Esquenta Casé!

Regina Casé - Esquenta!

Desde 1974, ano da estreia do grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone*, que Regina Casé faz parte do cenário artístico nacional, e tudo, tudo mesmo que ela faz parte é garantia certa de qualidade, bom gosto, arte, cultura e muito entretenimento. Regina voltou no 1º domingo de 2011, 02/01, com o programa Esquenta! (Globo – 13 horas). Uma proposta muito interessante de programa, com entrevistas, músicas, um grande almoço afetivo ao vivo e elaborado, esperamos que sempre, por uma afetiva cozinheira, de raízes na culinária caseira.

Conforme declarado no site do programa, um dos itens fundamentais para o sucesso de uma festa é a comida servida, e no Esquenta! não é diferente. Na estreia do programa, Márcia Black deu um show na cozinha e deixou os convidados com água na boca. Márcia é muito conhecida no mundo do samba pelo cozido que prepara. Amiga de Zeca Pagodinho, ela conta que foi por causa dele que trouxe a cultura do cozido do subúrbio para a Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro: “Desde o início da história do samba sempre havia uma pessoa cozinhando nas rodas de amigos, e no subúrbio, onde eu e o Zeca morávamos, não era diferente. Quando ele se mudou para a Barra, reclamava que não tinha um lugar para reunir os amigos, bater papo e cantar. Como muitos dos nossos amigos também estavam morando na Barra, decidimos procurar um espaço para fazermos estas reuniões mais perto de todos. Assim surgiu o “Clube do Cozido’”, conta Márcia.

Esperamos que o Esquenta! possa ter vida longa, e não apenas os 3 meses previamente divulgado. Além do prazer de ter a Regina Casé de volta, teremos o prazer culinário das delicias afetivas que irão ao ar todo domingo. Viva a Cozinha Afetiva! Esquenta Casé!

Link para o site do Esquenta!

http://esquenta.globo.com/platb/programa/2011/01/02/marcia-black-a-rainha-do-cozido/

*O Asdrúbal Trouxe o Trombone foi sucesso de público e crítica desde sua estreia, em 1974, com O Inspetor Geral. A montagem de Trate-me, Leão, com Hamilton Vaz Pereira, Regina Casé, Luiz Fernando Guimarães, Perfeito Fortuna, Evandro Mesquita, Nina de Pádua e Patricia Travassos, fez do Asdrúbal o representante do que se passava nos corações e mentes da juventude dos anos 70.

O Cozido do Esquenta!

1 – INGREDIENTES

  • 1kg de lombo
  • 1kg de costela
  • 1kg de carne seca
  • 1kg de linguiça
  • 500g de bacon
  • 1kg de cenoura cortada em tamanho médio
  • 1kg de abóbora cortada em tamanho médio
  • 1kg de batata doce cortada em tamanho médio
  • 1kg de batata inglesa cortada em tamanho médio
  • 1kg de aipim cortado em tamanho médio
  • 1kg de repolho
  • 1kg de chuchu cortado em tiras médias
  • 1kg de quiabo inteiro
  • 1kg de jiló inteiro
  • Espigas de milho cortadas em três pedaços
  • 1 molho de couve
  • Banana da terra
  • 1 molho de coentro
  • 1 molho de cheiro verde
  • Cebola
  • Alho

2 – MODO DE PREPARO

  • Reserve quatro recipientes e coloque de molho o lombo, a costela, a carne seca e a linguiça por 24 horas trocando a água de três em três horas. Depois deste tempo, escorra as carnes. Ferva as carnes por duas vezes, cada carne em uma panela. Jogue fora a água da primeira fervura e guarde a água da segunda fervura para cozinhar os legumes;
  • Cozinhar cada legume separadamente na água da segunda fervura das carnes;
  • Reserve quatro panelas para refogar as carnes. Em cada uma delas coloque um pouco de óleo, cebola, bacon e alho e deixe dourar;
  • Coloque as carnes nas panelas, misture e pingue um pouco de água até ficarem douradas;
  • Coloque os legumes e as carnes em travessas separadas e decore com um pouco de coentro e cheiro verde;
  • O cozido está pronto para servir. Pode ser acompanhado de arroz branco, feijão branco e pirão.
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Omelete de Kitute

Visitando supermercados em Manaus esbarrei com uma gôndola repleta de Kitute, sim Kitute, este enlatado com gosto de infância, com gosto de casa de mãe, que sempre tem umas latinhas guardadas no armário para “situações de emergência culinária”.

Gôndola repleta de Kitute - Supermercado em Manaus (AM)

Listamos abaixo o que são “situações de emergência culinária”:

  1. Almoço pronto para um determinado número de pessoas, e de repente chega aquela visita inesperada. Na Bahia amigos e parentes podem chegar à nossa casa sem avisar previamente, e geralmente chegam na hora do almoço ou no café da noite. Nesta hora uma latinha de Kitute salva a situação;
  2. No café da noite (ou jantar) um sanduiche de Kitute (no pão francês ou “cacetinho”, como é chamado na Bahia) vai muito bem;
  3. Omelete de Kitute é uma especialidade da Cozinha Afetiva. Vai muito bem ao almoço, no café da noite e na merenda da tarde, se sobrou do almoço. Geralmente é cardápio dos dias onde a “dona da cozinha” estava muito ocupada com outros afazeres domésticos ou por economia, pois é um delicioso substituto de outros tipos de carnes;
  4. Como lanche do final da noite ou após uma balada, o Kitute salva qualquer fome.

Omelete de Kitute

A marca de referência da minha infância é Swift (www.swift.com.br), hoje uma marca da JBS, empresa brasileira, fundada em 1953, com presença global e atuando nas áreas de alimentos, couro, produtos para animais domésticos, biodiesel, colágeno, latas e produtos de limpeza.

Em Manaus compramos a marca Fiambre Kitut (SAC 0800 11 5057), também da JBS. É impressionante como este produto mantém-se fiel ao “sabor de antigamente”, é exatamente igual ao comprado por minha mãe nas décadas de 60 e 70, que chamava carinhosamente de “presunto de pobre”. Kitute é um preparado de carnes bovina, suína, aves, amidos, açúcar, sal e condimentos. Pode ser encontrado em todos os supermercados do Brasil, porém no Norte e Nordeste apresenta-se em larga escala.

Fiambre Kitut

Da minha parte, considero excepcional o OMELE DE KITUTE, muito fácil de preparar (ovos batido com uma pitada de sal, Kitute, óleo, uma boa frigideira e habilidade afetiva para envolver a delicia do Kitute com os ovos batidos), sendo ideal para ser apreciado com arroz e farofa.

Omelete de Kitute, Arroz e Farofa

E para finalizar, impossível não falar sobre o abridor das tradicionais latinhas de Kitute. Um chavinha na lateral da lata, super prática (em uma época onde praticidade não era tendência de comportamento), permite uma abertura rápida, segura e fácil. Ah, se todas as latas fossem iguais a você!

Praticidade para abrir a lata, quando praticidade ainda não era tendência de comportamento

Ano Novo

Feliz Ano Novo!

“Para ganhar um ANO NOVO que merece este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo NOVO, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o ANO NOVO cochila e espera desde sempre.” Carlos Drummond de Andrade. Feliz Ano Novo!

Pé-de-Moleque do Amazonas

Café Regional Priscila

Pé-de-Moleque no estado do Amazonas não é um doce de amendoim, crocante e caramelizado. Pé-de-Moleque da Amazônia é um bolo de massa de mandioca, com castanha do Brasil (castanha do Pará) e assado na folha de bananeira.

O local é o Café Regional Priscila (Rua da Cachoeira, 23), localizado na cidade de Presidente Figueiredo, estrada para as cachoeiras de Iracema e Araras. O Café Priscila é um ponto de parada obrigatória, onde encontramos todas as delicias da culinária afetiva do Amazonas: tapioca (mais de 30 tipos), banana frita, pamonha, sucos (cupuaçu, graviola, taperebá*…), doces regionais, sanduiches (mais de 15 tipos: tucumã**+queijo, banana frita, carne de sol, ovo frito…) e bolos diversos, com destaque para o Pé-de-Moleque, também conhecido como “Bolo de Índio”, segundo uma simpática atendente que chama todos os clientes de “Coração”. O Pé-de-Moleque é feito com massa de mandioca, garapa de açúcar, manteiga (muita, muita manteiga), sal, açúcar, erva doce e cravinho (cravo da Índia). A massa é pré-cozida, moldada em folha de bananeira e assada em forno a lenha na chapa de ferro.

Forno a Lenha com Chapa de Ferro

O estabelecimento é uma herança culinária afetiva, com 5 pontos, inclusive em Manaus, onde as receitas foram passadas de mãe para filhos. O nome é uma homenagem à filha mais velha que iniciou o negócio com a matriarca. O Café Regional Priscila da Rua da Cachoeira é administrado por um dos filhos, André, que de forma espetacular conduz o forno a lenha, onde são preparadas as deliciais culinárias desta família amazonense.

(1) Massa Pré-Cozida

(2) Bolo Assado na Folha da Bananeira

(3) Bolo Pé-de-Moleque do Amazonas

Taberebá* - O cajá é o fruto da cajazeira (Spondias mombin). É também chamada de ambaló, ambaró, cajá-mirim, cajazinha, tapareba, taperebá, taperibá ou tapiriba. A cajazeira é originária da América tropical. Os frutos são suculentos, amarelos, azedos e aromáticos, sendo muito apreciados para refrescos e licores.

Taberebá (Caja)

Tucumã** - (Astrocaryum aculeatum) é uma palmeira que chega a medir até 20 m, folhas ascendentes, inflorescência ereta e frutos amarelos com tons avermelhados. É nativa da Colômbia e de Trinidad ao Brasil, especialmente nos estados do Acre, Amazonas, Pará e Rondônia, sendo cultivada por seu fruto comestiível, pela sua madeira, usada para fazer brincos, pelo óleo das sementes, utilizada em cozinha, e também pelas folhas, das quais se extrai fibra de tucum, usada na fabricação de redes e cordas que resistem à água salgada. Também conhecida pelos seguintes nomes: acaiúra, acuiuru, coqueiro-tucumã, tucum, tucumã-açu, tucumã-arara, tucum-açu, tucumaí-da-terra-firme, tucumãí-uaçu, tucumã-piririca, tucumã-purupuru e tucum-do-mato. O amazonense usa largamente o tucumã na culinária: pizzas, risotos, tapiocas, sanduiches (o famoso “x-caboquinho”).

Tucumã

Presente de Natal

Conjunto para Cafezinho da Dona Trindade

Papai Noel se lembrou da Cozinha Afetiva. Deixamos nossa panelinha na janela da cozinha e Papai Noel, ou melhor, Mamãe Noel deixou nosso presente de Natal. Dona Trindade Rodrigues, de Sorocaba (SP), através da sua filha Renata, nos enviou um conjunto de cafezinho que fazia parte do seu enxoval de casamento com 43 anos de vida afetiva. Nosso afetivo agradecimento à Dona Trindade, que já fazia do nosso Blog através da receita Pudim de Nozes do Menino Jesus.

Bule

Detalhe do Desenho - Conjunto de Cafezinho

A Cozinha Afetiva de Natal da Minha Mãe

Minhas memórias afetivas de Natal passam pela cozinha da minha mãe e pela capacidade criativa do meu pai. Na cozinha, tenho presente os sabores e aromas da Frigideira de Bacalhau, do Peru de Natal, do Queijo Palmyra e do Pão Doce de Natal. Todas as memórias culinárias não teriam sentido sem a capacidade criativa do meu pai na montagem do clima natalino, através dos presépios e grandes árvores de Natal com delicadas bolas de vidros e lâmpadas coloridas. Decoração de Natal sempre foi uma tradição na minha casa. Os presépios apresentavam a linguagem religiosa conhecida, porém sempre tiveram uma boa dose de modernidade e criatividade. Meu pai “tropicalizava” os presépios, incluindo praias com barquinhos, pracinhas com aspectos de cidade do interior brasileiro e até as típicas calçadas de Copacabana com pessoas passeando com carrinhos de bebês. Um exercício livre de cultura popular, sem qualquer preocupação com padrões, porém com muita estética. Decoração caseira de Natal e mesa com comidas natalinas são minhas melhores recordações.

Meu irmão herdou o gosto pelos presépios, que são montados entre a 1ª e 2ª semana de dezembro e desmontados após o dia 11 de janeiro, data que minha mãe fazia aniversário.

Toda esta movimentação de final de ano, mesmo sem a presença física dos meus pais, especialmente da minha mãe, é importante como um ritual de renovação. Gosto da sensação de recomeço. O Natal nos prepara para a virada do ano. Novo verão, novo carnaval, novo São João, novo, novo… e logo já teremos mais um novo Natal e um novo Ano Novo, com a mesma sensação de recomeço, de renovação. Façam suas promessas!

 

Mesa de Natal

A Cozinha Afetiva de Natal da Minha Mãe – A Frigideira de Bacalhau

Frigideira de Bacalhau

A Frigideira de Bacalhau da minha mãe tinha o mesmo status e destaque do peru da nossa mesa de Natal. Da minha parte, considero o sabor mais natalino da ceia. Sempre ficava alguém sem um pedaço, nunca sobrava para o almoço do dia 25 e nunca entendi qual o motivo de fazer apenas uma, pois era disputada a quase “tapas e beijos”. A Frigideira também estava presente em outras datas festivas da nossa família. Com certeza, na Semana Santa e no São João. Abaixo a receita que aprendi a fazer com minha mãe, uma herança, um legado sem precedência.

Frigideira de Bacalhau

1 – INGREDIENTES

  • 800 gramas de bacalhau, desfiado, sem pele e totalmente livre de espinhas
  • 6 cebolas médias em rodelas
  • 8 dentes de alho amassados
  • 4 tomates maduros picados
  • 50 gramas de camarão seco, sem cabeça e sem casca
  • ½ pimentão verde, ½ pimentão vermelho e ½ pimentão amarelo
  • 300 gramas de azeitonas fatiadas
  • 400 ml de leite de coco
  • 8 ovos
  • 1 colher de sopa de farinha de trigo com fermento
  • Azeite de oliva extra vigem
  • Cheiro verde (coentro, cebolinha e salsinha)
  • Pimenta-do-reino
  • Sal
  • Rodelas de pimentão, tomate e cebola e azeitonas para decoração

Temperos da Frigideira de Bacalhau

2 – MODO DE PREPARO

  • Retire o sal do bacalhau, reserve.
  • Em uma panela grande, adicione a cebola em rodelas, o alho amassado e o azeite de oliva, deixe dourar.
  • Acrescente o bacalhau desfiado e a pimenta-do-reino, misturando bem.
  • Acrescente os pimentões (verde, vermelho e amarelo) e o cheiro verde, misturando bem.
  • Acrescente as azeitonas, misturando bem.
  • Acrescente os tomates picados e o leite coco, deixe cozinhar até levantar fervura (a massa deverá ficar úmida, porém sem caldo). Reserve a massa.
  • Unte um refratário Grande com azeite de oliva.
  • Bata os ovos em neve.
  • Misture 5 colheres de sopa dos ovos em neve com a massa de bacalhau. Acrescente mais azeite de oliva e ajuste o sal.
  • Forre o refratário (Grande) com 8 colheres de sopa dos ovos em neve.
  • Adicione a massa do bacalhau no refratário, acomode bem e por cima desta massa acrescente o restante dos ovos batidos em neve.
  • Decore com rodelas de pimentão, tomate e cebola e azeitona.
  • Assar em forno pré-aquecido (200oC) até dourar.
  • Deixe esfriar, decore e coloque na sua mesa natalina.

3 – IMPORTANTE

  • A farinha de trigo com fermento pode ser substituída por farinha de trigo sem fermento, adicionando-se uma colher de chá de fermento em pó.
  • Sal, pimenta-do-reino, cheiro verde (coentro, cebolinha e salsinha) e azeite de oliva são ingredientes adicionados “a gosto”.
  • Ovos em Neves – São claras de ovos bem batidas, que ao atingir o ponto de neve (claras durinhas, como se fosse um bloquinho de neve), acrescentamos as gemas e a farinha de trigo, misturando-se tudo.

A Cozinha Afetiva de Natal da Minha Mãe – O Peru

Não lembro quando o ritual do “engorda peru”, e consequente sacrifício do bicho em prol de uma ceia natalina, foram extintos da minha casa, sendo substituído pelo Peru da Sadia e o Chester da Perdigão. Confesso que não tenho saudades do ritual. Era triste ver aquele simpático peru fazendo parte da família por meses, sem a menor noção que seria a ceia, o prato principal do jantar do dia 24 e o escaldado do dia 25 ou do domingo seguinte. Sim, sobras de peru no nordeste vira comida do dia seguinte em forma de escaldado. Os restos e ossos são cozidos, em muita água, com outras carnes (linguiça e bacon, principalmente), vários temperos e legumes. Após o cozimento, é retirado o caldo para fazer um pirão com farinha de mandioca. Durante anos tivemos este ritual natalino, que variava em função da quantidade de comida do dia 24. O escaldado só era feito no dia 25, se não sobrasse comida suficiente para o almoço.

De volta ao sacrifício do peru, por várias vezes acompanhei com muito pesar aquele ato da minha mãe. O pesar, entretanto, desaparecia por completo com o 1º aroma que exalava do forno.

Os tempos são outros, não matamos mais peru de véspera, mas nas primeiras edições do clássico livro Dona Benta Comer Bem (Companhia Editora Nacional) era apresentado o método de como abater um peru.

Como Abater Um Peru - Dona Benta Comer Bem

Com a entrada da Sadia e da Perdigão na cozinha da minha mãe, tudo ficou mais fácil e rápido, porém jamais estas aves industrializadas tiveram acesso ao sagrado forno da cozinha sem um reforço prévio de tempero. Minha mãe afirmava com autoridade incontestável: falta tempero.

A Cozinha Afetiva de Natal da Minha Mãe – O Queijo Palmyra

 

Queijo Palmyra

Palmyra é um queijo tipo Reino muito tradicional. O nome Palmyra se deve ao fato de que a produção deste tipo de queijo começou na serra da Mantiqueira, mais especificamente na região de Palmyra, estado de Minas Gerais, hoje Santos Dumont*. Produzido por queijeiros holandeses em 1876, a partir de uma adaptação do queijo holandês Edam, o queijo tipo Reino teve sucesso imediato devido à sua qualidade que superava o original holandês. Mantêm características notáveis, que tornaram este tipo de queijo um dos grandes queijos nacionais. É acondicionado na tradicional embalagem de lata, que além de proteger o queijo, ajuda no processo de maturação. A casca vermelha e o seu tempo de maturação, com um mínimo de três meses, são fatores decisivos para um sabor peculiar e um queijo bastante aromático.

Queijo Palmyra na minha casa de infância era queijo de festa. A cuia de lata era aproveitada como comedor ou bebedor para os bichos do quintal. A casca vermelha, rezava a lenda, não podia ser comida pelas crianças: fazia mal, podia provocar “dor de barriga”. Na nossa visão infantil, porém, a cor vermelha-rosa da casca era um grande atrativo, e não resistindo ao proibido, nós as comíamos escondidos. Nunca tivemos “dor de barriga”, confesso!

É muito difícil encontrar o Palmyra em cuia – lata em São Paulo. Indico três prováveis locais: Galeria dos Pães (http://www.galeriadospaes.com.br), Padaria Dengosa (da Melo Alves, 281 – Jardins) e o Mercado Municipal (http://www.mercadomunicipal.com.br).

*O município de Santos Dumont situado na Zona Mata (MG), aproximadamente 207 km de Belo Horizonte e a 235 do Rio de Janeiro. Seu nome é uma homenagem ao conterrâneo Alberto Santos Dumont, o inventor do avião. Foi Fundada por João Gomes, pai do inconfidente José Aires Gomes, com o nome de Palmira e só mudou de nome por causa de Santos Dumont.

A Cozinha Afetiva de Natal da Minha Mãe – Pão Doce de Natal

Pão Doce de Natal

O Pão Doce de Natal sempre foi o “patinho feio” da nossa mesa de Natal, e era função do meu pai a compra do pão natalino na padaria. Estava sempre presente e sobrava inteirinho para ser devorado com queijo Palmyra no café da manhã do dia 25. Acho que era a “missão do pão”, além de enfeitar e compor a mesa, só ser comido no dia seguinte. O Pão Doce de Natal tinha formato de rosca, era decorado com frutas, açúcar e um creme de baunilha amarelinho. Não lembro quando este pão foi substituído pelos atuais Panetones na nossa mesa, mas sinto saudades do aroma, da cor e do sabor, e especialmente do ritual da chegada deste pão à nossa casa na véspera do Natal. Em certos Natais havia congestionamento de Pão Doce, pois, sempre alguém trazia mais um de presente para nossa ceia.

Como nosso pão era de padaria, pesquisamos receitas na internet. Mais uma vez, optamos pela receita do Mais Você (Ana Maria Braga – Rede Globo).

Pão Doce de Natal

1 – INGREDIENTES

  • 6 tabletes de fermento
  • 1 colher de chá de açúcar
  • 1 xicara de chá de farinha de trigo
  • 1 xicara de chá de água morna
  • 4 ovos
  • 12 colheres de açúcar
  • 3 colheres, bem cheias de margarina
  • 1 colher, bem cheia de manteiga
  • ½ litro de leite morno
  • 1 colher de café de sal
  • 1 kg de farinha de trigo

2 – MODO DE PREPARO

  • Dissolva o fermento em uma colher de chá de açúcar, junte a água morna, em seguida misture a farinha. Cubra e deixe crescer até dobrar de volume.
  • Em separado, bata muito bem os ovos com o açúcar, a margarina (derretida e morna), a manteiga, o leite e o sal.
  • Junte ao fermento já crescido e misture a farinha de trigo aos poucos sovando muito bem até abrir bolhas. A massa tem que grudar de leve nas mãos e não pode ficar pesada.
  • Unte uma forma com manteiga e polvilhada com farinha.
  • Corte a massa em pedaços iguais e forme tranças, deixando crescer até dobrar de volume.
  • Pincele com uma gema de ovo e polvilhe com açúcar (pode ser de confeiteiro, refinado ou cristal).
  • Asse em forno pré-aquecido por mais ou menos 30 minutos.

Pão Doce de Natal na Padaria

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