Feliz Natal 2011, Felicidade Sempre!

Feliz Natal 2011, Felicidade Sempre!

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Peru Natalino da Avó de Suze

O mais interessante desta história culinária natalina é como Suze – advogada, uma amiga de São Paulo – descobriu a receita do Peru de Natal da sua avó.

Estava na casa de uma amiga, convidada para ceia de Natal, saboreando este delicioso peru. Encantada com a maciez, a textura e o sabor do elaborado prato, Suze, então, perguntou sobre a receita. Que receita deliciosa! De quem é? Da sua avó Suze, respondeu sua amiga.

Bem, felizes somos nós que iremos compartilhar esta receita afetiva e simples de um delicioso Peru Natalino. Que bom que a receita saiu da oralidade, foi resgatada e registrada.

O Peru segue a tradição da família da Suze, que tem uma afinidade especial por pratos marinados. Tenho algumas receitas a serem publicadas fornecidas por ela, além de um caderno de receitas da sua mãe. A costelinha de porco, por exemplo, é algo dos Deuses, jamais comi igual. Hoje, porém, é dia de Peru, e como toda receita oral, precisamos colocar nossa herança culinária pessoal na hora do preparo, pois estas avós e mães afetivas adoram medidas do tipo “bastante”, “ou mais”, “um pouco”, “a gosto”. Paciência, pois esta linguagem faz parte integral das Cozinhas Afetivas, e se não fosse assim não seriam afetivas. 

Peru Natalino da Avó de Suze

Peru de Natal da Avó de Suze – O PERU

1 – INGREDIENTES

  • 1 Peru grande, limpo e sem miúdos (reservar os miúdos para a farofa);
  • 2 xícaras de chá (ou mais) de vinho branco (bastante)
  • Bastante cheiro verde bem picado
  • Bastante cebola bem picada
  • 1 xícara de chá de água
  • Vinagre
  • Óleo
  • Limão
  • Sal
  • Pimenta Vermelha

2 – MODO DE PREPARO

  • Misture todos os ingredientes e envolva o Peru completamente;
  • Deixar marinar, na geladeira, por dois dias (48 horas), virando várias vezes o Peru (cubra com papel alumínio);
  • Untar o Peru, por fora e por dentro, com manteiga ou margarina;
  • Assar coberto com papel alumínio;
  • Retirar o papel alumínio no final para deixar o Peru mais corado (dourado).

Peru de Natal da Avó de Suze – A FAROFA DOCE

1 – INGREDIENTES (Quantidades? Ao nosso gosto) 

  • Presento picadinho
  • Pão que ficou de molho no leite
  • Miúdos do Peru cozidos e desfiados
  • Ameixa
  • Uva Passa
  • Farinha de mandioca fina
  • Molho do Peru retirado da assadeira

2 – MODO DE PREPARO

  • Misture todos os ingredientes, exceto a farinha de mandioca;
  • Leva ao fogo, por alguns minutos;
  • Deixe esfriar uma pouco e adicione a farinha de mandioca;
  • A farofa deve ficar molhadinha.

 

Mensagem Culinária Afetiva de Final de Ano da Ana

A mensagem reproduzida abaixo (na íntegra, sem cortes ou edição, com observações e dicas) foi recebida por Ed, amiga lá de Salvador da Bahia. Foi enviada por Ana, comadre da Ed, para suas amigas. Vejam: para suas amigas, coisa de comadre.  

São duas receitas de famílias, receitas de afeto, precedidas por um delicado e saboroso texto.

Através de duas receitas, a comadre Ana resgata o que temos de mais nobre nas comemorações de final ano; as relações de afeto e carinho. E como a vida é recheada (ou deveria ser recheada) de equilíbrios, Ana teve o cuidado (movida provavelmente pala sua sabedoria culinária herdada da Mãe Carol) de equilibrar sua mensagem de final de ano com uma receita salgada (Torta de Bacalhau da Vó Carol) e uma doce receita (Torta Gelada Glades). 

Queridas amigas,  

Pensei numa mensagem de final de ano para enviar a vocês, mas acho que já recebemos todas mais lindas que existem. 

Então, como sabem que sou “amante” da boa comida, resolvi mandar-lhes duas receitinhas bem saborosas que poderão até entrar no “Menu” das festas Natalinas. 

E o que desejo a todas vocês é isso: a família e os bons amigos reunidos em volta de uma “boa mesa”, com SAÚDE, num clima de PAZ e HARMONIA e que o ano de 2012 seja “saboroso” e “doce”, com os ingredientes certos, “na medida”, como uma receita bem elaborada. E muita, muita PROTEÇÃO para que possam seguir em frente, sempre, com FÉ e ALEGRIA. 

O importante é estarmos com as pessoas que amamos e lembrarmos sempre de cuidarmos uns dos outros.

 A 1ª receita é um prato bem prático, completo, de bacalhau, criado e testado por nossa querida Carol.  

TORTA DE BACALHAU DE VÓ CAROL 

1ª camada - 01 xicara de chá de arroz. 

2ª camada - 500 gramas de bacalhau dessalgado e desfiado. 

Mais (para a 1ª e 2ª camadas): leite de 01 coco grande, azeite doce, 02 cebolas grandes, 04 dentes de alho, 03 tomates picados, cheiro verde, cebolinha verde picada, 02 ovos cozidos duros picados, azeitonas verdes picadas, azeitonas pretas. 

Opcional: um pimentão verde, um vermelho e um amarelo picados. 

3ª camada - 600 gramas de batatas cozidas e espremidas. 

Mais: um copo de leite, 02 ovos inteiros, sal, 01 colher de sopa de margarina, 02 colheres de sopa de farinha de trigo, 01 colher de sopa de fermento em pó, 100 gramas de queijo ralado, 01 ovo para pincelar. 

Modo de fazer: 

Cozinhe o arroz normalmente, com pouco sal. 

Faça um molho refogado no azeite doce, bem gostoso, com os ingredientes da 2ª camada (exceto o bacalhau e as azeitonas), como se preparasse um molho para moqueca. Retire uma xícara deste molho e junte ao arroz cozido, acrescente ½ xicara de leite de coco, leve ao fogo e  deixe secar. Coloque no fundo de um pirex ou refratário. 

Coloque o bacalhau já desfiado e previamente aferventado no restante do molho, junte as azeitonas verdes picadas e 01 xicara de leite de coco. Deixe refogar um pouco, experimente o ponto do sal, se precisar, acrescente um pouco de água (ou caldo de legumes, peixe ou camarão, tipo Knorr). Deixe secar, ponha em cima do arroz e cubra com os ovos cozidos picados. Reserve. 

Faça a massa da batata juntando todos os ingredientes. Misture bem, experimente o sal e ponha em cima do bacalhau. Pincele com o ovo batido, polvilhe um pouco do queijo ralado e leve ao forno por uns 20 min até dourar. Ao retirar, regue com azeite doce e enfeite com azeitonas pretas.  

A 2ª receita é uma sobremesa deliciosa, muito prática, que uma amiga me passou, no tempo em que morei no Stiep (a irmã de Alice Portugal).  

TORTA GELADA GLADES  

INGREDIENTES: 

- 01 LATA DE LEITE CONDENSADO; 

- 01 LATA DE CREME DE LEITE; 

- 04 GEMAS SEM A PELE; 

- 04 CLARAS EM NEVE; 

- 1 XICARA E 1/2 DE CHOCOLATE EM PÓ (TIPO Garoto); 

- 300 GRAMAS DE BISCOITO MARIA, ESMIGALHADO OU TRITURADO (não é em pó); 

- 200 GRAMAS DE MANTEIGA; 

- 50 GRAMAS DE UVA PASSA; 

- 200 GRAMAS DE NOZES PICADAS OU OUTRO CROCANTE (pé de moleque triturado, ou amêndoas); 

- 01 BARRA DE 200 GRAMAS DE CHOCOLATE MEIO AMRAGO;  

- CEREJAS, AMEIXAS OU OUTRAS COISAS (OPCIONAL) PARA ENFEITAR. 

- OPCIONAL: UMA COLHER DE CHÁ DE ESSÊNCIA DE BAUNILHA.  

MODO DE FAZER: 

Bata as gemas sem a pele com a manteiga até ficar um creme claro. Misture a lata de leite condensado aos poucos e continue batendo. Acrescente o chocolate em pó peneirado.  Acrescente a baunilha, se desejar. Continue batendo até ficar cremoso. Desligue a batedeira. Acrescente o biscoito triturado, misture com uma colher de pau. Acrescente as passas, o crocante e as claras em neve, esta última misturando “delicadamente”.  

Coloque em uma forma refratária ou numa forma de fundo falso (melhor), untada com manteiga. Leve ao congelador ou freezer por umas 04 horas. 

Faça a cobertura: derreta a barra de chocolate em banho Maria e misture o creme de leite, gelado, sem o soro. 

Cubra a torta, já desenformada, ou no refratário, e enfeite a gosto (chocolate em raspas, cerejas, ameixas, suspiros ou chantilly). 

É uma delícia. Não vai ao forno e pode ser usada até como torta de aniversário. Conserve na geladeira até servir, não no congelador. 

Beijos, beijos. 

Felizes Festas e Férias para todas! 

Aninha

Swedish Cakes and Cookies

O presente da Mia

Um livro de bolos e biscoitos caseiros da Suécia, escrito logo após a II Guerra Mundial, em 1945. Swedish Cakes and Cookies (Bolos e Biscoitos Suecos – www.icabokforlag.se), edição 2010, apresenta 300 receitas tradicionais da culinária doceira sueca. O livro já teve outras edições em 1965, 1975 e 1985.

Claro que não entendo uma palavra em sueco. Minha versão é inglesa, acabei de recebê-la, via correio, de uma querida amiga sueca, Mia, que já tive o prazer de publicar uma receita dela no nosso blog – Bolo de Cenoura com Glacê de Cream Cheese.

 (http://www.cozinhaafetiva.com.br/index.php/2011/09/04/bolo-de-cenoura-com-glace-de-cream-cheese-da-mia/).

Natal é assim mesmo, serve, além do prazer culinário das ceias, para nos aproximar, encurtando distâncias, e Mia conseguiu encurtar uma grande distância geográfica (Suécia – Brasil) com seu presente culinário, com seu afetivo presente de cozinha. Amigos queridos, amigos afetuosos que nos mimam com seus grandes gestos de afetos.

Mia querida, obrigado! Um dia irei ai, e faremos juntos o Cinnamon Cake da página 68.

Terapeutas na Cozinha

Terapeutas na Cozinha

Em 2008, fui convidada por Silvia Securato para participar do primeiro volume de Segredos de Cozinha. A ideia me agradou e, de imediato, vislumbrei a oportunidade de homenagear minha mãe, que costumava demonstrar seu carinho e afeto por meio da cozinha”.

O parágrafo acima é parte da apresentação do livro Terapeutas na Cozinha (Oficina do Livro Editora – 1ª Edição – 2011), lançado na última 3ª feira, 13/12, na Livraria da Vila do Shopping Cidade Jardins. Quem escreve é a Doutora em Psicologia Ceneide Cerveny, responsável pela organização do livro, que reuniu 46 terapeutas em uma grande terapia afetiva culinária.

Reunir pessoas para escrever receitas é algo comum nas publicações culinárias, porém, reunir terapeutas provenientes dos seus consultórios com divãs, e levá-los para cozinhas com fogões é algo muito diferente, muito especial. O livro foge da simples publicação de uma receita, transformando-se em registros de receitas de família. Receitas guardadas na oralidade de mães, pais, tias, avós e avos, com deliciosas histórias afetivas.

Terapeutas na Cozinha é um livro de cozinha afetiva com histórias de muito afeto.

 A seguir uma breve degustação de frases afetuosas das belas histórias que precedem cada receita.

  • “Este doce é tão forte que levanta até defunto!” – Doce de Coco (Blenda Marcelleti de Oliveira – página 39);
  • “Foi servida uma torta maravilhosa, roxinha que é minha cor preferida, que me enfeitiçou”. – Torta de Uva Presa (Ceneide Cerveny – página 41);
  • “A casa onde fui criada estava sempre tomada por aromas inebriantes que vinham da cozinha de minha mãe, o que me faz acreditar que meu pai, foi preso pelo estômago”. – Arroz Marroquino (Claudia Medici Dualibi – página 45);
  • “Para mim, ficou uma lembrança literalmente doce desses momentos”. – Pavê de Biscoito Champagne (Graziella Jones C. Mofarrej – página 71);
  • “Esta receita que escolhi, tem a ver com a minha memória afetiva da cozinha de minha mãe”. – Lazanha de Abobrinha (Jair Lourenço Sila – página 79);
  • “Hoje, me sinto feliz e honrada em poder divulgar a receita desse doce que tantas lembranças me trazem, de meu pai e de minha história”. – Leda Fleury – página 93);
  • “Não existe lugar mais terapêutico do que a cozinha”. – Pasta Insight Al Salmone Affumicato (Marcia L. Viscomi Hazarabedian – página 97);
  • “Esta receita resgata minhas lembranças de muitas Páscoas…”. – Bacalhau da Neta (Maria Irene dos Santos Zerbini – página 111);
  • “O Bife afetivo… intergeracional, levanta as memórias: do tipo de linguagem que a família usa, conversas, formas de se fazer, relacionamentos, estilos relacionais e cultura”. – Bife Afetivo (Wanda Rogéria Campos Lima Assis – página 152).

Ceneide Cerveny (Organizadora e Coautora) e Jair Lourenço (Coautor) no lançamento de Terapeutas na Cozinha

Sopa de Coentro (Receita de Rubem Alves)

Sopa de coentro? Penso em algumas pessoas do Sul e Sudeste do Brasil diante deste prato quente, literalmente uma “batata quente”, como falamos no dito popular. Mas o Rubem Alves, nosso poeta mais culinário, nos ensina esta deliciosa receita, se não apreciada com voracidade aqui nas bandas do Sul/Sudeste, com certeza um “prato cheio” para outros gostos nacionais, que usam o coentro em tudo, gente do nordeste, gente da Bahia, do Ceará, por exemplo. Bom apetite!

Do site http://www.rubemalves.com.br

Qual é o lugar mais importante da sua casa? Eu acho que essa é uma boa pergunta para início de uma sessão de psicanálise. Porque quando a gente revela qual é o lugar mais importante da casa, a gente revela também o lugar preferido da alma. Nas Minas Gerais onde nasci o lugar mais importante era a cozinha. Não era o mais chique e nem o mais arrumado. Lugar chique e arrumado era a sala de visitas, com bibelôs, retratos ovais nas paredes, espelhos e tapetes no chão. Na sala de visitas as crianças se comportavam bem, era só sorrisos e todos usavam máscaras. Na cozinha era diferente: a gente era a gente mesmo, fogo, fome e alegria.

Do Correio Popular, Caderno C, 19/03/2000

Sinto-me feliz cozinhando. Não sou cozinheiro. Preparo pratos simples. Gosto de inventar. O que mais gosto de fazer são as sopas. Vaca atolada, sopa de fubá, sopa de abóbora com maracujá, sopa de berinjela, sopa de mandioquinha com manga, sopa de coentro… Você já ouviu falar em sopa de coentro? É sopa de portugueses pobres, deliciosa, com muito azeite e pão torrado. A sopa desce quente e, chegando no estômago, confirma… A culinária leva a gente bem próximo das feiticeiras. Como a Babette (A festa de Babette) e a Tita (Como Água para Chocolate).

Sopa de Coentro

Coentro

Ingredientes & Modo de Preparo

  • Faça um caldo normal de sopa, com cebola, alho, caldo de carne, tomate;
  • Depois que o caldo estiver fervendo, ponha dentro um maço de coentro;
  • Deixe ferver por uns 10 minutos;
  • Retire o maço de coentro (pode jogar fora) e bata o caldo no liquidificador.

Para Servir:

  • Cada pessoa forra o seu prato com torradas (os portugueses pobres usavam pão velho);
  • Em cima das torradas, queijo parmesão;
  • Sobre o queijo, azeite de oliva;
  • Aí você derrama o caldo fervente sobre o pão;
  • É uma delícia. Mais fácil de fazer não existe. Até quem não gosta de coentro fica gostando…

A Polenta Pasticciata da Família da Marilu

Um dia, não lembro quando, abri meu outlook e fui surpreendido com um e-mail da Marilu (a irmã gêmea da Marili, amigas queridas da mais pura descendência italiana), onde apresentava um power point com passo-a-passo de uma receita da sua família – Polenta Pasticciata das Famílias Franco e Benedetti.

Receitas de família, em geral, são provenientes de aprendizado oral, passadas de geração a geração. Incrível a postura da Lu em dividir com seus amigos este prato familiar, em formato de apresentação, com detalhes da receita, passo-a-passo e fotos da farra familiar durante o preparo.

A Polenta Pasticcinata é recheada com generosas camadas de molho de carnes bovina e suína e coberta com queijo ralado.

As 7 telas abaixo falam mais do que qualquer texto, onde o registro eterniza e compartilha esta afetiva receita das famílias Franco e Benedetti. 

1 - A Homenagem

2 - A Receita

3 - O Preparo

4 - O Preparo

5 - O Preparo

6 - Polenta Pasticciata

 Polenta

O milho chegou à Europa na última década do século XV, levado pelos galeões das expedições de Cristóvão Colombo, causando impacto, sobretudo, na dieta do norte da Itália, onde a polenta se tornou prato importante. A polenta é uma versão moderna do pulmentum, que constituía, na Antiguidade, alimento básico dos que não tinham acesso a uma dieta mais rica, feita ao longo dos tempos com diferentes cereais e, às vezes, com farinha de grão-de-bico (Ariovaldo Franco – De Caçador a Gourmet – Editira SENAC – São Paulo).

7 - As Famílias Franco e Benedetti e sua Polenta Pasticciata

    

“Notas de Canapé”

Na 1ª página do prefácio de Variações Sobre o Prazer (Editora Planeta – 2011), o pedagogo, poeta, contador de estórias, ensaísta, teólogo, acadêmico, autor de livros e psicanalista Rubem Alves declara:

Neste livro não haverá notas de rodapé. Rodapé é coisa que fica por baixo, na altura do pé, e é incômodo ficar olhando o tempo todo para baixo. Assim, como estou escrevendo este livro sob uma inspiração culinária e gastronômica, incluirei, no meio do texto, “notas de canapé”, coisas pequenas e saborosas, algumas doces, outras apimentadas, que abrem o apetite, e que são servidos no meio da festa. Se você não quiser provar o canapé, pode declinar o convite e continuar a leitura.

Vamos ler para entender as variações sobre o prazer envolvendo Santo Agostinho, Nietzsche, Marx e Babette, conforme declara o autor. Quanto aos canapés todos serão degustados.

Rubem Alves

Diferentes e Não uma Multidão de Iguais

... diferentes e não uma multidões de iguais ...

Natal: A Grande Arca com Cozinha Afetiva

As imagens dos presépios de Edgar Oliva encantaram-me. 

Para mim, o natal – uma festa causadora das mais diversas emoções e significados – é um sinal que o ano acabou, que vai chegar 31 de dezembro e vamos virar mais um ano. Sou sempre otimista nestas viradas e sempre acho que o novo ano é uma renovação, uma possibilidade de fazermos algo novo, reinventar, subverter alguma coisa a nosso favor, mesmo que esta impressão termine antes do final de janeiro. Tudo bem, mas é muito bom nos alimentarmos de novas esperanças e possibilidades. 

Cultura e artes se entrelaçam em muitas fronteiras. Cultura nem sempre representa uma manifestação puramente artística, porém neste universo da Grande Arca temos uma manifestação de cultura de origem artística (ou seria uma manifestação artística dita popular que gerou uma cultura do hábito do fazer presépios?). 

A Grande Arca é um trabalho gerador de várias interpretações sociais, politicas e antropológicas, porem prefiro reduzir meu olhar a uma simples observação de uma arte puramente singela, onde não temos normas e padrões, onde, a princípio, a estética não representa nada. Tudo isto é só impressão, pois os presépios da Chapada quando olhados em conjunto assumem uma identidade impar,  com estética própria de profunda similaridade. Tudo pode neste universo. Decora-se com o que se tem afinidade. Só fazem parte dos presépios as peças, que na simplicidade estética destas mulheres nordestinas, tem um sentido de beleza ou que no conjunto irá prover algum tipo de beleza e afeto. 

A Grande arca fica em exposição até 11 de fevereiro de 2012. Mais uma vez recomendo. O registro desta cultura popular da Chapada Diamantina, na Bahia, é um tesouro precioso, agora definitivamente guardado nos arquivos digitais de Edgar Oliva, e se Dona Antônia (Andaraí), Dona Jardilina (Lagoinha) e Dona Jandira (Wagner) – citando algumas das Natalistas presentes na exposição – não conseguem traduzir em palavras a importância cultural dos seus presépios, ninguém melhor que Jean-Luc Godard para nos lembrar de que “as imagens são formas que caminham em direção à palavra”. 

Nas fotos a seguir temos um almoço na casa da Dona Antônia Pereira dos Santos, na cidade de Andaraí, sensivelmente registradas por outra amiga da Bahia. No universo das diversidades culturais, há sempre um lugar para uma cozinha de perfil afetivo.

A Mesa da Grande Arca (Foto: Edivalma Santana)

A mais tradicional salada da Bahia: alface, tomate, cebola e azeitona. Vai ao prato, juntamente, com tudo mais que a mesa afetiva oferece. (Foto: Edivalma Santana)

Salada de repolho, beterrada e azeitona (Foto: Edivalma Santana)

As cores dos presépios estão presentes na vida cotidiana deste povo. Não há fronteiras entre casa e presépio. A mesa posta, as comidas afetivas, a tolha de plástico, os recipientes floridos que guardam as comidas,  a decoração da casa e tudo mais no universo caseiro destas mulheres constituem um cenário único das suas vidas.

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