Brigadeiro Escuro no Microondas, no Copinho, da Loira Ercilia

No meu aniversário faço questão de preparar algum tipo de comida no fogão da minha casa, mesmo que a festa seja fisicamente deslocada para outro espaço. Mais especial ainda, é quando pessoas queridas reservam parte do seu tempo no preparo de comidinhas afetivas para nossa festa de aniversário. Vivemos tudo isso no último dia 23 de março com os beijinhos de coco da Dona Terezinha (Post Beijinho de Mãe – 30/julho/2011), que viajaram de Itabuna, na Bahia, para minha festa em São Paulo, com o bolo com recheio de goiaba e cobertura de chocolate feito por Tina, outra baiana de forno e fogão, e com o bolo engorda marido (Post Bolo Engorda-Marido – 04/maio/2011) com recheio de chocolate e cobertura de cream cheese feito pela Rita, no fogão da minha cozinha.

Mas este post foi escrito para falar da loira Ercilia, amiga querida, fisioterapeuta, paulista de Jales, que sempre chega com alguma coisinha especial nas nossas festas de aniversários. Desta vez, na minha festa, ela não somente chegou carregada de balões e cata-ventos prateados, mas também foi para o fogão (de microondas) fazer um brigadeiro de copinho. Um sucesso de sabor, sabor de afeto, sabor de carinho. O mais estranho é que a nossa loira querida é muito mais uma afetiva acompanhante nos preparos culinários do que uma protagonista dos fogões.

Ercilia mostrou como é perfeitamente possível ir para cozinha e fazer uma comida de antigamente para qualquer modelo de festa no presente, e mesmo com toda a modernidade do uso do microondas nesta receita de brigadeiro, o que conta mesmo é a preservação da memoria afetiva, o sabor de infância, o preparo feito em casa, o afeto do gesto, o presente, a surpresa, o prazer de comer algo especial feito por pessoas especiais.

Brigadeiro Escuro no Microondas, no Copinho, da Loira Ercilia

Brigadeiro Escuro no Microondas, no Copinho, da Loira Ercilia

1 – INGREDIENTES

  • 1 lata de leite condensado Moça
  • 1 caixa de creme de leite (200 gramas)
  • 1 colher de sopa de manteiga bem cheia
  • 3 colheres de sopa de chocolate em pó

1 – MODO DE PREPARO

  • Misture bem o leite condensado Moça, a manteiga e o chocolate em pó em um refratário;
  • Leve ao forno de microondas por 2 minutos, retire e mexa bem;
  • Repita a etapa acima por mais duas vezes e uma vez por um minuto, sempre misturando bem entre uma etapa e outra;
  • Após os 7 minutos totais de cozimento no microondas, retire o refratário, acrescente a caixinha de creme de leite e misture bem;
  • Distribua em copinhos de sua preferência e leve para geladeira por aproximadamente uma hora;
  • Decore como desejar e sirva.
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Páscoa em Casa, na Cozinha Afetiva da Casa

Pão de Páscoa com Gotas de Chocolate e Frutas Cristalizadas (Foto: www.harald.com.br)

Vamos lá, ou melhor, vamos para cozinha fazer nossa Páscoa. Ovos, pães, bombons, trufas, pão de mel e outras delícias servidas na Páscoa, com muito chocolate, podem e devem ser preparados nas nossas cozinhas. 

Estamos em uma época fantástica, onde temos o chocolate como ingrediente principal desta celebração universal. Nada melhor do que manipular este produto especial nas nossas cozinhas, na elaboração de receitas para nosso deleito “gustativo emocional” e para as pessoas afetuosas que nos cercam. 

Presentear com chocolates, ou com produtos a base de chocolates, é receber poderosas doses de emoção, gratidão, amizade e surpresa, especialmente quando estes presentes são frutos da nossa elaboração caseira.  

A receita abaixo é um Pão de Páscoa, conhecido comercialmente como Colomba Pascoal. Não é uma receita simples de fazer, requer alguma habilidade culinária. Mas quem se importa com dificuldades culinárias? O bom mesmo é ir para cozinha e jogar-se no preparo, na magia da transformação que irá acontecer nas misturas e nos processos de preparo, seja de um simples ovo frito até um delicioso Pão de Páscoa.  

PÃO DE PÁSCOA COM GOTAS DE CHOCOLATE E FRUTAS CRISTALIZADAS*

 1 – INGREDIENTES

Esponja

  • 2 colheres (sopa) ou 20g de fermento biológico seco
  • ¾ xícara (chá) ou 100g de farinha de trigo
  • 1/3 xícara (chá) ou 80 ml de água filtrada e gelada

Massa da Colomba Pascal

  • 4 e ¼ xícaras (chá) ou 500g de farinha de trigo
  • ½ xícara (chá) ou 100g de margarina
  • ½ xícara (chá) ou 100g de açúcar refinado
  • 5 gemas de ovo
  • 1 colher (café) ou 2g de sal
  • 4 colheres (sopa) ou 40g de leite em pó
  • 2 colheres (sopa) ou 40g de mel
  • ½ xícara (chá) ou 120 ml de água filtrada e gelada
  • Gotas de essência de panetone

Recheio

  • 1 e 2/3 xícara (chá) ou 150g de gotas sabor chocolate meio amargo
  • 1 xícara (chá) ou 150g de frutas cristalizadas

 Cobertura 

  • 1 e ½ xícara (chá) ou 250g de farinha de caju
  • 1 xícara (chá) ou 200g de açúcar confeiteiro impalpável
  • 5 claras de ovos

Decoração

  • ½ xícara (chá) ou 100g de chocolate meio amargo ou ao leite
  • ¼ xícara (chá) ou 50g de açúcar confeiteiro impalpável
  • ½ xícara (chá) ou 40g de gotas sabor chocolate meio amargo
  • ¼ xícara (chá) ou 40g de frutas cristalizadas

 2 – MODO DE PREPARO

 Esponja

  • Em um recipiente, misture o fermento seco com a farinha de trigo e a água até formar uma massa homogênea. Cubra bem com filme PVC e deixe fermentar até dobrar de volume. 

 Massa

  • Em um recipiente grande da batedeira, junte a farinha de trigo com a esponja, a margarina, açúcar, gemas, sal, leite em pó e mel. Misture delicadamente para homogeneizar e adicione a metade da água. Leve à batedeira e adicione aos poucos a água, cuidando para não colocar líquido demais. Adicione a essência de panetone e bata mais um pouco até a massa ficar lisa, elástica e homogênea;
  • Abra a massa sobre uma mesa untada com óleo, espalhe as gotas de chocolate as frutas cristalizadas. Sove delicadamente a massa sempre fechando para envolver totalmente o recheio. Forme uma bola e deixe descansar por aproximadamente 15 minutos coberto com filme PVC;
  • Modele a massa recheada como se estivesse fazendo um pão baguete;
  • Divida-a em duas porções e corte uma delas em 3 partes, sendo 1 maior e 2 menores. Repita a operação com a outra porção e coloque na forma de papel de colomba, usando a parte maior como corpo e os menores como asa. Deixe fermentar por 30 a 50 minutos ou até dobrar de volume.

 Cobertura

  • Em um recipiente, misture a farinha de caju e a metade do açúcar de confeiteiro. Acrescente as claras e mexa até ficar homogênea. Aplique a cobertura sobre as colombas já fermentadas e, por cima, polvilhe o restante do açúcar de confeiteiro com uma peneira;
  • Asse em forno médio (170ºC), preaquecido, por cerca de 1 hora. Retire do forno e deixe esfriar sobre uma grade.

 Decoração

  • Derreta a cobertura sabor chocolate meio amargo, ou ao leite, conforme as instruções da embalagem e faça vários riscos sobre a superfície da colomba fria. Polvilhe com açúcar de confeiteiro no centro da cobertura e decore com gotas de chocolate e frutas cristalizadas.

 Dica

  1. Sempre que adicionar aos poucos a água à massa de pão, cuidado com o ponto. O ponto ideal é o ponto de véu, ou seja, quando esticada fica com aspecto de transparência sem se romper;
  2. Rendimento: 2 colombas;
  3. Tempo de preparo: 3h a 3h30;
  4. As formas de papel são encontradas em lojas de artigos de festas (Chocolândia, por exemplo), porém podemos usar uma forma convencional de bolos.

 

*A receita do Pão de Páscoa foi retirada do site www.harald.com.br. A Cozinha Afetiva fez livres adaptações e inclusões de outros ingredientes.

Faça seu Ovo de Páscoa em Casa

Atualmente os ovos de Páscoa tornaram-se populares através da sua industrialização em diversos sabores, formas e embalagens. Falamos de hoje e de um passado não muito distante. Por exemplo: na infância da minha geração, especialmente no norte e nordeste, ovo de Páscoa de chocolate era algo distante, assim como morango só era conhecido através do recheio dos biscoitos recheados, uva só através de K-Suco, maçã só para quem estivesse doente, salada era a mistura de alface, cebola, tomate e ovo de galinha cozido…

Voltando ao hoje, as regiões norte e nordeste não são mais distantes e isoladas. Descobriram-nos, graças a Deus! Fomos elevados à categoria de consumidores potenciais e nos possibilitaram vivenciar e deliciar as maravilhas das tecnologias alimentares.

Mas o assunto aqui é o ovo de Páscoa. Não lembro quando provei meu 1º ovo de chocolate, não tínhamos este hábito na nossa casa materna. Lembro, entretanto, de várias historinhas de amigos referentes ao desejo do consumo deste produto e de doces decepções, como por exemplo, a tristeza de ao abrir o ovo verificar que não era maciço de chocolate, e sim algo oco, uma fina casca de chocolate com alguns bombons dentro.

Outro fato que nunca entendi são as razões das cozinhas afetivas não fazerem ovos caseiros para consumo da familia. É como se ovo de Chocolate fosse uma invenção industrial que não tivesse passado por uma etapa doméstica. Quantas memórias afetivas poderiamos ter gravadas se nossas mães, avós, tias e madrinhas nos tivessem levados para suas cozinhas e nos deliciassem com a elaboração de ovos caseiros? Enfim, fazer ovos em casa não faz parte da nossa cultura culinária. Vamos direto ao supermercado e compramos nossos ovos prontinhos para nossas crianças e para as crianças que guardamos dentro de nós.

E para quebrar a tradição do não fazer ovos de Páscoa em casa, a empresa de chocolates Harald (www.harald.com.br) lançou um kit Páscoa – FAÇA SEU OVO DE PÁSCOA. Dentro da caixinha, uma barra de chocolate Melken ao leite, fôrma plástica, embalgens e um manual com o passo a passo. Agora já podemos fazer nosso ovo de Páscoa. Vou para minha cozinha afetiva fazer o meu. Depois apresento o resultado.

O Kit de Páscoa da Harald / Melken

Ovo de Páscoa – História

Ovos de Páscoa

Desde a Idade Média a páscoa é festejada como sendo a volta da luz, as Igrejas se iluminavam na madrugada de domingo e todas as casas deveriam acender velas, A páscoa associa, então, dois aspectos: a ideia de ressurreição tanto de Cristo quanto do Sol e uma vitória da luz sobre as trevas por meio da destruição da morte, sendo que ambas nada mais são do que uma passagem para outra vida.

O ovo, geralmente branco e frágil, é, de forma geral, uma metáfora para esta nova vida, ele é o símbolo do germe, encarna todo o conteúdo de uma vida numa simples casquinha, sendo um símbolo da transmutação e do renascimento. Do simbólico para o cotidiano, durante os quarenta dias que precedem o domingo de páscoa os fiéis estavam proibidos de consumir carnes e ovos. No entanto as galinhas, que não conheciam esta interdição, continuavam a pôr seus ovos normalmente, o que fazia com que os cristãos ficassem com muitos ovos sem poder comê-los. Para não desperdiçá-los surge, no século XII, a tradição de decorar as cascas dos ovos e oferecê-los como presente.

Conta-se que o rei Eduardo I da Inglaterra, em 1307 teria distribuído 450 ovos pintados aos membros da família real. Esta ideia acabará se desenvolvendo e ovos esculpidos em madeira são oferecidos ao rei, a família real russa começa a consumir ovos de páscoa feitos pelo joalheiro Fabergé e os doceiros vão começar a fazer ovos em açúcar, chocolate e torrone para as crianças.

Outros dados históricos indicam que os ovos de chocolate vieram dos Pâtissiers franceses que recheavam ovos de galinha, depois de esvaziados de clara e gema, com chocolate e os pintavam por fora. Os pais costumavam esconder ovos nos jardins para que as crianças os encontrassem na época da Páscoa. Com melhores tecnologias, a partir do final do século XIX, se difundiram os ovos totalmente feitos de chocolate, utilizados até hoje.

Referência – Revista Delícia de Páscoa – Harald 2012

Somos 5 mil na Cozinha Afetiva

Nosso perfil no Facebook alcançou 5 mil amigos da comida afetiva. Obrigado aos nossos amigos de afetos culinários!

Cozinha Afetiva

Clarice Lispector, frases sobre Mulheres – Rubem Alves, receita de Biscoitão Mineiro

Hoje dia da mulher, 08 de março de 2012, frases sobre mulheres de Clarice Lispector. Seguindo poeticamente, uma receita de Rubem Alves, biscoitão mineiro, para complementar este dia dedicado ao gênero que tornou a cozinha um lugar de afeto e carinho.

08 de março, dia dedicado ao gênero que tornou a cozinha um lugar de afeto e carinho

Clarice Lispector, frases sobre Mulheres

Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante.

E ela não passava de uma mulher… inconstante e borboleta.

E como nasci? Por um quase. Podia ser outra. Podia ser um homem. Felizmente nasci mulher. E vaidosa. Prefiro que saia um bom retrato meu no jornal do que os elogios. Tenho várias caras. Uma é quase bonita, outra é quase feia. Sou um o quê? Um quase tudo.

Eu antes era uma mulher que sabia distinguir as ciosas quando as via. Mas agora cometi o erro grave de pensar.

O destino de uma mulher é ser mulher.

Quando eu ficar sozinha, estarei seguindo o destino de todas as mulheres.

Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado.

E tenho, vos asseguro, tudo o mais que faz de mim uma mulher às vezes viva, às vezes objeto.

Ela, volta e meia, era uma mulher…

Toda mulher leva um sorriso no rosto e mil segredos no coração.

As mulheres devem arriscar sempre e se “divertir” com todos os homens que as desejam, uma hora tudo vai dar certo.

Rubem Alves, receita de Biscoitão Mineiro

1 – INGREDIEENTES

  • 500 g de polvilho azedo
  • 2/3 copo óleo
  • 1/3 copo de água
  • Sal
  • 3 ovos

2 – MODO DE PREPARO

  • Ferver o óleo e a água juntos;
  • Escaldar o polvilho com esse óleo e essa água e sal;
  • Mistura ovos batidos até formar uma massa homogênea e mole;
  • Colocar num saco plástico;
  • Cortar a pontinha do saco;
  • Fazer as tripinhas;
  • Assar em forno quente;
  • Se a massa ficar dura, colocar mais ovo.

Bolinho de Batata Doce

Batata Doce

“Você vai almoçar numa casa e lá lhe oferecem um prato divino, que dá ao seu corpo sensações novas de gostos e olfatos. Vem logo a ideia: Que bom seria se, de vez em quando, eu pudesse renovar este prazer. E, infelizmente, não posso pedir para continuar a ser convidado. Usamos a fórmula clássica: Que delícia: quero a receita. Traduzindo para os nossos propósitos: Quero possuir um conhecimento que me possibilite repetir um prazer já tido. O conhecimento tem sempre o caráter de receita culinária. Uma receita tem a função do permitir a repetição de uma experiência de prazer. Mas quem pede a repetição não é o intelecto. É o corpo. Na verdade, o intelecto puro odeia a repetição. Está sempre atrás de novidades. Uma vez de posse de um determinado conhecimento, ele não fica repassando e repassando. Já sei, ele diz, e prossegue para coisas diferentes. Com o corpo acontece o contrário. Ele não recusa um copo de vinho, dizendo que daquele já bebeu, nem se recusa a ouvir uma música, dizendo que já ouviu antes, nem rejeita fazer amor, sob a alegação de já ter feito uma vez. Uma vez só não chega. O corpo trabalha em cima da lógica do prazer. E, do ponto de vista do prazer, o que é bom tem de ser repetido, indefinidamente”.

O parágrafo acima, do texto Ciência, Coisa Boa… (Rubem Alves), faz parte do livro Introdução às Ciências Sociais, organizado por Nelson C. Marcellino (Papirus Editora, 17ª Edição, 2010). Perfeito para memórias culinárias, onde sempre estamos em busca dos aspectos sensoriais que nos fizeram felizes em determinados momentos das nossas vidas, ou seja, “o que é bom tem de ser repetido”, e como diz o texto “uma receita tem a função do permitir a repetição de uma experiência de prazer”. Quem não vai à procura de um gosto perdido que nos proporcione prazer e felicidade? Ao ler este texto, fiquei buscando meus gostos esquecidos. Quais os gostos que armazenei na minha caixinha de memória sem acessos por longos anos, substituindo-os por outros gostos, não menos prazerosos, que também serão armazenados, substituídos e esquecidos? Lembrei-me de algo muito simples, muito mesmo. Batata doce amassada com manteiga e leite Ninho e polvilhada com muito açúcar.

Na minha casa materna não tínhamos jantar, tínhamos o café da noite. Muito farto, variado e com algumas sobras provenientes do almoço, que eram magicamente transformadas em outros pratos pela minha mãe. Havia sempre uma raiz nordestina para complementação. Aipim (macaxeira), inhame, fruta pão, batata doce. A batata doce era a minha preferida, pois era transformada num lúdico e delicioso bolinho, feito por mim e meus irmãos em processo de competição culinária ao vivo. Ganhava quem fizesse o bolinho mais simpático aos olhos de uma rígida comissão julgadora formada por meu pai e minha mãe. Claro que todos ganhavam, em um processo afetuoso de rodizio de ganhadores.

Bolinho de Batata Doce

Batata Doce

1 – INGREDIENTES

  • Batata doce
  • Leite em pó Ninho
  • Manteiga
  • Açúcar

2 – MODO DE PREPARO

  • Lavar previamente as batatas e cozinhá-las;
  • Deixar esfriar e descascar;
  • Pegar quantas batatas sua fone suportar. Amasse-as bem com um garfo;
  • Misturar as batatas amassadas com leite em pó Ninho e manteiga (nas quantidades que sua mãe e/ou sua dieta permitirem);
  • Fazer um lúdico bolinho no formato que sua imaginação e criatividade permitirem;
  • Polvilhar com açúcar;
  • Degustar tudo e armazenar este mágico sabor na sua memória. Será eterno!

Chico Balanceado no No Kafe Fest

Um almoço com 25 tipos de saladas, 14 pratos quentes e mais de 10 sobremesas, cravado no coração de Curitiba, a alguns passos do relógio das flores. Conheço o No Kafe Fest há mais de 10 anos, e sempre que vou a Curitiba arranjo um tempo – de preferência do domingo, pois aproveito para circular pela feirinha – para ir almoçar neste quilo especial e caseiro que funciona anexo ao Solar do Rosário desde 1993.

No Kafe Fest

Dona Dorothea Richter levou suas receitas alemãs da família, aprendidas com mãe, tias e avos, e toda a experiência de mais de 10 anos como professora de culinária do SENAC para seu restaurante. O resultado é extraordinário. Uma comida de casa, de mãe, saborosa e vendida a quilo.

Purê de maçã, peru com frutas, lasanha, bacalhau, camarão de ensopado, massas, porco assado, saladas e outras delicias. Os doces são um espetáculo a parte, que deve ser degustado sem qualquer culpa. Pudim de claras, pudim de leite condensado, brigadeiro mole com amoras, frutas e o meu preferido banana caramelada, também conhecida como Chico Balanceado, que arriscamos a divulgar a receita abaixo, pesquisada no Google e devidamente testada e adaptada ao nosso açucarado paladar nordestino.

A comida caseira e afetiva do No Kafe Fest

Chico Balanceado

Banana Caramelada = Chico Balanceado = Manezinho Araújo

Segundo Câmara Cascudo (História da Alimentação no Brasil) “todos os pratos nacionais são resultantes de experiências construídas lentamente, fundamentadas na observação e no paladar”. A informação que temos é que o Chico Balanceado é um doce típico do Rio Grande do Sul, porém, disputa com os estados de Santa Catarina e Paraná a autoria desta sobremesa. Sabemos, entretanto, que Pernambuco é o estado mais doce do Brasil, rico em receitas de doces, bolos e sobremesas, herança proveniente do ciclo da cana de açúcar, da casa grande, da senzala e da nossa doce miscigenação entre índio, negro e português. E lá no Nordeste, em Pernambuco, Chico Balanceado é Manezinho Araújo, portanto temos origens para todos os lados. Sul e Nordeste conectados por meio de um doce caminho de creme de amido, banana, ovos e muito açúcar. 

1 – INGREDIENTES

  • 6 bananas maduras
  • 8 ovos
  • 1 litro de leite
  • 3 ½ xícaras de chá de açúcar
  • 1 xícara de chá de água
  • 2 colheres de sopa bem cheias de amido de milho
  • 1 lata de leite condensado
  • Manteiga

2 – MODO DE PREPARO

  • Pré-aqueça o forno a 160ºC;
  • Descasque e corte cada banana em duas a três fatias longitudinais. Grelhe as fatias na manteiga. Reserve;
  • Faça uma calda cor de caramelo com 3 xícaras de açúcar e 1 xícara de água. Caramelize o fundo de um refratário e deixe esfriar;
  • Em outra panela coloque 1 litro de leite, 2 colheres de sopa bem cheias de amido de milho, 8 gemas (reserve as claras) e 1 lata de leite condensado;
  • Leve ao fogo médio por 15 minutos ou até formar um creme liso e homogêneo. Despeje no refratário caramelizado. Deixe esfriar um pouco e reserve;
  • Adicione as fatias das bananas grelhadas delicadamente sobre o creme. Reserve;
  • Bata as 8 claras em batedeira até ponto de neve, adicione ½ xícara de açúcar e bata bem até formar um merengue firme;
  • Coloque o merengue sobre as bananas fatiadas no refratário;
  • Leve ao forno pré-aquecido a 160º C por cerca de 10 minutos ou até o merengue ficar dourado;
  • Retire do forno e deixe esfriar;
  • Antes de servir deixe na geladeira por 20 minutos.

No Kafe Fest

Almoço: 2ª a 6ª das 11h30min as 14h00min / Domingo das 12h00min as 15h00min – Rua Claudino Soares, 142 – Calçadão – Anexo ao Solar do Rosário – Curitiba / Paraná (41 3223-9534 – www.nokafefest.com.br)

De 3ª a sábado das 15h30min as 20h00min funciona um Café Colonial com 50 tipos de pratos doces e salgados.

Os doces do No Kafe Fest

Rabanada da Dona Naná

Rabanada da Dona Naná

Já era hora de trazer a Dona Naná para nossa Cozinha Afetiva. Dona Nazilda Costa, comandante da alegria, das festas e da cozinha da família Costa, família que já incorporei, sei lá desde quando.

Dona Naná, dona deste post, dona de casa, dona de um dom culinário que transforma simples e cotidianos ingredientes em comidas recheadas de sabores, cores, afeto e muita alegria. Alegria que ela carrega em tudo que faz, alegria que é o seu melhor tempero, seu tempero de vida, seu sal, seu açúcar, seu dom.

Assim é a Rabanada servida no réveillon dos Costa, o qual tive o prazer de fazer parte lá na nublada Vitória. Na mesa da festa um cardápio feito por várias mãos e alguns olhares (da Denise, por exemplo, nossa mantedora das caipiroscas – função também fundamental), com pratos especialmente feitos para entrar o ano novo com o pé direito e o estômago feliz; lentilha, frigideira de bacalhau, peixe ao forno, farofa de banana, salada de siri com manga (da Margot, que irei apresentar em breve), e claro a Rabanada da Naná, que logicamente não sobrou, não foi suficiente, pois comeríamos mais, muito mais.

A querida Dona Naná é muito prática e rápida na cozinha. Nada de muito trabalho, de muitas horas ao pé do fogão, pois ela tem outras atividades a se dedicar. Sua ginástica, seus passeios ao shopping Paulista, as idas ao supermercado, Sr Antônio, Serra Negra, Vitória, o cabelereiro, as novelas, o neto, os filhos, os amigos dos filhos, ávidos por um convite para um almoço de domingo, o qual me incluo, e por razões de manutenção do meu nome na lista dos convidados, jamais irei revelar sua idade, até porque idade não representa nada para quem carrega o dom da transformação culinária com temperos de afeto e alegria.

Rabanada da Naná

1 – INGREDIENTES

  • Pão de sal dormido
  • Ovos
  • Leite de vaca
  • Açúcar
  • Canela em pó
  • Óleo

2 – MODO DE PREPARO

  • Deixar o pão dormir por 3 a 4 dias;
  • Cortar o pão em rodelas (foto 1);
  • Misturas bem o leite de vaca com 2 ovos (foto 2);
  • Mergulhar as rodelas de pão rapidamente na mistura leite/ovos;
  • Fritas as rodelas umedecidas em óleo quente (foto 3);
  • Depositar as rodelas fritas, rabanadas, em papel toalha para retirar o excesso do óleo (fotos 4 e 5);
  • Polvilhar com açúcar e canela em pó (foto 6).

Passo a Passo - Rabanada da Dona Naná

Reis, Tamal, Maria e Iemanjá

Dia 07 de janeiro é o dia nacional das desmontagens dos presépios e árvores natalinas nas casas brasileiras, e também de forma já quase convencional no comércio e decorações oficiais das cidades. Na minha casa materna a responsabilidade da montagem e desmontagem era sempre do meu pai, que prolongava as decorações até o aniversário da minha mãe no dia 11 de janeiro.

O dia 7 da desmontagem tem um sentido histórico cultural, pois no dia 6 comemoramos a Folia de Reis, apesar da festa não apresentar a mesma força religiosa e comercial que temos no Natal.

Folia de Reis é uma festa de origem portuguesa, católica, relacionada às comemorações natalinas. Tudo que é português tem ligação direta com nossa identidade cultural, portanto, esta herança nos foi legada pelos nossos colonizadores, ganhando força especialmente nas pequenas cidades dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro e Goiás.

Reis Magos

Nem sempre me lembro da Folia de Reis. Na minha casa mantenho a tradição do meu pai levando as decorações natalinas até o dia 11. Este ano, porém, um e-mail da amiga Renata Rodrigues fez-me lembrar da festa. O e-mail trazia uma receita de “Rosca de Reis” do Restaurante Obá (www.obarestaurante.com.br), que de imediato provocou meus sentidos culinários por dois motivos:

  1. Sou praticamente vizinho da cozinha do Obá. Sinto seus aromas na sala do meu apartamento. Vejo da minha janela a movimentação do salão deste delicioso restaurante de aromas universais. É um lugar especial, com uma comida caseira, colorida e divertida;
  2. A receita apresenta história. Adoro receitas com histórias, mesmo que lendárias, com tradição, com identidade cultural.

História / Cultura 

Para celebrar o Dia de Reis (Epifânia – o final das festas natalinas), as famílias católicas mexicanas começam o dia 6 de janeiro comendo uma fatia da Rosca de Reis com uma xícara de chocolate quente, logo depois das crianças abrirem os seus presentes. Dentro da rosca vai escondida uma miniatura que representa o Menino Jesus. Quem receber a fatia com ele deve convidar os amigos para comer tamales no dia 2 de fevereiro, Dia da Candelária (Ref: Obá Restaurante).

Tamales

Tamal

É um tradicional prato mexicano feito a base de milho, envolvido nas folhas do próprio milho (ou bananeira), que é cozido no vapor. Podem ser recheados com carnes, queijos, frutas, legumes, pimenta ou qualquer preparação de acordo com o gosto.

Na Mesoamérica (8.000 – 5.000 aC.), Astecas, Maias, Olmecas e Toltecas já usavam o tamal como alimento para seus exércitos, para caçadores e viajantes, em função da portabilidade e proteção que o alimento fornece, devido ser embalado na folha do milho.

O tamal, em suas diversas variações e adaptações à cultura local, é também encontrado em vários países da América do Sul, América Central e Caribe, na Índia, nas Filipinas, no Nepal, dentre outros. No Brasil, temos a tradicional “pamonha”, que lembra o tamal, porém com origens diferentes.

Dia da Candelária

O Dia da Candelária é uma festa mexicana de origem cristã e enriquecida com elementos indígenas. Recorda o rito de purificação* de Nossa Senhora e a apresentação de Jesus no Templo, segundo o costume dos Judeus, como refere Lucas no seu Evangelho. Celebra-se no dia 2 de fevereiro, ou seja, 40 dias depois do Natal. 

*Purificação – Segundo os costumes judaicos, a mãe era considerada impura após o parto e deveria ser purificada numa cerimónia no Templo. Ela também devia apresentar a criança, decorridos 40 dias após o nascimento se fosse menino e 80 se fosse menina. 

Cultura é uma teia entrelaçada. O hábito de fazer e comer a Rosca de Reis no México, já empurra para outra tradição: 2 de fevereiro – Dia da Candelária. 

Festa, religião, comida, tradição, assim construímos nossa identidade cultural, que muda de acordo com a nossa formação, nossa origem. Na Bahia, na cidade do Salvador, por exemplo, dia 2 de fevereiro é dia de festa no mar, dia de Iemanjá. Existe um sincretismo entre a santa Católica Nossa Senhora dos Navegantes e a orixá da mitologia africana Iemanjá. 

”Iemanjá, rainha do mar, é também conhecida por dona Janaína, Inaê, Princesa de Aiocá e Maria, no paralelismo com a religião católica. Aiocá é o reino das terras misteriosas da felicidade e da liberdade, imagem das terras natais da África, saudades dos dias livres na floresta” – Jorge Amado 

Nossa Senhora da Luz, Nossa Senhora da Candelária, Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora da Purificação, Nossa Senhora dos Navegantes, são alguns dos títulos pelos quais a Igreja Católica venera a Virgem Maria. Maria, Iemanjá…, portanto, não importa à denominação ou a festa, na raiz cultural a essência é a mesma. Festejamos pela felicidade, pela liberdade, pela gratidão, nos deliciando de tamal, na cidade do México, pamonha, em Goiânia, abará, em Salvador… na grande celebração das nossas culturas entrelaçadas, miscigenadas. 

Rosca de Reis (Ref: Obá Restaurante)

1 – INGREDIENTES

Para a Massa 

  • 500 g de farinha de trigo
  • 10 g de sal
  • 125 g de açúcar
  • 100 g de leite em pó
  • 10 g de levedura seca
  • 2 limões
  • 1 laranja
  • 3 ovos
  • 150 ml de leite
  • 150 g de manteiga 

Para a Crosta de Açúcar 

  • 200 g de manteiga vegetal
  • 180 g de açúcar de confeiteiro
  • 180 g de farinha de trigo
  • 60 g de açúcar 

Tradição e Decoração 

  • 1 miniatura representando o Menino Jesus
  • 1 gema de ovo ligeiramente batida
  • Frutas secas: figo, uva-passa, tâmara, damasco
  • Açúcar de confeiteiro

2 – MODO DE PREPARO 

A massa 

  • Misture a farinha com o sal, o açúcar, o leite em pó e a levedura;
  • Perfume com raspas de limão e laranja;
  • Acrescente à massa os ovos e o leite e amasse;
  • Por último, incorpore a manteiga, em temperatura ambiente;
  • Amasse até obter uma massa lisa e elástica;
  • Deixe fermentar por 1 hora em ambiente fresco, coberto por um lenço. 

A Crosta de Açúcar 

  • Misture os ingredientes até obter uma massa firme;
  • Deixe repousar por 15 minutos na geladeira. 

Montagem e Finalização 

  • Abra a massa da torta e coloque um pequeno boneco de Menino Jesus em seu interior;
  • Em seguida, enrole formando um cilindro;
  • Una as pontas, formando uma rosca;
  • Deixe fermentar e crescer por 30 minutos sobre uma assadeira;
  • Abra a crosta de açúcar e corte em formato de discos, folhas e tiras finas;
  • Disponha essas formas recortadas simetricamente sobre a rosca;
  • Pincele a superfície toda com a gema de ovo e decore com pedaços das frutas secas;
  • Polvilhe açúcar de confeiteiro e leve para assar em forno pré-aquecido a 180ºC por 30 minutos.

Servir com:

Uma xícara de chocolate quente.

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