Confissões Alegres de Uma Cozinheira

Mara Salles, cozinheira (sim cozinheira, não chef … adoro!) do Restaurante Tordesilhas (www.tordesilhas.com – Rua Bela Cintra, 465 – São Paulo / SP – 55 011 3107-7444), casa de cozinha brasileira e afetiva, escreveu o artigo CONFISSÕES ALEGRES DE UMA COZINHEIRA, publicado em 2007, pela Editora SESC São Paulo, parte do excelente livro Cultura e Alimentação – Saberes Alimentares e Sabores Culturais (Organização de Danilo Santos de Miranda e Gabriele Cornelli). Vejam abaixo 4 pontos extraídos desta alegre confissão.

  1. “Quando se fala do alimento para nutrir, alimentar, restaurar perda, tem-se que buscar o bom alimento”.
  2. “As feiras livres, por exemplo, que são lugares tão lindos, onde a gente tem possibilidades de ver um desfile de cores, sabores, cheiros e formas, onde se pode tocar tudo com a mão, cheirar, escolher o que é melhor – infelizmente estão acabando”.
  3. “Tenho uma aflição muito grande de comprar alimentos frescos que estão dentro de um saco plástico. A impressão que eu tenho é de que estão mortos – não respiram. São como a gente: se você pega um alimento e o põe no plástico, ele morre mesmo, ele não resiste”.
  4. “Então, viva a pimenta, viva o Brasil, viva o jiló, viva o quiabo, e viva tudo isso!”

Viva a verdadeira Cozinha Afetiva!

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Pra não dizer que não falei das flores, xô corrupção, “temo” limão e banha de porco

Vitória, Espírito Santo - Feira Legal

Estava em Vitória, Espírito Santo, – em um sábado de sol, com sopros de vento de final de inverno – e fui andar até a feira livre organizada pela prefeitura da cidade, entre as praças do Epa e do Carone. A princípio, a 1ª vista, uma feira livre e normal como tantas outras existentes no Brasil, aqui chamada de “Feira Legal”.

Feira livre é a maior fonte de abastecimento das cozinhas afetivas. É insubstituível, inigualável, nada se compara com a possibilidade de escolha e negociação (o pechinchar) que estas feiras nos permitem exercitar. Livre comércio, livre escolha, sem filas para o caixa, ou melhor, sem caixas, sem carrinhos. Aqui somos mais simples e mais próximo das nossas raízes mercantis.

Flores da Feira Legal

Adoro feira livre, de rua. É sempre um prazer andar por estas barraquinhas com gente que vende sua produção local. Assim foi com a feira de Vitória, que logo na 2ª olhada pareceu-me diferente e ao mesmo tempo próxima da feira que desenhou minha infância. Sou de Feira de Santana, Bahia, uma cidade que carrega no nome a palavra feira. Feira livre em Feira de Santana é uma cultura da cidade, das pessoas, celebrada com toda intensidade nas 2ªs feiras. Hoje a grande feira livre de Feira de Santana, não ocupa as ruas do centro da cidade, como na época em que eu e meus irmãos acompanhávamos nossa mãe às compras. Éramos os carregadores de sacolas e cestos, tarefa ricamente compensada com algum tipo de comida de rua, deliciosamente vendida na imensidão desta feira perdida na história. A grande feira livre das 2ªs feiras foi empurrada pelas forças do progresso e desenvolvimento para um local frio, o Centro de Abastecimento, que hoje é um grande polo de comércio com funcionamento durante toda a semana.

De volta a Vitória, a “Feira Legal” tem muito da cultura das feiras nordestinas, onde se vendem de tudo. Aqui só não encontrei a venda de animais vivos, ainda muito comum no interior de alguns estados brasileiros. O resto tinha de tudo, porém o que mais me chamou atenção foi a quantidade de “banha de porco” vendida em garrafas pet de refrigerantes e potes plásticos. Mais uma vez, volto as minhas memórias de infância. Na minha casa materna não entrava “óleo de cozinha”, cozinhava-se com banha de porco e outros animais. Algo quase impossível de se imaginar nos dias hoje, dias de alto colesterol e policiamento alimentar, que somos submetidos a todo instante.

Banha de Porco

Toda feira livre tem sonoridade própria. Mídia aqui é na garganta, onde os gritos dos feirantes, as conversas das comadres, carros de sons e repentistas misturam-se em uma típica sonoridade quase imperceptível. Em Vitória não foi diferente. Um protesto – Xô Corrupção – com poucos militantes caminhava pela feira acompanhado de uma bandinha com menos de ½ dúzia de músicos, ao som do hino do Corinthians, Amigo (de Roberto Carlos) e até a música tema dos programas de esportes da Rede Globo, enfim, tocava-se de tudo.

E “temo” limão, e “temo” cebola, e “temo” tomate, gritavam os feirantes. E temos de tudo mesmo neste divertido e afetivo universo livre de compras.

Verduras, Legumes, Frutas; uma barraca milimetricamente organizada com bacias coloridas

Para finalizar este sábado capixaba na feira livre, um momento quase surreal presenciado no final da feira, onde os consumidores que compravam panelas de alumínio, sandálias de couro, panos de pratos, artigos da China e outras mercadorias, eram embalados ao som de “Pra não dizer que não falei das flores”, música de Geraldo Vandré* de 1968, que vinha direto de um carro de som. Bem, Vandré não é memória afetiva de cozinha, é memória afetiva de um período triste da nossa história, mas que bom que venceram as flores e as feiras livres continuam sendo um grande espaço livre e democrático da nossa cultura popular brasileira.

Barraca da Altoé da Montanha

Requijão da Bahia, Queijos Locais, Queijo Coalho do Pará, Doces

Couve, Banana da Tera, Linguiça de Porco Caseira, Peixe do Mar Capixaba

Artigos da China, Avental, Panos de Prato

Colheres de Pau, Farinheiras, Artigos de Copa e Cozinha, Sandálias de Couro

*Geraldo Vandré é o nome utilizado por Geraldo Pedroso de Araújo Dias Vandregísilo, paraibano de João Pessoa, nascido em 12/09/1935. Seu sobrenome é uma abreviatura do sobrenome do seu pai, José Vandregísilo, de quem ele herdou o sobrenome  Vandré.

Em 1966, chegou à final do Festival de Música Popular Brasileira da TV Record com o sucesso Disparada, interpretado por Jair Rodrigues. A canção arrebatou o primeiro lugar ao lado de A Banda, de Chico Buarque.

Em 1968, participou do III Festival Internacional da Canção com Pra não dizer que não falei das flores ou Caminhando (http://letras.terra.com.br/geraldo-vandre/46168/). A composição se tornou um hino de resistência do movimento civil e estudantil que fazia oposição à ditadura militar durante o governo militar, e foi censurada. O Refrão “Vem, vamos embora / Que esperar não é saber / Quem sabe faz a hora, / Não espera acontecer” foi interpretado como uma chamada à luta armada contra os ditadores. No festival a música ficou em segundo lugar, perdendo para Sabiá, de Chico Buarque e Tom Jobim.

Hoje Geraldo Vandré reside na cidade de Inbituba, no litoral sul de Santa Catarina. Em 2010 concedeu uma polêmica entrevista criticando o cenário cultural brasileiro desde os anos 1970 e afirma que seu afastamento da música popular não foi causado pela perseguição sofrida pela ditadura militar.

Pica-pau a venda na Feira Legal

Pinguim Primavera

Pinguim Primavera!

Bolo de Cenoura com Glacê de Cream Cheese da Mia

Bolo de Cenoura com Glacê de Cream Cheese da Mia

Qual a velocidade de um raio? De uma relâmpago? De um vento que assopra nosso rosto? Às vezes certos acontecimentos na vida são assim, chegam velozes, causam algum efeito devastador – e aqui devastador pode ter um sentido muito amplo, positivo e até transformador – e partem para outros territórios, talvez para catalisar outras devastações ou simplesmente acomodar-se em profundo descanso.

Mia, uma garota Sueca (“garota sueca?”, parece título de filme sueco, algo Ingmar Bergman), que cruzou o meu caminho pelas mãos de um vento devastador, passou suavemente e com muita ternura, não muito comum de quem chegou do lado nórdico deste planeta.

Mia chora, emociona-se com beijo de novela, casamento de princesa e defesa de doutorado, podem acreditar. Tem alma latina, brasileira, baiana, pernambucana. Fala português e é apaixonada pelo Brasil. Minhas lembranças da Mia poderiam perfeitamente findar-se aqui, porém ela nos deixou muito mais do que boas lembranças, deixou receitas, sabores e saberes da sua herança culinária, da sua sociedade de tradição oral, onde receitas são faladas, não escritas, e aprendidas no calor das cozinhas das mães e avós para filhas e netas.

A cozinha escrita permite codificar, em um repertório estabelecido e reconhecido, as práticas e as técnicas elaboradas em determinada sociedade. A cozinha oral teoricamente está destinada, em longo prazo, a não deixar traços de si”. Perfeita esta descrição de Massimo Montanari, historiador italiano, importante pesquisador da história da alimentação, que traduz muito bem o legado da Mia, em nos deixar suas tradições culinárias escritas, registradas, salvaguardando e difundindo a sua cultura nórdica de cozinha.

Sabemos ainda, que a formação do nosso gosto tem origem na nossa casa materna, na nossa infância, seguindo por um longo caminho, que se permitido por nós jamais alcançará fim, nos acompanhando por toda vida através das diversas experiências culinárias que nos permitamos a vivenciar, portanto não temos um gosto padrão definido, concluido, formatado. Para cada Mia que cruzamos na vida, vamos construindo, ampliando e diversificando nosso gosto, e nos tornando mais pluralista do ponto de vista alimentar.

Agora, graças as afetivas receitas da Mia, temos um gosto mais ampliado, mais universalizado, com pitadas nórdicas de bolo de cenoura com glacê de cream cheese, tomate seco com ervas e tzatziki. Hoje iremos apresentar o bolo de cenoura… delicioso, diferente, envolvente!

... um gosto mais ampliado, mais universalizado, com pitadas nórdicas de bolo de cenoura com glacê de cream cheese ...

1 – INGREDIENTES

Do Bolo

  • 600 gramas de cenouras
  • 200 ml de óleo
  • 500 gramas de farinha de trigo
  • 4 ovos
  • 3 colheres de chá de fermento em pó
  • 2 colheres de chá de canela
  • 2 colheres de chá de açúcar de baunilha
  • 400 gramas de açúcar

 Do Glacê

  • 120 gramas de Cream Cheese (queijo tipo Philadelphia)
  • 50 gramas de manteiga ou margarina
  • 400 gramas de açúcar de confeiteiro

2 – MODO DE PREPARO

Para Iniciar

  • Unte uma forma de furo (aproximadamente 24 cm de diâmetro) ou retangular (aproximadamente 35 x 25 cm);
  • Aqueça o forno até 180 oC.

Preparo

  • Rale as cenouras;
  • Adicione os ovos e o açúcar às cenouras raladas e misture bem;
  • Acrescente os demais ingredientes e misture bem até formar uma massa lisa;
  • Asse o bolo em forma retangular ou redonda com furos por cerca de 40 minutos, 180 oC, ou até dourar a superfície;
  • Enquanto o bolo esfria, misture todos os ingredientes do glacê usando uma batedeira (ou misturando com um batedor manual), para obter uma massa bem lisa e homogênea;
  • Desenforme o bolo (quando estiver frio) e espalhe com cuidado o glacê sobre a superfície do bolo;
  • Decore com cenoura (ralada ou em tiras).

Bolo de Cenoura com Glacê de Cream Cheese da Mia

Cuscuz de Milho Paulistano da Mãe de Cida, Dona Maria de Lourdes

Até parecemos um bando de interesseiros, exploradores de Cozinha Afetiva alheia, carentes de afeto culinário, pessoas que milimetricamente planejam obter uma recompensa através de um ato previamente ensaiado, não espontâneo. Desculpem-nos, mas somos assim mesmo quando se trata do Cuscuz de Milho Paulistano da Mãe de Cida (Dona Maria de Lourdes). Somos assim quando desejamos que a Cida compareça às nossas reuniões ou festinhas com este cuscuz em mãos, enrolado afetivamente em um pano de prato, branquinho. 

Cida, mais uma querida (e aqui nos cabe muito bem outros adjetivos), terna e elegante amiga desta São Paulo, faz parte da nossa turma, turma de festas, farras, viagens e reuniões sem qualquer motivo, desde que tenhamos comidas, bebidas e boas conversas.

De volta ao cuscuz, é sempre o prato padrão que a Cida nos brinda. Nós, manipuladores amigos de cuscuz alheio, sempre educados e bem comportados, não fazemos qualquer esforço para tornar verossímeis nossas falsas frases prontas do tipo “não precisa”, “não seria muito trabalho para a sua mãe?”. Enfim, ela já sabe, e sempre o cuscuz está presente, e sempre cercado de gente faminta, com as mesmas frases prontas proferidas de bocas cheias (hummm que delícia, que delícia!), e na clara intensão de garantir outro cuscuz para a próxima festa.

Demorou em arrancar esta receita da Cozinha Afetiva da Dona Maria de Lourdes, e como Cida nos falou “foi um pouco difícil, porque sabe como é mãe, tudo na cabeça, um bocado disso, um pouco daquilo”.

O Cuscuz de Milho da Dona Maria de Lourdes feito em forma redonda de furos.

 1 – INGREDIENTES

  • 1 pacote pequeno de farinha de milho (500 gramas)
  • 1 lata de sardinha
  • 1 lata de seleta
  • 1 lata de ervilha
  • 1 cebola
  • 1 tomate maduro
  • 3 dentes de alho
  • 250 ml de molho de tomate pronto
  • 1 tomate
  • 2 ovos cozidos
  • 2 colheres de sopa de óleo
  • ½ colher de sopa de azeite de oliva extra virgem
  • 1 colher de café de molho de pimenta
  • Orégano, loro e sal a gosto
  • Azeitona sem caroço e palmito para decorar

 2 – MODO DE PREPARO 

Para Iniciar

  • Umedeça uma forma redonda com água, e no fundo e laterais acrescente os ovos cozidos, a cebola, o tomate e o palmito em rodelas e as azeitonas. Reserve.

 Preparo

  • Refogar a cebola e o alho no óleo;
  • Adicionar o molho pronto de tomate;
  • Quando estiver engrossando juntar a sardinha, a ervilha, a seleta, orégano, loro e o molho de pimenta. Mexer;
  • Quando o molho ganhar consistência, adicionar a farinha de milho, mexendo para não empelotar. Ajuste o sal;
  • “Quando estiver no ponto de enrolar uma bolinha está pronto” (aqui temos a descrição muito particular e afetiva da mãe de Cida, do ponto que a massa do cuscuz deverá ser retirada do fogo para ser enformada);
  • Adicione a massa do cuscuz, ainda quente, na forma, com cuidado e pressionando levemente;
  • Deixe descansar por cerca de 30 minutos e desenforme.

O Cuscuz de Milho da Dona Maria de Lourdes feito em forma retangular.

Batata Ligeira do Chico

Batata Ligeira do Chico

As civilizações antigas da América – maias, astecas e incas – já cultivavam a batata e outros produtos desconhecidos da Europa. Os espanhóis, conquistadores desta região americana, não se deram conta, inicialmente, desta riqueza agrícola, provavelmente em função da obsessão pelo ouro. Na Europa, a batata foi plantada inicialmente na Galícia, no final do século XVI. Na Alemanha foi considerada imprópria para consumo humano por botânicos alemães, só sendo cultivada em larga escala a partir de 1770. Os franceses foram os últimos a integrá-la a sua cozinha, graças ao interesse que Napoleão dedicou ao assunto. O consumo da batata só se generalizou na Europa no final do século XVIII*. Hoje, a batata é uma das principais bases alimentares de diversas nações, e nos parece que também da linda Paraíba, pela quantidade de receitas com este versátil tubérculo comestível.

Depois da Batata em Conservas Calypso, nos chega direto de João Pessoa a Batata Ligeira, uma rápida especialidade culinária de outro querido amigo: Chico. O interessante é que as nossas receitas, quando por nós nominadas, acabam por herdar, de certa forma, algumas das nossas características. Sim, Chico é um cara ligeirinho, particularmente ao seu modo, no seu jeito nordestino de ser.

Segundo o Chico, a Batata Ligeira é uma receita “para matar aquela fome de um dia de trabalho quando não estamos muito a fim de fazer uma coisa mais trabalhosa, elaborada. É uma batata rápida, feita com um pouquinho do que restou daquelas compras. Você vasculha a geladeira e só encontra algumas batatas, um pouco de alecrim, alguns tomates, umas cebolas, um pimentão…”. Os afetuosos restos da feira, perdidos em uma fria geladeira, são transformados em um prato quente, com “cara” de comida fina, elaborada. Assim são os nossos afetivos cozinheiros, alquimistas empíricos, pessoas com uma capacidade de transformação, que sempre nos surpreendem com pequenos preparos de resultados grandiosos. Assim é o Chico, nosso amigo querido da Paraíba.   

Batata e Alecrim

1 – INGREDIENTES 

  • 4 batatas médias
  • 2 tomates médios
  • 1/2 pimentão verde
  • 1 cebola média
  • 1 pimenta dedo de moça
  • ½ xícara de chá de azeite de oliva extra virgem
  • 3 colheres de sopa de vinagre balsâmico
  • Sal grosso a gosto
  • Uma colher de sopa de alecrim (rasa)

O cuidado do Chico em nos enviar a receita e fotografar o passo a posso do preparo.

  1. Cebola e pimentão no refratário
  2. Cebola, pimentão, tomate, vinagre e azeite de oliva
  3. Pimenta dedo de moça
  4. Pimenta dedo de moça sendo adicionada aos demais temperos
  5. Batatas cozidas
  6. Batatas cozidas já adicionadas aos temperos e adição de mais azeite de oliva
  7. Refratário pronto para ser assado
  8. Refratário no forno

 2 – MODO DE PREPARO

  • Corte a cebola, os tomates, o pimentão e a pimenta dedo de moça em tiras, misture tudo já no próprio refratário que irá ao forno;
  • Coloque metade do azeite e uma colher do vinagre balsâmico, misture;
  • Cozinhe as batatas com casca, bem escovadas, divida-as em duas partes para cozinhar mais rápido, sem sal, mas não cozinhe muito, pois elas ainda irão ao forno;
  • Após cozidas, escorra a água das batatas e misture com os outros ingredientes;
  • Adicione o restante do azeite e do vinagre por cima. Polvilhe com sal grosso e alecrim;
  • Leve ao forno quente, por mais ou menos 35 minutos, ou até que as batatas fiquem coradas;
  • Decore com uma folhinha de manjericão ou outra erva (salsinha, coentro…). Fica bom também colocando pimenta do reino moída;
  • Sirva com o que quiser. Fica ótimo com aquele frango de padaria e um pedacinho de pão para raspar o molhinho que sobra no prato.

Batatas

* Ariovaldo Franco – De Caçador a Gourmet – Editora Senac São Paulo 2010

OBRIGADO!

MUITO OBRIGADO À TODOS PELAS MENSAGENS DE FELIZ ANIVERSÁRIO. A COZINHA AFETIVA VAI EM FRENTE PARA MAIS UM ANO COM MUITAS RECEITAS, HISTÓRIAS E AFETOS. ABRAÇOS! GRATO!

Viva o Bolo de Aniversário!

Hoje, 19 de agosto de 2011, a Cozinha Afetiva completa seu primeiro ano de vida. Vida longa para todos!

Vejam abaixo A Saga do Bolo de Aniversário!

O Pinguim do 1o Ano de Aniversário!

A Saga do Bolo de Aniversário

Nas festas de aniversários de antigamente, o bolo confeitado, alvo de todas as atenções, estrela maior da festa, era, quase sempre, encomendado a uma doceira amiga ou a uma tia, madrinha ou irmã, mais prendada nas artes culinárias.

O bolo nunca chegava no dia exato da festa, podendo entrar na casa um ou dois dias antes. A chegada era um acontecimento, aguardado ansiosamente pelo aniversariante, pelas crianças da casa e da rua, e principalmente pelos vizinhos curiosos. Chegava de Kombi, sim de Kombi, ou outro carro do mesmo porte, pois, em geral, eram grandes, necessitando de espaço para a delicada logística de entrega. Alguém segurando, outro dirigindo, e lá vinha o carro anunciando a chegada da estrela. Olhos atentos, vizinhos nas janelas e a matriarca no comando. Não tenho lembrança de qualquer acidente nesta delicada operação, eles eram especialistas no transporte e descarga de bolos.

Uma vez dentro da casa, o lugar mais seguro para guardá-lo, longe dos dedinhos ávidos por uma espetada, por uma furada na densa camada de glacê (branco em geral ou rosa para as meninas e azul para os meninos), era em cima do guarda roupa do quarto principal, local alto e de difícil acesso. Rapidamente, caixas de sapatos e malas eram retiradas, ou simplesmente afastadas, e o imenso bolo era erguido pelos braços dos carregadores. Nós, crianças, entortávamos nossos pescoços seguindo aquela delicada operação de levantamento do bolo confeitado. E lá ficava ele, por um ou dois dias, coberto por um fino tecido tipo filó, guardado especialmente para esta ocasião.

As horas e dias seguintes eram literalmente hilários. Vigilância pesada para as crianças não escalarem o guarda roupa na busca de uma dedada no bolo, vizinhas e parentes que chegavam e eram convidados a apreciar a obra de arte, e aí, o bolo subia e descia das alturas do guarda roupa, várias vezes ao dia. Olhavam-se, admiravam-se, passavam-se mãos delicadas sobre o glacê, falavam-se e sopravam-se sobre o bolo, sabem-se lá quantas vezes.

Enfim, no grande dia, após a casa limpa, mesa com a melhor toalha e jarro de flores naturais, acontecia a cerimônia oficial da descida do bolo do guarda roupa, um acontecimento testemunhado por todos. Para surpresa e desespero da mãe da casa, sempre existia uma dedada no glacê. Aos gritos da matriarca, sem saber como consertar aquele delicioso ato de vandalismo afetivo, proferido contra a estrela maior da festa, as crianças desapareciam como um raio em noite de tempestade. Cansei de testemunhar esta cena, que sempre se encontrava uma solução prática, desde a chamada emergencial da doceira para efetuar o devido reparo no furo, até uma simples escondida, onde se direcionava o lado furado para uma posição que não cruzasse com a visão dos convidados.

Entre decidas e subidas do bolo, dedadas, desesperos e falsas promessas de mães nervosas, que aos gritos berravam a dura e afetuosa expressão; “ainda corto os dedos do pestinha que fez isto no bolo”, nossas festas de aniversários sempre acabavam em um grande sucesso e algumas “dores de barriga”. Culpa do bolo? Jamais, ele era intocável e soberano. Como pensar que um bolo feito a quase dois ou três dias, com muita manteiga e leite de coco fresco, que chegou de Kombi, subiu e desceu de uma guarda roupa várias vezes, foi admirado e soprado por várias vizinhas, comadres e tias – que deixavam suas afetuosas salivas sobre o branco glacê - e que levou várias dedadas, pudesse causar alguma “dor de barriga”? A culpa com certeza era dos pasteizinhos fritos e servidos durante a festa. Acreditem!

Para Ricardo Moreira, novo amigo, de João Pessoa, que nos contou esta memória afetiva da sua infância, aqui retratada livremente com um pouco da minha memória de antigos aniversários, e com a devida inclusão de um pouco de ficção, pois sem ficção, sem sonho, sem invenção e sem um pouco de ilusão, as histórias tornam-se vazias, não verossímil e sem o encanto que nos fazem mergulhar, tornando-as nossa realidade, mesmo que por alguns segundos.

Nesta tigela minha mãe “bateu” muitos bolos de aniversários, com batedor de arame, de mão, de coração!

Laços de Afeto (Mário Quintana)

Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço… Uma fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola. Vira, revira, circula e pronto: está dado o laço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.
É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando…
Devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah, então, é assim o amor, a amizade, tudo que é sentimento.
Como um pedaço de fita enrosca, segura um pouquinho,
Mas pode se desfazer a qualquer hora,
Deixando livre as duas bandas do laço.
Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.
Então o amor e a amizade são isso…
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!

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