Nosso perfil no Facebook alcançou 5 mil amigos da comida afetiva. Obrigado aos nossos amigos de afetos culinários!
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Hoje dia da mulher, 08 de março de 2012, frases sobre mulheres de Clarice Lispector. Seguindo poeticamente, uma receita de Rubem Alves, biscoitão mineiro, para complementar este dia dedicado ao gênero que tornou a cozinha um lugar de afeto e carinho.
Clarice Lispector, frases sobre Mulheres
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante.
E ela não passava de uma mulher… inconstante e borboleta.
E como nasci? Por um quase. Podia ser outra. Podia ser um homem. Felizmente nasci mulher. E vaidosa. Prefiro que saia um bom retrato meu no jornal do que os elogios. Tenho várias caras. Uma é quase bonita, outra é quase feia. Sou um o quê? Um quase tudo.
Eu antes era uma mulher que sabia distinguir as ciosas quando as via. Mas agora cometi o erro grave de pensar.
O destino de uma mulher é ser mulher.
Quando eu ficar sozinha, estarei seguindo o destino de todas as mulheres.
Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado.
E tenho, vos asseguro, tudo o mais que faz de mim uma mulher às vezes viva, às vezes objeto.
Ela, volta e meia, era uma mulher…
Toda mulher leva um sorriso no rosto e mil segredos no coração.
As mulheres devem arriscar sempre e se “divertir” com todos os homens que as desejam, uma hora tudo vai dar certo.
Rubem Alves, receita de Biscoitão Mineiro
1 – INGREDIEENTES
2 – MODO DE PREPARO
“Você vai almoçar numa casa e lá lhe oferecem um prato divino, que dá ao seu corpo sensações novas de gostos e olfatos. Vem logo a ideia: Que bom seria se, de vez em quando, eu pudesse renovar este prazer. E, infelizmente, não posso pedir para continuar a ser convidado. Usamos a fórmula clássica: Que delícia: quero a receita. Traduzindo para os nossos propósitos: Quero possuir um conhecimento que me possibilite repetir um prazer já tido. O conhecimento tem sempre o caráter de receita culinária. Uma receita tem a função do permitir a repetição de uma experiência de prazer. Mas quem pede a repetição não é o intelecto. É o corpo. Na verdade, o intelecto puro odeia a repetição. Está sempre atrás de novidades. Uma vez de posse de um determinado conhecimento, ele não fica repassando e repassando. Já sei, ele diz, e prossegue para coisas diferentes. Com o corpo acontece o contrário. Ele não recusa um copo de vinho, dizendo que daquele já bebeu, nem se recusa a ouvir uma música, dizendo que já ouviu antes, nem rejeita fazer amor, sob a alegação de já ter feito uma vez. Uma vez só não chega. O corpo trabalha em cima da lógica do prazer. E, do ponto de vista do prazer, o que é bom tem de ser repetido, indefinidamente”.
O parágrafo acima, do texto Ciência, Coisa Boa… (Rubem Alves), faz parte do livro Introdução às Ciências Sociais, organizado por Nelson C. Marcellino (Papirus Editora, 17ª Edição, 2010). Perfeito para memórias culinárias, onde sempre estamos em busca dos aspectos sensoriais que nos fizeram felizes em determinados momentos das nossas vidas, ou seja, “o que é bom tem de ser repetido”, e como diz o texto “uma receita tem a função do permitir a repetição de uma experiência de prazer”. Quem não vai à procura de um gosto perdido que nos proporcione prazer e felicidade? Ao ler este texto, fiquei buscando meus gostos esquecidos. Quais os gostos que armazenei na minha caixinha de memória sem acessos por longos anos, substituindo-os por outros gostos, não menos prazerosos, que também serão armazenados, substituídos e esquecidos? Lembrei-me de algo muito simples, muito mesmo. Batata doce amassada com manteiga e leite Ninho e polvilhada com muito açúcar.
Na minha casa materna não tínhamos jantar, tínhamos o café da noite. Muito farto, variado e com algumas sobras provenientes do almoço, que eram magicamente transformadas em outros pratos pela minha mãe. Havia sempre uma raiz nordestina para complementação. Aipim (macaxeira), inhame, fruta pão, batata doce. A batata doce era a minha preferida, pois era transformada num lúdico e delicioso bolinho, feito por mim e meus irmãos em processo de competição culinária ao vivo. Ganhava quem fizesse o bolinho mais simpático aos olhos de uma rígida comissão julgadora formada por meu pai e minha mãe. Claro que todos ganhavam, em um processo afetuoso de rodizio de ganhadores.
Bolinho de Batata Doce
1 – INGREDIENTES
2 – MODO DE PREPARO
Um almoço com 25 tipos de saladas, 14 pratos quentes e mais de 10 sobremesas, cravado no coração de Curitiba, a alguns passos do relógio das flores. Conheço o No Kafe Fest há mais de 10 anos, e sempre que vou a Curitiba arranjo um tempo – de preferência do domingo, pois aproveito para circular pela feirinha – para ir almoçar neste quilo especial e caseiro que funciona anexo ao Solar do Rosário desde 1993.
Dona Dorothea Richter levou suas receitas alemãs da família, aprendidas com mãe, tias e avos, e toda a experiência de mais de 10 anos como professora de culinária do SENAC para seu restaurante. O resultado é extraordinário. Uma comida de casa, de mãe, saborosa e vendida a quilo.
Purê de maçã, peru com frutas, lasanha, bacalhau, camarão de ensopado, massas, porco assado, saladas e outras delicias. Os doces são um espetáculo a parte, que deve ser degustado sem qualquer culpa. Pudim de claras, pudim de leite condensado, brigadeiro mole com amoras, frutas e o meu preferido banana caramelada, também conhecida como Chico Balanceado, que arriscamos a divulgar a receita abaixo, pesquisada no Google e devidamente testada e adaptada ao nosso açucarado paladar nordestino.
Chico Balanceado
Segundo Câmara Cascudo (História da Alimentação no Brasil) “todos os pratos nacionais são resultantes de experiências construídas lentamente, fundamentadas na observação e no paladar”. A informação que temos é que o Chico Balanceado é um doce típico do Rio Grande do Sul, porém, disputa com os estados de Santa Catarina e Paraná a autoria desta sobremesa. Sabemos, entretanto, que Pernambuco é o estado mais doce do Brasil, rico em receitas de doces, bolos e sobremesas, herança proveniente do ciclo da cana de açúcar, da casa grande, da senzala e da nossa doce miscigenação entre índio, negro e português. E lá no Nordeste, em Pernambuco, Chico Balanceado é Manezinho Araújo, portanto temos origens para todos os lados. Sul e Nordeste conectados por meio de um doce caminho de creme de amido, banana, ovos e muito açúcar.
1 – INGREDIENTES
2 – MODO DE PREPARO
No Kafe Fest
Almoço: 2ª a 6ª das 11h30min as 14h00min / Domingo das 12h00min as 15h00min – Rua Claudino Soares, 142 – Calçadão – Anexo ao Solar do Rosário – Curitiba / Paraná (41 3223-9534 – www.nokafefest.com.br)
De 3ª a sábado das 15h30min as 20h00min funciona um Café Colonial com 50 tipos de pratos doces e salgados.
Já era hora de trazer a Dona Naná para nossa Cozinha Afetiva. Dona Nazilda Costa, comandante da alegria, das festas e da cozinha da família Costa, família que já incorporei, sei lá desde quando.
Dona Naná, dona deste post, dona de casa, dona de um dom culinário que transforma simples e cotidianos ingredientes em comidas recheadas de sabores, cores, afeto e muita alegria. Alegria que ela carrega em tudo que faz, alegria que é o seu melhor tempero, seu tempero de vida, seu sal, seu açúcar, seu dom.
Assim é a Rabanada servida no réveillon dos Costa, o qual tive o prazer de fazer parte lá na nublada Vitória. Na mesa da festa um cardápio feito por várias mãos e alguns olhares (da Denise, por exemplo, nossa mantedora das caipiroscas – função também fundamental), com pratos especialmente feitos para entrar o ano novo com o pé direito e o estômago feliz; lentilha, frigideira de bacalhau, peixe ao forno, farofa de banana, salada de siri com manga (da Margot, que irei apresentar em breve), e claro a Rabanada da Naná, que logicamente não sobrou, não foi suficiente, pois comeríamos mais, muito mais.
A querida Dona Naná é muito prática e rápida na cozinha. Nada de muito trabalho, de muitas horas ao pé do fogão, pois ela tem outras atividades a se dedicar. Sua ginástica, seus passeios ao shopping Paulista, as idas ao supermercado, Sr Antônio, Serra Negra, Vitória, o cabelereiro, as novelas, o neto, os filhos, os amigos dos filhos, ávidos por um convite para um almoço de domingo, o qual me incluo, e por razões de manutenção do meu nome na lista dos convidados, jamais irei revelar sua idade, até porque idade não representa nada para quem carrega o dom da transformação culinária com temperos de afeto e alegria.
Rabanada da Naná
1 – INGREDIENTES
2 – MODO DE PREPARO
Dia 07 de janeiro é o dia nacional das desmontagens dos presépios e árvores natalinas nas casas brasileiras, e também de forma já quase convencional no comércio e decorações oficiais das cidades. Na minha casa materna a responsabilidade da montagem e desmontagem era sempre do meu pai, que prolongava as decorações até o aniversário da minha mãe no dia 11 de janeiro.
O dia 7 da desmontagem tem um sentido histórico cultural, pois no dia 6 comemoramos a Folia de Reis, apesar da festa não apresentar a mesma força religiosa e comercial que temos no Natal.
Folia de Reis é uma festa de origem portuguesa, católica, relacionada às comemorações natalinas. Tudo que é português tem ligação direta com nossa identidade cultural, portanto, esta herança nos foi legada pelos nossos colonizadores, ganhando força especialmente nas pequenas cidades dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro e Goiás.
Nem sempre me lembro da Folia de Reis. Na minha casa mantenho a tradição do meu pai levando as decorações natalinas até o dia 11. Este ano, porém, um e-mail da amiga Renata Rodrigues fez-me lembrar da festa. O e-mail trazia uma receita de “Rosca de Reis” do Restaurante Obá (www.obarestaurante.com.br), que de imediato provocou meus sentidos culinários por dois motivos:
História / Cultura
Para celebrar o Dia de Reis (Epifânia – o final das festas natalinas), as famílias católicas mexicanas começam o dia 6 de janeiro comendo uma fatia da Rosca de Reis com uma xícara de chocolate quente, logo depois das crianças abrirem os seus presentes. Dentro da rosca vai escondida uma miniatura que representa o Menino Jesus. Quem receber a fatia com ele deve convidar os amigos para comer tamales no dia 2 de fevereiro, Dia da Candelária (Ref: Obá Restaurante).
Tamales
É um tradicional prato mexicano feito a base de milho, envolvido nas folhas do próprio milho (ou bananeira), que é cozido no vapor. Podem ser recheados com carnes, queijos, frutas, legumes, pimenta ou qualquer preparação de acordo com o gosto.
Na Mesoamérica (8.000 – 5.000 aC.), Astecas, Maias, Olmecas e Toltecas já usavam o tamal como alimento para seus exércitos, para caçadores e viajantes, em função da portabilidade e proteção que o alimento fornece, devido ser embalado na folha do milho.
O tamal, em suas diversas variações e adaptações à cultura local, é também encontrado em vários países da América do Sul, América Central e Caribe, na Índia, nas Filipinas, no Nepal, dentre outros. No Brasil, temos a tradicional “pamonha”, que lembra o tamal, porém com origens diferentes.
Dia da Candelária
O Dia da Candelária é uma festa mexicana de origem cristã e enriquecida com elementos indígenas. Recorda o rito de purificação* de Nossa Senhora e a apresentação de Jesus no Templo, segundo o costume dos Judeus, como refere Lucas no seu Evangelho. Celebra-se no dia 2 de fevereiro, ou seja, 40 dias depois do Natal.
*Purificação – Segundo os costumes judaicos, a mãe era considerada impura após o parto e deveria ser purificada numa cerimónia no Templo. Ela também devia apresentar a criança, decorridos 40 dias após o nascimento se fosse menino e 80 se fosse menina.
Cultura é uma teia entrelaçada. O hábito de fazer e comer a Rosca de Reis no México, já empurra para outra tradição: 2 de fevereiro – Dia da Candelária.
Festa, religião, comida, tradição, assim construímos nossa identidade cultural, que muda de acordo com a nossa formação, nossa origem. Na Bahia, na cidade do Salvador, por exemplo, dia 2 de fevereiro é dia de festa no mar, dia de Iemanjá. Existe um sincretismo entre a santa Católica Nossa Senhora dos Navegantes e a orixá da mitologia africana Iemanjá.
”Iemanjá, rainha do mar, é também conhecida por dona Janaína, Inaê, Princesa de Aiocá e Maria, no paralelismo com a religião católica. Aiocá é o reino das terras misteriosas da felicidade e da liberdade, imagem das terras natais da África, saudades dos dias livres na floresta” – Jorge Amado
Nossa Senhora da Luz, Nossa Senhora da Candelária, Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora da Purificação, Nossa Senhora dos Navegantes, são alguns dos títulos pelos quais a Igreja Católica venera a Virgem Maria. Maria, Iemanjá…, portanto, não importa à denominação ou a festa, na raiz cultural a essência é a mesma. Festejamos pela felicidade, pela liberdade, pela gratidão, nos deliciando de tamal, na cidade do México, pamonha, em Goiânia, abará, em Salvador… na grande celebração das nossas culturas entrelaçadas, miscigenadas.
Rosca de Reis (Ref: Obá Restaurante)
1 – INGREDIENTES
Para a Massa
Para a Crosta de Açúcar
Tradição e Decoração
2 – MODO DE PREPARO
A massa
A Crosta de Açúcar
Montagem e Finalização
Servir com:
Uma xícara de chocolate quente.
“O Ano Novo ainda não tem pecado:
É tão criança…
Vamos embalá-lo…
Vamos todos cantar juntos em seu berço de mãos dadas,
A canção da eterna esperança.”
“Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça…”
Em tempos de internet, de mídias sociais, especialmente no final de ano, onde milhões de mensagens circulam pela rede, é muito normal (será?) nossas caixas de e-mails serem invadidas por este tipo de comunicação on-line. Tudo bem (tudo mesmo?), é mais um ônus que pagamos pela facilidade e rapidez da comunicação. Em geral “deleto”, não tenho muita disposição para abrir cartões, ouvir musiquinhas natalinas, responder todos os e-mails melosos que recebemos neste período do ano.
Mas no meio deste imenso mar de e-mails, sempre existem alguns interessantes, divertidos e até inteligentes. São estes que nos tornam iguais a todos os usuários dos sistemas on-line, pois neste momento não resistimos e assumimos o mesmo comportamento coletivo comum dos que têm acesso às facilidades da internet, ou seja, sem pensar, em um ato mecânico, repassamos as mensagens, afogando as caixas dos nossos amigos. Fica, então, a pergunta: Será que o interessante, divertido e inteligente para mim é igual para as dezenas de amigos que repasso meus e-mails? Na dúvida, este ano, fiquei quieto, não repassei nada.
No apagar das luzes de 2011, recebi um e-mail do amigo Marculino, que recebeu da Ana Maria, que deve ter recebido de alguém. Tentação! Este precisa ser repassado. São dicas do que vestir, comer e beber na virada. Um e-mail culinário, impossível de não ser repassado, porém, resolvi soltar via Cozinha Afetiva e Facebook, assim acessa quem tem interesse.
Comida é realmente a única coisa que emoldura todos os grandes momentos das nossas vidas. Não me alimento apenas para viver, por questões nutricionais. Comida para mim tem uma função além da sobrevivência. Comida é festa, prazer, convivência, aproximação, união, memória, comunhão. Não há momento de celebração sem comida e bebida. Acredito que a boa comida afetiva é fundamentalmente necessária para uma vida feliz e equilibrada, por isso recomendo seguir os conselhos do que comer e beber na virada. Sabe-se lá quem fez a lista, que mistura ainda signos, frases e o que vestir, mas só por ter dicas do que comer e beber, saindo do tradicional romã, lentilha e bichos que não ciscam para trás, já valeu divulgar.
Feliz 2012!
A Lista do Que Vestir, Comer, Beber e a Frase de Cada Signo – 2012
Pelas noites de Vitória, Espírito Santo, de bar e bar, Adilson trabalha a cerca de 15 anos nas vendas dos seus pães caseiros.
O interessante é a forma encontrada por ele. Adilson criou uma padaria de duas rodas, organizada e prática, que circula em busca dos seus consumidores. Figura tradicional e conhecida da noite capixaba, sempre sorrindo e devidamente vestido em perfeita harmonia com o layout da sua padaria de duas rodas.
Onde encontrá-lo? Sabe-se lá, só circulando pelas ruas próximas a beira mar da praia de Camburi.
Para 2012 encontrei dois caminhos para seguir e alimentar meu ano novo. Estes caminhos foram-me apresentados pelo Rubem Alves no livro Variações Sobre o Prazer (Editora Planeta, 2011).
Na verdade não são bem caminhos, mais sim feiras metafóricas de coisas, com muitas opções, onde podemos escolher o que colocar nas nossas cestas e sacolas, e assim decidir nosso melhor caminho a partir destas escolhas.
A ideia de separar as coisas em duas classes, as que devem ser usadas e as que devem ser fruídas, é de santo Agostinho. Chamar cada uma dessas ordens de feiras é do Rubens Alves, explica o autor.
Feira de utilidades ou feira de fruição?
Utilidades, do latim “uti”, usar. Na etimologia da palavra já fica claro que estamos diante de uma feira de coisas uteis: utensílios, ferramentas, objetos necessários para alcançar ou produzir aquilo que se deseja[1].
Fruição, do latim “frui”, fruir, desfrutar. É a feira do amor, onde estão os objetos que dão prazer: sua posse nos torna feliz[2], e aqui repetimos o texto de santo Agostinho, citado pelo Rubem Alves: Fruir uma coisa é amar esta coisa por causa de si mesma; usar uma coisa é, por outro lado, utilizá-la para se obter uma outra coisa.
O prazer que a panela pode me dar não é ela que me dá. Panela não pode ser comida. O prazer que a panela me dá se deve ao fato de que nela o meu sonho gastronômico se transforma em realidade[3]. Com este exemplo, fica claro o que devemos colocar na nossa cesta de utilidades – a panela – e o que podemos levar para nossa cesta de fruição – o prazer gastronômico, o sabor, o sensorial da comida que a útil panela pode servir de meio para nos deliciar.
Na feira de fruição moram os sábios, os degustadores, aqueles que transformam os objetos em partes do seu próprio corpo[4], por isso as relações afetivas da cozinha estão inseridas nas feiras de fruição, enquanto as ferramentas que fazem parte destas cozinhas – fogões, pratos, panelas, eletrodomésticos – estão nas prateleiras das feiras de utilidades, servindo de meios para que possamos fruir pelas cores, sabores, texturas e odores da verdadeira comida afetiva.
As feiras de santo Agostinho são metáforas para uma filosofia de vida. Elas nos dão um paradigma de uma sapientia, de um jeito de viver. E esse paradigma nos diz que os objetivos da vida são o prazer, a alegria, a felicidade[5], portanto, não tenho dúvida que irei à feira em 2012, como também não tenho dúvidas que à feira será de fruição.
Feliz fruição em 2012!
[2] Variações Sobre o Prazer, pag 101
[3] Variações Sobre o Prazer, pag 97
[4] Variações Sobre o Prazer, pag 105
[5] Variações Sobre o Prazer, pag 112