obra de Mário de Andrade, o autor de “O Peru de Natal”. 

Mário de Andrade - Quadro de Lasar Segall

O Peru de Natal – Mário de Andrade

O nosso primeiro Natal de família, depois da morte de meu pai acontecida cinco meses antes, foi de consequências decisivas para a felicidade familiar. Nós sempre fôramos familiarmente felizes, nesse sentido muito abstrato da felicidade: gente honesta, sem crimes, lar sem brigas internas nem graves dificuldades econômicas. Mas, devido principalmente à natureza cinzenta de meu pai, ser desprovido de qualquer lirismo, de uma exemplaridade incapaz, acolchoado no medíocre, sempre nos faltara aquele aproveitamento da vida, aquele gosto pelas felicidades materiais, um vinho bom, uma estação de águas, aquisição de geladeira, coisas assim. Meu pai fora de um bom errado, quase dramático, o puro-sangue dos desmancha-prazeres.

Morreu meu pai, sentimos muito, etc. Quando chegamos nas proximidades do Natal, eu já estava que não podia mais pra afastar aquela memória obstruente do morto, que parecia ter sistematizado pra sempre a obrigação de uma lembrança dolorosa em cada almoço, em cada gesto mínimo da família. Uma vez que eu sugerira à mamãe a idéia dela ir ver uma fita no cinema, o que resultou foram lágrimas. Onde se viu ir ao cinema, de luto pesado! A dor já estava sendo cultivada pelas aparências, e eu, que sempre gostara apenas regularmente de meu pai, mais por instinto de filho que por espontaneidade de amor, me via a ponto de aborrecer o bom do morto.

Foi decerto por isto que me nasceu, esta sim, espontaneamente, a idéia de fazer uma das minhas chamadas “loucuras”. Essa fora aliás, e desde muito cedo, a minha esplêndida conquista contra o ambiente familiar. Desde cedinho, desde os tempos de ginásio, em que arranjava regularmente uma reprovação todos os anos; desde o beijo às escondidas, numa prima, aos dez anos, descoberto por Tia Velha, uma detestável de tia; e principalmente desde as lições que dei ou recebi, não sei, de uma criada de parentes: eu consegui no reformatório do lar e na vasta parentagem, a fama conciliatória de “louco”. “É doido, coitado!” falavam. Meus pais falavam com certa tristeza condescendente, o resto da parentagem buscando exemplo para os filhos e provavelmente com aquele prazer dos que se convencem de alguma superioridade. Não tinham doidos entre os filhos. Pois foi o que me salvou, essa fama. Fiz tudo o que a vida me apresentou e o meu ser exigia para se realizar com integridade. E me deixaram fazer tudo, porque eu era doido, coitado. Resultou disso uma existência sem complexos, de que não posso me queixar um nada.

Era costume sempre, na família, a ceia de Natal. Ceia reles, já se imagina: ceia tipo meu pai, castanhas, figos, passas, depois da Missa do Galo. Empanturrados de amêndoas e nozes (quanto discutimos os três manos por causa dos quebra-nozes…), empanturrados de castanhas e monotonias, a gente se abraçava e ia pra cama. Foi lembrando isso que arrebentei com uma das minhas “loucuras”:

— Bom, no Natal, quero comer peru.

Houve um desses espantos que ninguém não imagina. Logo minha tia solteirona e santa, que morava conosco, advertiu que não podíamos convidar ninguém por causa do luto.

— Mas quem falou de convidar ninguém! essa mania… Quando é que a gente já comeu peru em nossa vida! Peru aqui em casa é prato de festa, vem toda essa parentada do diabo…

— Meu filho, não fale assim…

— Pois falo, pronto!

E descarreguei minha gelada indiferença pela nossa parentagem infinita, diz-que vinda de bandeirantes, que bem me importa! Era mesmo o momento pra desenvolver minha teoria de doido, coitado, não perdi a ocasião. Me deu de sopetão uma ternura imensa por mamãe e titia, minhas duas mães, três com minha irmã, as três mães que sempre me divinizaram a vida. Era sempre aquilo: vinha aniversário de alguém e só então faziam peru naquela casa. Peru era prato de festa: uma imundície de parentes já preparados pela tradição, invadiam a casa por causa do peru, das empadinhas e dos doces. Minhas três mães, três dias antes já não sabiam da vida senão trabalhar, trabalhar no preparo de doces e frios finíssimos de bem feitos, a parentagem devorava tudo e ainda levava embrulhinhos pros que não tinham podido vir. As minhas três mães mal podiam de exaustas. Do peru, só no enterro dos ossos, no dia seguinte, é que mamãe com titia ainda provavam num naco de perna, vago, escuro, perdido no arroz alvo. E isso mesmo era mamãe quem servia, catava tudo pro velho e pros filhos. Na verdade ninguém sabia de fato o que era peru em nossa casa, peru resto de festa.

Não, não se convidava ninguém, era um peru pra nós, cinco pessoas. E havia de ser com duas farofas, a gorda com os miúdos, e a seca, douradinha, com bastante manteiga. Queria o papo recheado só com a farofa gorda, em que havíamos de ajuntar ameixa preta, nozes e um cálice de xerez, como aprendera na casa da Rose, muito minha companheira. Está claro que omiti onde aprendera a receita, mas todos desconfiaram. E ficaram logo naquele ar de incenso assoprado, se não seria tentação do Dianho aproveitar receita tão gostosa. E cerveja bem gelada, eu garantia quase gritando. É certo que com meus “gostos”, já bastante afinados fora do lar, pensei primeiro num vinho bom, completamente francês. Mas a ternura por mamãe venceu o doido, mamãe adorava cerveja.

Quando acabei meus projetos, notei bem, todos estavam felicíssimos, num desejo danado de fazer aquela loucura em que eu estourara. Bem que sabiam, era loucura sim, mas todos se faziam imaginar que eu sozinho é que estava desejando muito aquilo e havia jeito fácil de empurrarem pra cima de mim a… culpa de seus desejos enormes. Sorriam se entreolhando, tímidos como pombas desgarradas, até que minha irmã resolveu o consentimento geral:

— É louco mesmo!…

Comprou-se o peru, fez-se o peru, etc. E depois de uma Missa do Galo bem mal rezada, se deu o nosso mais maravilhoso Natal. Fora engraçado: assim que me lembrara de que finalmente ia fazer mamãe comer peru, não fizera outra coisa aqueles dias que pensar nela, sentir ternura por ela, amar minha velhinha adorada. E meus manos também, estavam no mesmo ritmo violento de amor, todos dominados pela felicidade nova que o peru vinha imprimindo na família. De modo que, ainda disfarçando as coisas, deixei muito sossegado que mamãe cortasse todo o peito do peru. Um momento aliás, ela parou, feito fatias um dos lados do peito da ave, não resistindo àquelas leis de economia que sempre a tinham entorpecido numa quase pobreza sem razão.

— Não senhora, corte inteiro! Só eu como tudo isso!

Era mentira. O amor familiar estava por tal forma incandescente em mim, que até era capaz de comer pouco, só-pra que os outros quatro comessem demais. E o diapasão dos outros era o mesmo. Aquele peru comido a sós, redescobria em cada um o que a quotidianidade abafara por completo, amor, paixão de mãe, paixão de filhos. Deus me perdoe mas estou pensando em Jesus… Naquela casa de burgueses bem modestos, estava se realizando um milagre digno do Natal de um Deus. O peito do peru ficou inteiramente reduzido a fatias amplas.

— Eu que sirvo!

“É louco, mesmo” pois por que havia de servir, se sempre mamãe servira naquela casa! Entre risos, os grandes pratos cheios foram passados pra mim e principiei uma distribuição heróica, enquanto mandava meu mano servir a cerveja. Tomei conta logo de um pedaço admirável da “casca”, cheio de gordura e pus no prato. E depois vastas fatias brancas. A voz severizada de mamãe cortou o espaço angustiado com que todos aspiravam pela sua parte no peru:

— Se lembre de seus manos, Juca!

Quando que ela havia de imaginar, a pobre! que aquele era o prato dela, da Mãe, da minha amiga maltratada, que sabia da Rose, que sabia meus crimes, a que eu só lembrava de comunicar o que fazia sofrer! O prato ficou sublime.

— Mamãe, este é o da senhora! Não! não passe não!

Foi quando ela não pode mais com tanta comoção e principiou chorando. Minha tia também, logo percebendo que o novo prato sublime seria o dela, entrou no refrão das lágrimas. E minha irmã, que jamais viu lágrima sem abrir a torneirinha também, se esparramou no choro. Então principiei dizendo muitos desaforos pra não chorar também, tinha dezenove anos… Diabo de família besta que via peru e chorava! coisas assim. Todos se esforçavam por sorrir, mas agora é que a alegria se tornara impossível. É que o pranto evocara por associação a imagem indesejável de meu pai morto. Meu pai, com sua figura cinzenta, vinha pra sempre estragar nosso Natal, fiquei danado.

Bom, principiou-se a comer em silêncio, lutuosos, e o peru estava perfeito. A carne mansa, de um tecido muito tênue boiava fagueira entre os sabores das farofas e do presunto, de vez em quando ferida, inquietada e redesejada, pela intervenção mais violenta da ameixa preta e o estorvo petulante dos pedacinhos de noz. Mas papai sentado ali, gigantesco, incompleto, uma censura, uma chaga, uma incapacidade. E o peru, estava tão gostoso, mamãe por fim sabendo que peru era manjar mesmo digno do Jesusinho nascido.

Principiou uma luta baixa entre o peru e o vulto de papai. Imaginei que gabar o peru era fortalecê-lo na luta, e, está claro, eu tomara decididamente o partido do peru. Mas os defuntos têm meios visguentos, muito hipócritas de vencer: nem bem gabei o peru que a imagem de papai cresceu vitoriosa, insuportavelmente obstruidora.

— Só falta seu pai…

Eu nem comia, nem podia mais gostar daquele peru perfeito, tanto que me interessava aquela luta entre os dois mortos. Cheguei a odiar papai. E nem sei que inspiração genial, de repente me tornou hipócrita e político. Naquele instante que hoje me parece decisivo da nossa família, tomei aparentemente o partido de meu pai. Fingi, triste:

— É mesmo… Mas papai, que queria tanto bem a gente, que morreu de tanto trabalhar pra nós, papai lá no céu há de estar contente… (hesitei, mas resolvi não mencionar mais o peru) contente de ver nós todos reunidos em família.

E todos principiaram muito calmos, falando de papai. A imagem dele foi diminuindo, diminuindo e virou uma estrelinha brilhante do céu. Agora todos comiam o peru com sensualidade, porque papai fora muito bom, sempre se sacrificara tanto por nós, fora um santo que “vocês, meus filhos, nunca poderão pagar o que devem a seu pai”, um santo. Papai virara santo, uma contemplação agradável, uma inestorvável estrelinha do céu. Não prejudicava mais ninguém, puro objeto de contemplação suave. O único morto ali era o peru, dominador, completamente vitorioso.

Minha mãe, minha tia, nós, todos alagados de felicidade. Ia escrever «felicidade gustativa», mas não era só isso não. Era uma felicidade maiúscula, um amor de todos, um esquecimento de outros parentescos distraidores do grande amor familiar. E foi, sei que foi aquele primeiro peru comido no recesso da família, o início de um amor novo, reacomodado, mais completo, mais rico e inventivo, mais complacente e cuidadoso de si. Nasceu de então uma felicidade familiar pra nós que, não sou exclusivista, alguns a terão assim grande, porém mais intensa que a nossa me é impossível conceber.

Mamãe comeu tanto peru que um momento imaginei, aquilo podia lhe fazer mal. Mas logo pensei: ah, que faça! mesmo que ela morra, mas pelo menos que uma vez na vida coma peru de verdade!

A tamanha falta de egoísmo me transportara o nosso infinito amor… Depois vieram umas uvas leves e uns doces, que lá na minha terra levam o nome de “bem-casados”. Mas nem mesmo este nome perigoso se associou à lembrança de meu pai, que o peru já convertera em dignidade, em coisa certa, em culto puro de contemplação.

Levantamos. Eram quase duas horas, todos alegres, bambeados por duas garrafas de cerveja. Todos iam deitar, dormir ou mexer na cama, pouco importa, porque é bom uma insônia feliz. O diabo é que a Rose, católica antes de ser Rose, prometera me esperar com uma champanha. Pra poder sair, menti, falei que ia a uma festa de amigo, beijei mamãe e pisquei pra ela, modo de contar onde é que ia e fazê-la sofrer seu bocado. As outras duas mulheres beijei sem piscar. E agora, Rose!… 

O Peru de Natal

Carmem Miranda na Cozinha Afetiva

Como transformar uma cozinha de dimensões mínimas em um espaço criativo e afetivo? As fotos deste post são de 2009 da 2ª edição do Projeto Vitrine – Mostra de Decoração no Tropico´s Florense, na cidade de Santos (SP). O projeto é do arquiteto Ricardo Velasco, que foi buscar na essência da Carmen Miranda a inspiração para transformar o pequeno espaço da cozinha em um ambiente criativo e com referências nas cozinhas antigas das nossas melhores memórias culinárias.

Olhando as fotos do espaço, a imagem colorida e brasileira da Carmem Miranda e as letras de alguns sucessos que eternizaram a Portuguesa/ Brasileira/ Baiana, percebi como esta pequena notável carregava uma grande identidade culinária, a começar pelos adereços de cabeça recheados de frutas tropicais. Quem não gostaria de ter uma fruteira na sua mesa de cozinha com a explosão de cores que trazia a Carmem Miranda? Com todos estes elementos, Ricardo usou os ingredientes na medida, com preparo exato e obtendo um resultado criativo e afetivo.

 

 

Cozinha da Carmem Miranda

  

 

Cozinha da Carmem Miranda

  

 

Cozinha da Carmem Miranda

 

 

 

Cozinha da Carmem Miranda

 

Carmem Miranda e a Cozinha Afetiva

Tico-Tico No Fubá / Abreu Gomes
“… O tico-tico tá
Tá outra vez aqui
O tico-tico tá comendo o meu fubá…”
“…Ó por favor, tire esse bicho do seleiro
Porque ele acaba comendo o fubá inteiro
Tira esse tico de cá, de cima do meu fubá
Tem tanta coisa que ele pode pinicar
Eu já fiz tudo pra ver se conseguia
Botei alpiste pra ver se ele comia
Botei um galo, um espantalho e alçapão
Mas ele acha que fubá é que é boa alimentação…”

Camisa Listrada / Assis Valente
“…Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí
Em vez de tomar chá com torrada ele tomou parati…”

South American Way / Aloysio de Oliveira
“… E vende vatapá
E vende caruru
E vende mungunzá
E vende umbu
No tabuleiro tem, tem de tudo, tem
Só não tem meu bem berenguendem…”

Disseram que eu voltei americanizada / Luis Peixoto e Vicente Paiva
“…Enquanto houver Brasil
Na hora das comidas
Eu sou do camarão ensopadinho com chuchu…”

E por falar em camarão com chuchu, procurei por receitas de ensopadinho e optei pela receita abaixo, disponível no site http://receitas.maisvoce.globo.com. O motivo? Leva coentro na receita.

1 – INGREDIENTES

  • 750 g de camarões pequenos descascados, limpos, lavados e escorridos
  • 2 colheres (sopa) de suco de limão
  • Sal e pimenta-do-reino a gosto
  • 4 colheres (sopa) de azeite
  • 1 cebola média picada
  • 1 dente de alho picado
  • 3 tomates grandes picados, sem pele e sem sementes
  • ½ pimenta vermelha picadinha
  • 2 chuchus médios descascados e cortados em cubinhos
  • +/- 250 ml de água quente (para pingar se necessário)
  • 2 colheres (sopa) de coentro picado

2 – MODO DE PREPARO

  • Numa tigela tempere os camarões pequenos descascados, limpos, lavados e escorridos com 2 colheres (sopa) de suco de limão, sal e pimenta-do-reino a gosto e reserve.
  • Numa panela em fogo médio aqueça  4 colheres (sopa) de azeite e refogue 1 cebola média picada e 1 dente de alho picado por +/- 5 minutos.  Junte o camarão temperado e refogue por + 2 minutos.
  • Retire o camarão da panela (para ele não emborrachar) e reserve-os.
  • Coloque os camarões numa peneira para retirar o excesso de caldo que se forma, e volte o caldo para panela.
  • Na mesma panela (e com caldo do camarão que se formou) em fogo médio junte 3 tomates grandes sem sementes e sem pele picados, a pimenta vermelha picadinha e 2 chuchus médios descascados e cortados em cubinhos. Acerte o sal.
  • Tampe a panela e cozinhe em fogo baixo por +/- 12 a 15 minutos (se necessário vá pingando água quente aos poucos para não queimar o chuchu).
  • Acrescente o camarão refogado reservado e 2 colheres (sopa) de coentro picado. Sirva a seguir.

3 – DICA BAHIANA

 

Carmem Miranda na Cozinha

  • Na Bahia temos uma versão do ensopadinho de chuchu com camarão utilizando leite de coco e azeite de dendê (coloque a gosto).

Prato de Recordações

A recomendação abaixo é da Renata Rodrigues no Facebook da Cozinha Afetiva … gostei muito! Acho que Cozinha Afetiva também pode ser traduzida como UM BOM PRATO DE RECORDAÇÕES REGADO A MOMENTOS ETERNOS E SALPICADO DE AFETO. Ficou uma definição bem culinária e muito afetiva.

“Recomendo a todos que gostam e sabem apreciar um bom prato de recordações regado a  momentos eternos e salpicado de afeto – Renata Rodrigues.”

Pano de Prato

Simples e de grande utilidade, não há cozinha sem pano de prato, que na verdade poderia também ser chamado de pano de panela, pano de mão, pano para tudo. Minha mãe usava vários ao mesmo tempo… e coitado de quem misturasse o pano de prato de cobrir o escorredor de pratos com o pano de prato para as mãos ou o pano de prato que era usado para enxugar as louças, a pia ou limpar o fogão.

Muitas cozinhas por onde passei, e ainda passo, mantém a tradição dos vários panos para diferentes utilidades. Assim são, por exemplo, as cozinhas da Dal, amiga baiana morando em Brasília, e da Ed, outra amiga da Bahia que mora em Salvador. Por várias vezes nas cozinhas da Ed ou da Dal, sentir o peso do ato falho de enxugar a mão no pano errado. Gente de cozinha afetiva, de herança culinária tem seus rituais, e panos para diferentes usos fazem parte destes rituais. Este meu ato falho, dentre outros, foi batizado de “Cascão”, personagem do Mauricio de Souza. Hoje na minha cozinha procuro manter pelo menos dois panos, nada comparado com a cozinha da minha irmã Dalva, com mais de 5 tipos para usos diferentes (cobrir, enxugar mão, enxugar frutas e verduras, limpar fogão, enxugar louças, etc., etc. …).

Voltando a querida amiga Ed (Edivalma Santana, fotógrafa), nossa história teve início em 1970 no Colégio Municipal de Feira de Santana, e entre encontros e desencontros fomos vizinhos, porta a porta, por mais de 10 anos na especial Rua Fonte do Boi, no mágico bairro do Rio Vermelho, na mágica cidade do Salvador. Este foi um período de grandes memórias afetivas culinárias, pois nossas raízes de família são idênticas. Sopa, café da manhã, bolo, queijo Palmira, cozido, maniçoba, vatapá… tudo era compartilhado em um ritual de vai e vem diário. Na minha infância, vizinhos se presenteavam com pratinhos de comidinhas diferentes, e nunca o prato era devolvido vazio, ficava a espera de alguma iguaria culinária para que a gentileza fosse retribuída.

Nas minhas idas para Salvador procuro manter minhas origens afetivas com pessoas que marcaram minhas memórias culinárias. Ed é uma delas, e foi em um café da manhã, conversando sobre blog, fotos, eleição e pelourinho que fui surpreendido com um pano de prato que cobria a cesta dos pães. Um pano de prato de puro linho, delicadamente bordado a mão e com uma inscrição “Quinta Feira”. Memória automaticamente ativada. Era comum pano de prato dos dias da semana, de Segunda Feira ao Domingo, que deveriam ser trocados diariamente respeitando os dias da semana. Os da Ed foram herdados da Dona Lili, sua mãe. Os 7 panos tem mais de 55 anos, faziam parte do enxoval de casamento da Dona Lili e foram feitos e bordados por ela. São desenhos simples, delicados, coloridos e com cenas de tarefas diárias de uma dona de casa, um retrato da época. O meu preferido é o sábado, onde a menina da cena retira um bolo do forno.

Pano de Prato - Sábado - Tirando o bolo do forno

O café na casa da Ed foi mais que especial e os panos estão aqui retratados.

Procurei muito a origem ou história do pano de prato e não encontrei. Panos com os dias da semana ainda são encontrados, porém  com dias da semana, de puro linho e bordados a mão são uma raridade e podem ser excelentes presentes para os amantes da cozinha afetiva.

O pano de prato é a roupa de cozinha mais representativa da cozinha afetiva.


Bolo de Milho com Goiabada

Abrindo a categoria dos Doces Afetivos, mais uma receita com ingrediente de afetividade. Josias Júnior, médico, anestesista, com trilhões de atividades diárias, tem como especialidade a cozinha dos doces. Não há festa de aniversário, natal ou qualquer outra celebração que os bolos e doces da cozinha afetiva do Josias não estejam presentes. Como todo bom “dono de cozinha”, Josias, pernambucano, criado no Mato Grosso e que adotou São Paulo como residência, tem um cuidado muito especial com suas receitas e ingredientes.

Não foi difícil escolher a receita para a abertura desta categoria, o bolo de milho com goiabada, de fácil preparo e extremamente saboroso, faz sempre sucesso e já é cadeira cativa nas nossas festas juninas e trezenas de Santo Antônio todos os anos. A origem da receita é duvidosa, provavelmente passada de alguma alma afetiva que cruzou as cozinhas por onde Josias circulou, porém como bom alquimista de toda cozinha afetiva, ele já transformou a receita, chegando a um resultado fantástico. Experimentem!

Josias Júnior

1 – INGREDIENTES

  • 4 ovos
  • 200g de milho verde
  • 200 ml de leite de coco
  • 100 ml de óleo
  • 400 g de açúcar
  • 25 g de fermento em pó químico
  • 120 g de farinha de milho em flocos pré-cozida
  • 300 g de goiabada

2 – MODO DE PREPARO

  • Pré aquecer o forno, 20 a 30 minutos antes (180 °C).
  • Bater todos os ingredientes no liquidificador por aproximadamente 3 minutos, exceto a goiabada.
  • Forrar uma forma redonda (28 cm) de fundo removível com papel manteiga.
  • Cortar a goiabada em lâminas e forrar o fundo da forma.
  • Adicionar a massa sobre a camada de goiabada.
  • Assar por aproximadamente 40 min em forno a 200 °C.
  • Desenformar o bolo ainda morno.

O Bolo de Milho com Goiabada, assado e antes de desenformar

Bolo de Milho com Goiabada

3 – OBSERVAÇÕES

  • Não entre em desespero na hora de desenformar o bolo, é normal que a retirada do papel manteiga possa levar junto alguns pedacinhos das laterais e beiradas do bolo. Normal. Pela textura muito macia e esfarelada, este bolo não é uma preciosidade na aparência, porém é muito mais que uma preciosidade no sabor.
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