O presente das Coisas Passadas é a Memória

O presente do passado!

“O que agora me parece claro e evidente é que, tanto o futuro quanto o passado, não são. Portanto, há impropriedade quando dizemos: ‘Existem três tempos, o passado, o presente e o futuro’. Talvez fôssemos mais exatos se disséssemos: ‘Existem três tempos: o presente do passado, o presente do presente, e o presente do futuro’. Esses três modos estão em nosso espírito e não consigo vê-los em outro lugar. O presente das coisas passadas é a memória; o presente das coisas presentes é a visão direta; o presente das coisas futuras é a expectativa” (Santo Agostinho, Confissões, Livro IX).

O texto acima fazia parte da introdução de uma proposta de trabalho que recebi de uma empresa aqui em São Paulo. Acho que para definir passado, presente e futuro da forma apresentada acima, só sendo Santo, Santo Agostinho, Aurélio Agostinho, em  latim Aurelius Augustinus, (Tagaste, 13 de novembro de 354 – Hipona, 28 de agosto de 340), que foi bispo, escritor, teólogo e filósofo da igreja católica.

Como nosso principal objetivo é o resgate da memória afetiva culinária, através de receitas, cadernos de receitas, histórias, objetos e tudo mais que possa resgatar este momento único e sensorial das nossas vidas, adorei a frase “O presente das coisas passadas é a memória”. A constatação da existência de três tempos (o presente do passado, o presente do presente e o presente do futuro) diferentes dos que aprendemos na escola clássica (passado, presente, futuro), valoriza a memória afetiva, servindo de alicerce para construção do nosso presente do presente e do nosso presente do futuro. Na verdade, acredito que a vida é pautada por milionésimos segundos de presentes quase que imperceptíveis, tudo mais é passado ou futuro, porém se adotarmos o passado como um presente vivo na nossa memória, poderemos filtrar as boas lembranças, os bons momentos, as boas memórias afetivas ou as boas recordações como base da nossa existência, como receita para um presente do futuro muito melhor para nós e para os que nos cercam.

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Amendoim Cozido

Amendoim na panela, cozinhando!

Não lembro quando comi amendoim cozido pela primeira vez na minha vida, pois provavelmente tenha sido algo muito parecido como tomar água pela primeira vez ou chá de erva cidreira na mamadeira. Chazinho fresquinho, verdinho, perfumado, com a erva colhida no quintal da casa da minha mãe. Então que fique claro que amendoim cozido é comida, comida afetiva das boas, do berço da minha família baiana. Só estranho que este prazer só nos era concedido no mês de junho, época das festas juninas, onde celebramos Santo Antônio, São João e São Pedro. Acho que era produto de época. Nos dias atuais, quando não trago direto de Feira de Santana, Bahia, corro até o mercado de Pinheiros ou na Zona Cerealista, onde sempre encontro em abundância. A diferença é que em São Paulo não temos o amendoim “verde”, ainda envolvido com um pouco da sua terra de origem. Aqui encontramos o amendoim seco que pode substituir perfeitamente o “verde”.

Amendoim cozido na casca

No sul e sudeste amendoim cozido é algo estranho e pouco conhecido. Por aqui o hábito é comer torrado. Quando oferecemos amendoim cozido para um paulista, a aceitação vem sempre acompanhada da mesma pergunta: Come-se com a casca? Evidente que não! O melhor do amendoim cozido é o ritual de abrir a casquinha e levar os grãos rosados, macios e suculentos à boca, em um ritmo incontrolável, frenético, compulsivo, pois se torna impossível degustar apenas 1 ou 10 grãos. Amendoim cozido come-se até saciar nosso desejo, mesmo que às custas de algumas idas a mais ao banheiro no dia seguinte.

Amendoim cozido; grãos rosados, macios e suculentos

Esta receita deveria ser a primeira a abrir o mês de junho, em função das festas juninas, porém em homenagem a possibilidade atual de poder degustar amendoim cozido o ano inteiro, estou antecipando já em abril. E vamos comer amendoim cozido!

Receita de Amendoim Cozido

  • 1 kg de amendoim “verde” ou seco (não pode ser amendoim torrado em casca);
  • Se “verde”, lavar bem em várias águas até eliminar a terra por completo;
  • Se seco, lavar e deixar de molho em água por 8 horas, desta forma o grão será hidratado, recuperando as características do amendoim “verde”;
  • Cozinhar em fogo alto, totalmente imerso em água, com 2 ou 3 limões em cruz (além de transferir um sabor suave ao amendoim, o limão deixa a casca mais clara, com melhor aparência – reza a lenda, portanto obedeça);

Limão em cruz

  • Salgar a gosto;
  • O tempo de cozimento gira em torno de 2 horas. Pode-se usar panela de pressão, onde o tempo será bastante reduzido, porém prefiro minha velha panela de alumínio;
  • Para saber o ponto certo, experimente o amendoim (cuidado para não queimar os dedos ou a língua) a cada 15 minutos após aproximadamente 1 hora de cozimento. No ponto certo o grão deve ficar rosado, macio e suculento. Prefiro o grão mais tenro, mais durinho;
  • Retire do fogo e escorra a água totalmente;
  • Tenha calma, deixe esfriar (amendoim cozido quente provoca “dor de barriga” – reza a lenda, porém neste caso desobedeça, amendoim cozido quente, sem queimar a língua, é uma delicia);
  • Coma a qualquer hora, em qualquer ocasião, sirva em festinhas, use como entradinhas e petiscos. Irá fazer o maior sucesso.

Amendoim na panela cozinhando. Limão na superfície e colher de pau tipo escumadeira (perfeita para mexer o amendoim)

Salada Italiana da Avó de Claudia Caglioni Mahfud

Conheci a Claudia Caglioni Mahfud, catarinense de Jaraguá do Sul, no Facebook. Como costumo fazer desejei boas-vindas quando ela aceitou a Cozinha Afetiva como amiga. Em retribuição Claudia deixou uma mensagem no nosso mural.

“Obrigada! Senti-me bem-vinda no momento em que li “Cozinha Afetiva”. Também me dedico a esta arte maravilhosa de promover afetividade em torno de um fogão, transferindo o amor de meu coração às minhas mãos e, daí aos meus amores, amigos e clientes”.

Diante da declaração afetuosa acima, fiquei a vontade para solicitar uma receita de família. Gentilmente Claudia nos enviou uma receita da sua avó, Salada Italiana, a qual publicamos abaixo, na íntegra, com as observações pessoais efetuadas pela Claudia. Este é o diferencial das receitas escritas em Cadernos de Receitas. São repletas de observações pessoais, comentários e detalhes afetivos, que infelizmente são esquecidos na grande maioria das publicações editoriais. Obrigado Claudia! Quando possível nos envia a receita dos crótons.

Salada Italiana da Avó de Claudia Caglioni Mahfud

1 – INGREDINETES

  • 500 g de músculo bem cozido e desfiado
  • 01 pimentão verde picado
  • 01 pimentão vermelho picado
  • 01 cebola ralada
  • 01 maço de alfaces rasgada (eu prefiro à americana)
  • 10 tomates cerejas
  • 100 g de crótons (eu mesma faço)
  • 100 g de lascas de parmesão
  • Vinagre balsâmico, sal e pimenta a gosto
  • Muuuiiiiiiiiiito azeite de oliva

2 – MODO DE PREPARO

  • Misturar todo, agregando sabor e amor;
  • Servir afetivamente em seguida.

Página de Claudia no Facebook

O Esquenta! de Despedida

Amanhã é domingo. Acho que será mais frio, não temos o Esquenta! da Regina Casé com toda “alegoria festiva afetiva” que transformou o programa na melhor opção televisa de 2011. Melhor assim, acredito! Programas de TV, quando criados na alquimia perfeita do bom gosto, tendem a cair na vala comum em função da audiência a qualquer preço. Bom quo o Esquenta! seja um programa sazonal de verão, desta forma irá retornar em 2012 mais forte, mais saboroso e com a mesma alegria e espontaneidade de uma Casé, que certamente resgatou o que temos de melhor no modelo de programas de auditório. Alegre, devasso e debochado como Chacrinha, inteligente e bem humorado como o Jô Soares e gracinha como a Hebe Camargo, fez do Esquenta!, ou melhor, da Regina Casé, nosso melhor programa de domingo. O último Esquenta! da temporada 2011, que foi ao ar no domingo, 27/03, foi uma festa de homenagens. Abaixo reproduzimos o texto apresentado no site do programa.

Casados há mais de dez anos, Regina Casé e Estevão Ciavatta dividem não apenas a vida a dois, mas também trabalham juntos em muitos projetos, como é o caso do Esquenta!. O programa é dirigido por Estevão e a cumplicidade do casal funciona muito bem no trabalho. No Esquenta! de despedida, Regina aproveitou o dia de muitas emoções na gravação do programa e fez uma homenagem ao marido, na verdade, uma declaração de amor. Todos ficaram muito emocionados. Regina pediu ainda para Estevão cantar uma música que tem marcado a recente história do casal, a letra “Conselho”, de Almir Guineto, foi cantada em coro pela platéia e equipe do programa.

No Esquenta de despedida da temporada, quem comandou a cozinha foi a Virgínia Casé, irmã da Regina. Como já estava tudo em família, Virgínia preparou uma receita muito saborosa de picadinho com creme de milho que costumava ser feita pelo pai delas, Geraldo Casé. Para a sobremesa, preparou um pudim de pão, que é a preferida da Regina.

Virgínia Casé costumava cozinhar apenas para a família e os amigos. O sucesso das suas receitas foi crescendo e se transformou em negócio, e ela abriu uma empresa de alimentos  congelados. A comidinha caseira preparada pela Virgínia Casé tem um tempero especial. “Cozinho sempre ao som do mantra”, diz Virgínia, que já teve sua comida apreciada por grandes mestres budistas.

O programa de despedida também levou afetividade à cozinha. A receita é da família Casé, e receitas de família sempre são recheadas de emoção e afeto (o texto acima, extraído do site do programa (http://esquenta.globo.com/platb/programa/2011/03/27/virginia-case-comanda-a-cozinha-do-esquenta/), apresenta como receita o picadinho com creme de milho, porém na descrição dos ingredientes e no modo de preparo não há referência ao creme de milho. Alguém tem algo contra? Esperamos que não, pois cozinha afetiva de família é assim mesmo, deve ter uma dose forte de olho, mão e intuição).

Picadinho de Mignon – Receita do Casé 

1 – INGREDIENTES

  • 980 g de Filet Mignon limpo
  • 135 g de bacon
  • 20 ml de azeite de cozinha
  • 1 cebola inteira
  • 1 alho inteiro
  • 180 g de passas sem semente
  • 5 ml de molho inglês
  • 225 ml de vinho tinto seco
  • 5 g de mostarda amarela
  • Salsinha para enfeitar
  • Sal a gosto
  • Pimenta do reino a gosto

2 – MODO DE PREPARO

  • Picar bem a cebola e o alho;
  • Idem com o bacon (não usar o de tirinhas);
  • A carne deve ser picada em cubos de 1 cm;
  • Dourar a cebola picadinha e o alho no óleo, juntos com o bacon partido;
  • Juntar a carne, até ficar dourada;
  • Acrescentar somente depois de dourada, o sal, a pimenta, a mostarda e o molho inglês;
  • Tampar e deixar criar um pouco de caldo;
  • Assim que esse caldo iniciar uma pequena fervura, juntar o vinho e mexer de tempo em tempo (se precisar de mais caldo acrescentar água aos poucos);
  • Assim que começar a ferver, juntar as passas (não são embebidas previamente).

Pudim de Pão do Casé com Calda de Bourbon

1 – INGREDIENTES

Do Pudim de Pão

  • 380 g de pão de rabanada
  • 5 gemas de ovos
  • 135 g de manteiga sem sal
  • 270 g de açúcar
  • 5 ml de baunilha
  • 810 ml de leite
  • 135 g de passas sem sementes
  • 790 g de maçã do tipo Fuji
  • 135 g de açúcar para a calda
  • 160 ml de água para a calda

Da Calda de Bourbon

  • 155 g de açúcar
  • 1 caixa de creme de leite
  • 50 g de manteiga sem sal
  • 1 gema de ovo
  • 60 ml de whisky Jack Daniel´s

2 – MODO DE PREPARO

Do Pudim de Pão

  • Bater a manteiga com açúcar e gemas até ficar clara;
  • Acrescentar a baunilha;
  • Depois juntar o pão amassado no leite;
  • Untar o tabuleiro com manteiga;
  • Começar as camadas com a maçã já dourada na calda de caramelo;
  • Montar o pudim em camadas sendo a última também com maçãs;
  • Levar ao forno pré-aquecido, em banho maria.

Da Calda de Bourbon

  • Derreter a manteiga;
  • Juntar o açúcar e mexer por um tempo;
  • Em paralelo, com garfo, bater bem o ovo, misturando bem à clara e a gema;
  • Juntar esse ovo na panela com a manteiga e o açúcar;
  • Mexer bem para dissolver o açúcar com o ovo;
  • Tirar do fogo e acrescentar o creme de leite, mexendo sempre;
  • Derramar o Jack e continuar mexendo até que fique um creme homogêneo;
  • Se restar resíduos do açúcar que não dissolveu, peneirar para conseguir uma consistência lisa e cremosa;
  • Voltar ao fogo por um breve instante, já com todos os ingredientes.

O Caderno de Receitas da Dona Luciene

Caderno de Receitas - 1985

Fátima Falcão faz parte de uma das épocas deliciosas da minha vida, vida de estudante, de moradia coletiva, vida sem a preocupante consciência das responsabilidades de uma vida futura mais adulta.

Conheci Fá em 1980/1981, amiga de alguns amigos estudantes de Biologia na UFBA (Universidade Federal da Bahia). De lá para os dias atuais, e para os dias futuros, estaríamos ligados através de vários laços afetivos. Fá conheceu Zeinho, nasceu Nanda, minha afilhada querida, nasceu Théo, mudei de Salvador para São Paulo, e entre idas e vindas, sempre estamos nos encontrando, talvez, não na frequência desejada, mas na medida das nossas possibilidades.

Em 1885, Fá recebeu da sua mãe, Dona Luciene, um presente único, que 26 anos depois ainda frequenta a cozinha da casa; um Caderno de Receitas, com receitas da família Falcão, receitas simples, receitas elaboradas, receitas que deveriam também construir e pautar a nova família em formação, a família de Fá e Zeinho. Dona Luciene escreveu a punho em caderno escolar de linhas azuis, descreveu com carinho, afeto e precisão os modos de preparo e ilustrou as páginas com fotos de revistas da época.

Caderno de Receita

Cadernos de Receitas são (ou eram? boa discussão para um post futuro) os grandes guardiões das receitas de família, guardiões das memórias culinárias das nossas cozinhas. É um grande prazer abrir uma nova categoria no nosso blog (“Cadernos de Receitas Afetivas”*), com o Caderno de Receitas da Dona Luciene, presente para a filha Fátima em 1985, presente ainda hoje na cozinha da família Falcão. 

Caderno de Receitas

Rocambole do Caderno de Receitas (1985)

1 – INGREDIENTES

  • 1/2 kg de batata
  • 5 colheres de sopa de farinha de trigo
  • 5 ovos
  • 5 colheres de sopa de queijo ralado
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 1 xícara de leite de vaca
  • Sal a gosto

Receita do Rocambole

2 – MODO DE PREPARO

  • Cozinhe as batatas, passe na peneira ou espremedor;
  • Acrescente os ovos bem batidos, o queijo, o leite, a farinha de trigo e a manteiga. Ajuste o sal;
  • Amasse tudo e espalhe numa assadeira, já untada com manteiga e farinha de trigo;
  • Asse até corar levemente;
  • Deixe esfriar e desenforme o Rocambole assado sobre um pano de prato;
  • Acrescente o recheio sobre o Rocambole e enrole delicadamente com a ajuda do pano de prato e com cuidado para não quebrar.

3 – RECHEIO

  • Galinha desfiada ou carne moída com ervilhas, camarão ou bacalhau. “Jogue um gostoso molho de tomates” sobre o Rocambole.

4 – OBSERVAÇÃO

  • Na Bahia, rocambole de batatas é um prato complementar do almoço ou um prato único no café da noite (jantar). As receitas mais caseiras, descritas em antigos “Cadernos de Receitas”, não traziam o modo de preparo do recheio. Recheios são de domínio geral, a gosto da afetiva dona da cozinha. Pode ser de sobras do almoço ou elaborado com o que esta disponível no armário (salsicha, sardinha, camarão seco, verduras). O recheio mais elaborado (carne moída com ervilha, ovos e azeitona, bacalhau, frango desfiado, camarão) era usado para dias de festas e refeições especiais.
  • Na receita também temos uma recomendação de jogar um “gostoso molho de tomates” sobre o Rocambole. Temos certeza, que na visão da Afetiva Mãe que elaborou o caderno, molho de tomate é muito trivial, simples de fazer e não deveria ocupar espaço no caderno.

Pio IX do Caderno de Receitas (1985)

1 – INGREDIENTES

  • 6 ovos
  • 6 colheres de sopa de açúcar
  • 6 colheres de sopa rasas de farinha e trigo
  • Baunilha
  • Sal – 1 pitada

Receita do Pio IX

2 – MODO DE PREPARO

  • Bata as claras em neve, em seguida, acrescente as gemas;
  • Acrescente as 6 colheres de açúcar e bata bem até misturar por completo o açúcar;
  • Em seguida, acrescente as 6 colheres de farinha de trigo e um pouco de fermento e baunilha, tudo peneirado, misturando sem bater;
  • Adicione a massa em uma assadeira já untada com manteiga e farinha de trigo;
  • Asse até corar levemente;
  • Deixe esfriar e desenforme o Pio IX assado sobre um pano de prato;
  • Acrescente o recheio sobre o Pio IX e enrole delicadamente com a ajuda do pano de prato e com cuidado para não quebrar.

3 – RECHEIO

  • 1 lata de leite condensado e 2 colheres de sopa bem cheias de Nescau (levar ao fogo para dar ponto) ou goiabada machucada.

4 – OBSERVAÇÃO

  • Na lista de ingredientes não consta fermento, porém na descrição do modo de preparo o fermento aparece, devendo ser misturado à farinha e peneirado. A quantidade do fermento, como na maioria das receitas afetivas de mãe, não é declarada. Se você tem raiz na Cozinha Afetiva, vai saber exatamente o que significa “um pouco de fermento”, considerando que esta receita leva 6 colheres de sopas rasas de farinha de trigo. Também deverá saber o que representa “colheres rasas” e “um pouco de baunilha”. Esta é a verdadeira Cozinha Afetiva, feita com sabedoria e medida a mão e a olho.

*Para Dona Luciene in memórian!

Casa Materna

Sabores e Cheiros da Casa Materna

A VIDA SERIA MUITO MAIS AGRADÁVEL SE UMA PESSOAS PUDESSE LEVAR AONDE QUER QUE FOSSE OS SABORES E CHEIROS DA CASA MATERNA (Como Água para Chocolate – Laura Esquivel).

Frigideira de Maturi. Esquenta!

Frigideira de Maturi. Esquenta!

O almoço do Esquenta!, do dia 20/03, foi de dar água na boca e tipicamente de domingão, especialmente domingão baiano. Moqueca de camarão, farofa de dendê e frigideira de maturi*. Rodrigo Veloso, irmão de Maria Bethânia, Secretario de Turismo de Santo Amaro da Purificação (BA) e que carrega no DNA a afetividade da cozinha da Dona Canô, marcou presença com a frigideira de maturi, a castanha verde do caju. Neide e a irmã Ana Célia ficaram responsáveis pela moqueca de camarão e a farofa de dendê.

Nelson Sargento, a Velha Guarda da Mangueira e a iluminada presença de Maria Bethânia, fizeram do Esquenta! deste domingo, um dos melhores programas da temporada. Pegou fogo, esquentou geral. Bethânia estava em casa e conversou como se estivesse no sofá da Dona Canô em Santo Amaro da Purificação. Para fechar, impossível não comentar o figurino verde e rosa de Regina Casé, especial em homenagem a Mangueira e em linha com a proposta do programa. Tudo 10!

Frigideira de Maturi do Esquenta!

1 – INGREDIENTES

  • 500 g de maturi
  • 1 tomate grande
  • 1 pimentão médio (verde ou vermelho)
  • 1 cebola grande
  • 1 molho de coentro
  • 1 colher de sopa de amido de milho
  • 200 ml de leite de coco (1 garrafinha)
  • 3 colheres de sopa de azeite de oliva
  • 6 ovos
  • Sal a gosto

*Maturi – É a castanha mole do caju verde, que nasce antes da parte que contém a polpa. Largamente usada em pratos da culinária nordestina. Muqueca de Maturi tem referências como afrodisíaco, na cultura popular do Nordeste.

2 – MODO DE PREPARO

  • Pique o maturi e todos os temperos. Em uma frigideira, refogue todos os ingredientes picados no leite de coco e no azeite e deixe cozinhar até secar. Coloque o refogado em uma assadeira;
  • Bata os ovos, claras em neve depois acrescente as gemas e uma colher de sopa de amido de milho;
  • Untar uma assadeira com azeite de oliva e adicionar 6 colheres das claras em neve, já com as gemas, espalhando bem;
  • Adicione o refogado de maturi e depois coloque o resto dos ovos batidos sobre a assadeira, cobrindo o prato.
  • Leve ao forno até dourar durante 20 minutos, em temperatura alta.

Moqueca de Camarão do Esquenta!

 1 – INGREDIENTES

  • 350 g de camarão fresco descascado
  • 1 tomate picado
  • 1 cebola picada
  • 2 colheres de coentro
  • 200 ml de leite de coco (1 garrafinha)
  • Suco de 1 limão
  • Sal a gosto
  • 2 colheres de sopa de azeite de dendê (aumente a quantidade se achar necessário)
  • 5 colheres de azeite de oliva

2 – MODO DE PREPARO

  • Em uma frigideira (de preferência de barro), coloque o tomate, a cebola, 1 colher de coentro e 3 colheres de azeite de oliva e deixe cozinhar por 15 minutos até dissolver;
  • Tempere o camarão no sal e no limão;
  • Acrescente o camarão, o azeite de dendê e o leite de coco e deixe por aproximadamente 5 minutos;
  • Coloque 1 colher de coentro e 2 colheres de azeite de oliva;
  • A moqueca deve ser servida com farofa de dendê e arroz branco.

Farofa de Dendê do Esquenta!

1 – INGREDIENTES

  • 1 cebola média picada
  • 7 colheres de sopa de azeite de dendê
  • 200 g de farinha de mandioca
  • Sal

2 – MODO DE PREPARO

  • Coloque na frigideira a cebola, o sal e o dendê. Deixe dourar por sete minutos. Quando a cebola já estiver dourada, acrescente a farinha e mexa durante 1 minuto.

Pedro Sakamoto, Pedro Escumadeira

Conheci o Pedro Sakamoto no meu primeiro dia de aula, na Escola Estadual Coração de Jesus, em São Paulo. Tínhamos 10 anos de idade, e tudo parecia novidade naquele universo diferente da minha realidade, pois acabara de chegar do interior do estado. Pedro, um garotinho branquinho, de pouco mais de um metro, cabelo preto escorrido e olhos de mangá, era conhecido como Pedro Escumadeira, e isto me intrigou.

Durante o meu primeiro mês na nova escola, fui observando mais detalhadamente o Pedro, garoto tímido, com uma cabeça redonda e desproporcional para seu franzino corpo. Filho de mãe japonesa com pai nascido no Piauí, o garoto tinha bochechas sem cor e com pequenos furinhos provenientes de espinhas precoces, de uma adolescência previamente anunciada. Entretanto, o que mais chamava minha atenção no Pedro Sakamoto, ou Pedro Escumadeira, era sua forma de falar. O Pedro espumava pelos cantos da boca quando falava, e isto me causava certo nojo, impedindo que eu me aproximasse deste diferente garoto, que trazia arquitetônicos bolinhos de arroz na lancheira. Este hábito, inclusive, o tornava ainda mais diferente da homogênea turma.

Quase ao final do ano, e ainda com o mesmo sentimento em relação ao Pedro, entendi o sentido do apelido Escumadeira ao presenciar minha mãe cozinhando. Na cozinha da minha casa a escumadeira, objeto circular côncavo, de aluminio, cabo de madeira e com furinhos, era um utensilio de uso diário que fui apresentado em uma manhã de domingo, quando minha mãe berrou para minha irmã mais velha: “Dalva, pega a escumadeira ai no armário e tira o excesso de espuma do arroz antes que derrame da panela”.

*Texto produzido a partir das aulas da oficina de “Comida & Literatura” – São Paulo / fevereiro, 2011  (www.oficinadeescritacriativa.com.br)

O Casamento de Genaro e Mei Li

O texto* abaixo, uma ficção afetiva culinária, apresenta o cardápio da festa de casamento de Genaro Steiner (filho de uma mamma italiana e neto de rabino israelense) e de Mei Li de Oliveira (filha de uma chinesa de Hong Kong e um descendente de portugueses).

Quando meus amigos Genaro, paulistano filho de mãe italiana e neto de rabino israelense, e Mei Li, pernambucana filha de mãe chinesa com descendência portuguesa, formalizaram a data do casamento, confesso, com culpa de baiano guloso e fissurado na cozinha afetiva do mundo, que só pensei na farra culinária que seria a festa. Na verdade, fiquei sonhando com a tal celebração das etnias, religiões e sabores deste casamento. Qual seria a carta das bebidas e o cardápio das entradas, pratos principais e sobremesas? Como seria a harmonização da diversidade dos sabores salgado, doce, amargo, ácido e umami destas cozinhas de personalidades fortes e marcantes?

Enfim chegou o grande dia da minha mundial farra culinária, e logo após a cerimonia partir para o ataque, sem miséria. Bebidas, todas da Itália, iniciando com um verdadeiro espumante de Asti, gelado, docinho na medida certa, que deslizou como uma pura seda chinesa pela minha boca ávida pelas entradinhas da mãe da Mei Li. Impossível traduzir a delicadeza das misturas e das texturas, associadas aos sabores agridoce do molho dos rolinhos de pitu e primavera, ao picante tofu ou ao frescor dos pepinos e brotos de bambus envolvidos por umamis sabores da China. Pausa para uns goles de um branco de Orivetto, que harmonizou com o frango assado com ervas e mel, do tradicional receituário judaico, contrapondo com o azedinho do bazargan, trigo temperado com limão, extrato de tamarindo e snubar. Já quase sem sentidos, lambuzei-me sem vergonha nos fios de ovos, filhós e pastéis de Belém, orgulho das doceiras de Portugal, aos goles do azedinho, doce e gelado Limoncello, e finalizando, claro, com o amargo e refrescante Chinotto, delicioso digestivo italiano.

No grande final, café e o legitimo bolo de noiva do Recife, representantes da cozinha do Brasil, país de origem do Genaro e da Mei, que fecharam com talheres de ouro esta celebração da cozinha universal.

*Texto produzido a partir das aulas da oficina de “Comida & Literatura” – São Paulo / fevereiro, 2011  (www.oficinadeescritacriativa.com.br)

Lasanha de Abobrinha do Esquenta!

Depois de uma feijoada light e da salada de quinoa já estava na hora da cozinha do Esquenta! voltar a esquentar e trazer nossas comidas afetivas de domingo. Ficou por conta da Dona Heloisa, tia de Taís Araújo, ensinar a preparar uma deliciosa lasanha* de abobrinha, no Esquenta! de 12/03. E para esquentar o programa, Regina Casé trouxe um elenco feminino de primeira: Elza Soares, Juliana Paes, Tais de Araújo e Marina Silva.

Lasanha de Abobrinha do Esquenta!

1 – INGREDIENTES

Lasanha

  • 1 pacote de massa para lasanha
  • 3 abobrinhas cortas ao comprido
  • 300g de queijo mussarela
  • 1 bisnaga de requeijão culinário

Molho branco

  • 2 cebolas picadas
  • 4 dentes de alho picados
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • 3 colheres de sopa de farinha de trigo
  • ½ litro de leite
  • 2 caixas de creme de leite
  • Ervas finas à vontade
  • 1 tablete de caldo de legumes
  • Salsinha e cebolinha à vontade
  • 1 bisnaga de requeijão culinário

2 – MODO DE PREPARO

Molho Branco

  • Coloque em uma panela a manteiga, depois a cebola, o alho e a farinha de trigo;
  • Misture tudo e depois adicione o leite aos poucos até o molho ficar homogêneo;
  • Acrescente o caldo de legumes, as ervas finas, salsinha, cebolinha e meia bisnaga do requeijão culinário.

Preparo do Prato

  • Cozinhe a massa para lasanha;
  • Coloque as abobrinhas cortadas em água fervente com sal durante 3 minutos;
  • Em um recipiente, coloque um pouco do molho branco, uma camada da massa, a abobrinha, o queijo, outra camada da abobrinha, outra da massa, outra do queijo e vá repetindo o procedimento até chegar ao topo do tabuleiro. A última camada deve ser de queijo. Depois da lasanha montada, salpique com queijo ralado e leve ao forno. Deixe até derreter o queijo.

*Origem da Lasanha

Lasanha de Abobrinha

A palavra lasanha provém da grega “lasanon” que significa pote de quarto. O termo foi depois emprestado pelos romanos como “lasanum” para significar pote de cozinhar. Os italianos usaram a palavra para definir o prato onde, hoje se sabe, era feita a Lasanha. Apesar de tradicionalmente se acreditar que a lasanha é um prato tipicamente originado na Itália, tem-se evidências de que há um prato muito similar conhecido como “loseyns” (lê-se lasan), comido na corte de Rei Ricardo II no século XIV. Esta receita também figurou no primeiro livro de receitas da Inglaterra. A lasanha foi primeiro documentada no século XIII, quando foi usado num prato às camadas, esta versão mais antiga não incluia tomate, pois este ainda não tinha sido descoberto pelos Europeus (wikipedia.com.br).

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