A Saga do Bolo de Aniversário

Nas festas de aniversários de antigamente, o bolo confeitado, alvo de todas as atenções, estrela maior da festa, era, quase sempre, encomendado a uma doceira amiga ou a uma tia, madrinha ou irmã, mais prendada nas artes culinárias.

O bolo nunca chegava no dia exato da festa, podendo entrar na casa um ou dois dias antes. A chegada era um acontecimento, aguardado ansiosamente pelo aniversariante, pelas crianças da casa e da rua, e principalmente pelos vizinhos curiosos. Chegava de Kombi, sim de Kombi, ou outro carro do mesmo porte, pois, em geral, eram grandes, necessitando de espaço para a delicada logística de entrega. Alguém segurando, outro dirigindo, e lá vinha o carro anunciando a chegada da estrela. Olhos atentos, vizinhos nas janelas e a matriarca no comando. Não tenho lembrança de qualquer acidente nesta delicada operação, eles eram especialistas no transporte e descarga de bolos.

Uma vez dentro da casa, o lugar mais seguro para guardá-lo, longe dos dedinhos ávidos por uma espetada, por uma furada na densa camada de glacê (branco em geral ou rosa para as meninas e azul para os meninos), era em cima do guarda roupa do quarto principal, local alto e de difícil acesso. Rapidamente, caixas de sapatos e malas eram retiradas, ou simplesmente afastadas, e o imenso bolo era erguido pelos braços dos carregadores. Nós, crianças, entortávamos nossos pescoços seguindo aquela delicada operação de levantamento do bolo confeitado. E lá ficava ele, por um ou dois dias, coberto por um fino tecido tipo filó, guardado especialmente para esta ocasião.

As horas e dias seguintes eram literalmente hilários. Vigilância pesada para as crianças não escalarem o guarda roupa na busca de uma dedada no bolo, vizinhas e parentes que chegavam e eram convidados a apreciar a obra de arte, e aí, o bolo subia e descia das alturas do guarda roupa, várias vezes ao dia. Olhavam-se, admiravam-se, passavam-se mãos delicadas sobre o glacê, falavam-se e sopravam-se sobre o bolo, sabem-se lá quantas vezes.

Enfim, no grande dia, após a casa limpa, mesa com a melhor toalha e jarro de flores naturais, acontecia a cerimônia oficial da descida do bolo do guarda roupa, um acontecimento testemunhado por todos. Para surpresa e desespero da mãe da casa, sempre existia uma dedada no glacê. Aos gritos da matriarca, sem saber como consertar aquele delicioso ato de vandalismo afetivo, proferido contra a estrela maior da festa, as crianças desapareciam como um raio em noite de tempestade. Cansei de testemunhar esta cena, que sempre se encontrava uma solução prática, desde a chamada emergencial da doceira para efetuar o devido reparo no furo, até uma simples escondida, onde se direcionava o lado furado para uma posição que não cruzasse com a visão dos convidados.

Entre decidas e subidas do bolo, dedadas, desesperos e falsas promessas de mães nervosas, que aos gritos berravam a dura e afetuosa expressão; “ainda corto os dedos do pestinha que fez isto no bolo”, nossas festas de aniversários sempre acabavam em um grande sucesso e algumas “dores de barriga”. Culpa do bolo? Jamais, ele era intocável e soberano. Como pensar que um bolo feito a quase dois ou três dias, com muita manteiga e leite de coco fresco, que chegou de Kombi, subiu e desceu de uma guarda roupa várias vezes, foi admirado e soprado por várias vizinhas, comadres e tias – que deixavam suas afetuosas salivas sobre o branco glacê - e que levou várias dedadas, pudesse causar alguma “dor de barriga”? A culpa com certeza era dos pasteizinhos fritos e servidos durante a festa. Acreditem!

Para Ricardo Moreira, novo amigo, de João Pessoa, que nos contou esta memória afetiva da sua infância, aqui retratada livremente com um pouco da minha memória de antigos aniversários, e com a devida inclusão de um pouco de ficção, pois sem ficção, sem sonho, sem invenção e sem um pouco de ilusão, as histórias tornam-se vazias, não verossímil e sem o encanto que nos fazem mergulhar, tornando-as nossa realidade, mesmo que por alguns segundos.

Nesta tigela minha mãe “bateu” muitos bolos de aniversários, com batedor de arame, de mão, de coração!

Several a times, it happens that people specially men feel embarrassed when they wish to purchase other products comprar viagra 50mg Erectile dysfunction became popular amongst the common man not due to its own character but on account of the onde comprar viagra This really is a drug that comes in the form of a pill and comprar viagra 200mg Oriental Viagra or herbal Viagra has treated an incredible number of victims of erectile dysfunction, normally. Compound comprar viagra lisboa As with almost every allopathic medication Viagra also has viagra comprar barcelona Leading 2. - Due Date & Middot; Helps men with ED viagra comprar andorra Available Outlook Express, right-click on Local files, and choose New Folder. When the Create file window opens up, write comprar viagra cialis Sexual activity unarguably is among the most effective gifts of character, and viagra 25mg The 1st guys fitness tip will be to perform a routine exercise in the viagra generico barato The manufacturers of those organic choices to Viagra pills claim they have no unwanted effects. And theyre extremely less expensive comprar viagra ibiza

Laços de Afeto (Mário Quintana)

Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço… Uma fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola. Vira, revira, circula e pronto: está dado o laço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.
É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando…
Devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah, então, é assim o amor, a amizade, tudo que é sentimento.
Como um pedaço de fita enrosca, segura um pouquinho,
Mas pode se desfazer a qualquer hora,
Deixando livre as duas bandas do laço.
Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.
Então o amor e a amizade são isso…
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!

Batata em Conserva Calypso

De acordo com o dono das Batatas em Conserva, a receita irá desandar se o ingrediente Banda Calypso não for utilizado como fundo musical. Bem, siga as instruções deste paraibano, de gosto universal e aberto para todas as experiências culinárias e culturais. Joca é assim, mesmo! Ao mesmo tempo em que cozinha ao som da Banda Calypso, cantando e dançando, pode ser encontrado ao som de Chico Buarque, Amy Winehouse, Elba Ramalho, Bryan Ferry, Tchaikovsky. Diversidade é uma marca deste amigo querido da Paraíba, dono de uma cultura plural, que sempre nos encanta com suas histórias, saberes e sabores. Banda Calypso fica um clássico quando definida por ele, que sempre encontra uma explicação antropológica na mais simples e popular das manifestações culturais.

Ir à Paraíba, em João Pessoa ou Campina Grande, ficar com o Joca, na casa do Joca, é uma diversão que não necessita de mais nada. É puro prazer cultural e sensorial, diversão garantida. Necessitaríamos de vários posts para apresentar o imenso cardápio do universo culinário afetivo deste amigo paraibano. A Batata é apenas um começo.

Voltei para São Paulo, renovado, e na primeira hora desta 2ª feira, 15/08/2011, comprei um CD da Banda Calypso, afinal preciso fazer as Batatas em Conserva. Que bom, abrir mais possibilidades no meu universo cultural culinário, mesmo ao sacrifício da Banda Calypso.

Batatas em Conserva Calypso

Batata em Conserva Calypso

1 – INGREDIENTES

  • 1 kg de batata inglesa pequena
  • 1 colher de chá (cheia) de pimenta calabresa seca
  • 1 xicara de chá de azeitonas verde em rodelas
  • 1 cebola grande picada
  • 1 dente de alha socado
  • ½ xícara de vinagre
  • Sal a gosto
  • Azeite de oliva extra virgem quanto necessário
  • 1 CD da Banda Calypso como fundo musical

 2 – MODO DE PREPARO

  • Ligue o som e coloque o CD da banda Calypso;
  • Misture todos os ingredientes (exceto a batata). Reserve;
  • Lave as batatas e cozinhe com sal (com a casca). Cozinhar ao ponto para não soltar as cascas;
  • Retire as batatas do fogo, escorra e faça furos com ajuda de um palito;
  • Adicione os ingredientes à batata ainda quente. Misture;
  • Coloque em recipiente e complete com azeite até cobrir totalmente as batatas;
  • Leve a geladeira. Pronto, use como aperitivo ou para acompanhar carnes e saladas;
  • Desligue o som e guarde o CD da Banda Calypso.

Ingredientes da Batata em Conserva Calypso

Nosso Pinguim de Inverno

Nosso Pinguim de inverno, saindo de cena e abrindo espaço para nosso Pinguim de 1 ano.

Pinguim de Inverno 2011

Almoço de Domingo com Sopa de Ervilha e Linguiça Calabresa do Lyko

Almoço de domingo em dia de inverno ensolarado

Um almoço de inverno em um domingo ensolarado, com temperatura que mais parecia a minha querida Bahia, e não a antiga e quase inexistente terra da garoa. Assim foi o almoço de domingo do querido amigo Chiquinho, cozinheiro domingueiro, de herança amazonense, que incorporou ingredientes universais à sua cozinha.

Observar o Chico (Lyko) cozinhar é quase um exercício de paciência espiritual. Uma câmera  que lentamente vai capitando um cenário de ingredientes, panelas, aromas e no tempo só dele, se fundem em pratos fortes, de sabores e texturas inigualáveis como as comidas elaboradas na nossa casa materna.

De entrada uma sopa de ervilha com linguiça calabresa, quente como o dia e iluminada como a luz do sol que invadia sem permissão a sala do apartamento.

....a luz do sol que invadia sem permissão a sala ...

Salada de alface crespa, pepino, tomate, cebola e a tentativa de reproduzir o molho da salada do Boro – impossível.

Arroz ao alho e uma carne de panela com batatas, envolvidas em molho escuro e consistente, feito com pimenta Síria, molho inglês, cebola, alho, tomate e sei lá o que mais… uma delicia! Provavelmente uma receita herdada pelas andanças deste Chiquinho que já rodou meio mundo.

Neste cenário de inverno tímido, que insiste em aparecer só quando deseja, subvertendo a ordem natural da estação, optei pela receita da sopa quente de ervilha com linguiça calabresa, que apresentamos a seguir.

Sopa de Ervilha com Linguiça Calabresa

Sopa de Ervilha com Linguiça Calabresa

1 – INGREDIENTES

  • 250 g de ervilha
  • 200 gramas de linguiça calabresa em rodelas
  • ½ litro de água
  • 1 cebola picada
  • 2 dentes de alho socado
  • 1 tablete de caldo de carne
  • Sal e pimenta do reino a gosto
  • Azeite de oliva extra virgem

 2 – MODO DE PREPARO

  • Em uma panela de pressão, refogue a cebola e o alho no azeite de oliva;
  • Adicione a ervilha e refogue mais um pouco;
  • Acrescente a água, o tablete de caldo de carne e a pimenta do reino;
  • Tampe a panela e cozinhe na pressão por cerca de 20 minutos;
  • Deixe esfriar um pouco, abra a panela (cuidado com a pressão) e passe a ervilha no mix ou liquidificador;
  • Volte o caldo para a panela, acrescente a linguiça calabresa, tampe e cozinhe na pressão por cerca de 10 minutos;
  • Deixe esfriar um pouco, abra a panela (cuidado com a pressão) e ajuste o sal;
  • Sirva quente.

Pão de Peito Frito – Memória afetiva culinária da Renata Rodrigues

Histórias afetivas de cozinha, vivenciadas ao longo das nossas vidas, fazem parte da nossa formação pessoal e nos moldam para gostos e comportamentos culinários. Pão de Peito Frito, uma história afetiva vivida na cozinha da avó de Renata Rodrigues, é uma destas memórias inesquecíveis. Divirtam-se! 

Sou descendente de espanhóis e argentino. Na realidade eram todos espanhóis imigrantes, mas por embarcarem no navio errado meus bisavós paternos foram parar na Argentina e não no Brasil como os demais amigos, e só dez anos depois, quando meu avô era um menino, vieram de Tucumán para Sorocaba.  

Há muita história envolvendo a origem brasileira de tudo – e sempre busco um pouco mais dessas lendas familiares antes que seus últimos narradores as esqueçam.  

Tenho muitas lembranças culinárias das minhas avós – cada uma com um estilo diferente, mas ambas as matriarcas de brincos de argola e bigodes de espanholas (“mulher de bigode nem o diabo pode!”).  

Minha avó materna, Dona Nina, tinha forno à lenha no quintal da casa. Sua principal utilização era como máquina de pão – pão caseiro sem igual. 

Após o preparo da massa, como um bebê, ela era posta pra descansar em um quarto quieto e escuro com cobertores acalentando seu sono. Antes de sair do aposento, minha avó retirava uma pequena porção da massa – como uma bolinha de gude – e a mergulhava num copo de vidro (de extrato de tomate Elefante) com água sobre o beiral da janela da cozinha. A gente ficava observando de minuto em minuto a tal bolinha mágica vir à superfície: era o sinal de que a massa estava pronta. 

Meu avô cilindrava a massa, que aos poucos os pães iam tomando forma, sendo levados ao forno que já tinha sua lenha aquecida. Eram dispostos em folhas de bananeira e assados exalando um cheiro inconfundível pelo bairro todo.  

Enquanto isso, os primos se deliciavam catando amoras do pé e ouvindo as mesmas frases sobre manchar a roupa, estragar a fome de pão e algumas outras palavras que não deviam ser muito belas em sua língua natal…  

Quando os pães ficavam prontos era a hora da nossa missão.  Cada neto recebia um pão embrulhado em um guardanapo de pano e um endereço de entrega: casa da comadre Julia, casa do padre, dona Dirce costureira, mercadinho do seu Gomes, farmácia da dona Lurdes e até mesmo nossos lares. E assim incumbidos íamos rápidos como águias, mas felizes como cegonhas, entregar a encomenda ainda quentinha. 

“Fulana, minha vó mandou um pão pra senhora tomar café!” E antes que o rosto apetitoso mandasse o recado de “Deus lhe pague!” já corríamos pelas ruas pensando na aposta de quem chegaria antes de volta e sentaria na cabeceira da mesa do café.  

Quando voltávamos, à mesa estava posta para a nossa simples e deliciosa recompensa: pão quente com manteiga de tablete. Algumas vezes acompanhavam broas de fubá, mantecais, rosquinhas de pinga ou parafusos doces comprados no carro do padeiro que passava toda tarde – e minha avó não negava o presente do pão caseiro ao padeiro, pois era um dos felizardos. Tomávamos café preto recém-coado ou um chá mate forte e doce se tivesse alguma visita mais ilustre.  

Raramente sobravam pães caseiros da Dona Nina para os dias seguintes, mas quando isso ocorria eles tomavam uma consistência pesada e então eram cortados pelas mães com uma faca de serra enorme apoiados sobre o peitoral. Depois “lamecados” de margarina, aquecidos na frigideira e servidos com leite e “Toddy” gelado. Chamávamos essa iguaria de Pão de Peito Frito e nos divertíamos brincando com essa ingênua malícia infantil.  

Outro dia vi o cilindro do meu avô entre as relíquias da minha mãe – voltei no tempo por segundos e pude sentir cheiro do forno da minha avó. Agradeci por essa lembrança culinária, carregada de afeto e saudades… 

Mas afinal, se saudade é o amor que fica, faz bem senti-la de vez em quando…  

Sobre as Rosquinhas de Pinga da Dona Nina

“Seguinte: falei com a minha mãe sobre a rosquinha de pinga. Ela lembrou que minha avó usava o forno quente do pão para assá-las, que é uma adaptação brasileira das rosquinhas de licor de anis da Espanha, por isso que algumas receitas mandam molhar em chá de erva doce no final. Ela disse que a verdadeira rosquinha de pinga é dura – não é como um pão doce – que parece mesmo àqueles parafusos que vendem em padaria pra gente comer mergulhando no café com leite”.

Rosquinha de Pinga – Receita da Minha Avó Dona Nina

  • Aquecer meio litro de óleo – bem quente – pode usar uma casca de pão como termômetro até que fique tostada no óleo;
  • Deixar esfriar um pouco. Esse procedimento “amadurece” o óleo (falava a minha avó);
  • Adicionar ao óleo morno 1/2 litro de pinga – aos poucos e constante – num  “fio de bica” (como água de torneira  aberta um pouco);
  • Nessa mistura adicionar farinha de trigo até dar o ponto de enrolar com as mãos;
  • Fazer tiras compridas enroladas e torcidas, cortar na “medida do pulso” e unir as pontas para fazer uma argola;
  • Assar em forma enfarinhada;
  • Após tirar do forno, mergulhar em água na temperatura ambiente e passar no açúcar refinado (nessa etapa algumas pessoas passam no chá de erva doce);
  • Guardar num recipiente fechado.

Beijinho de Mãe

Recordar a movimentação da minha casa materna, das casas das minhas irmãs, tias e vizinhas na preparação dos aniversários de antigamente, é reviver dias de ansiedade e felicidade que antecediam a grande festa. Grande não no sentido de serem festas suntuosas, mas sim na grandeza da generosidade destas mulheres, que com dedicação e afeto jogavam-se em uma empreitada, quase artesanal, para materializar os sonhos das suas crianças, projetando, acredito, alguns dos seus sonhos de infância.

Participávamos como espectadores desta movimentação, sem perceber a importância deste ritual na formação do nosso gosto culinária, sem entender que estávamos desenvolvendo uma identidade alimentar que nos seguiria por toda vida. O real sentido desta movimentação pode ser entendido de várias formas. Os parágrafos abaixo, descritos no livro De Caçador a Gourmet (Ariovaldo Franco – Editora SENAC), ajudam a decifrar o real sentido desta movimentação, seja na preparação das festas de aniversários ou em qualquer ato culinário.

“A refeição em família é um ritual propício à transmissão de valores. Por meio da aprendizagem de maneiras, sobretudo das de mesa, desenham-se para a criança os contornos do mundo ao qual ela pertence, e as atitudes aprovadas pelo seu grupo social são assimiladas como morna”.

“O gosto é, portanto, moldado culturalmente e socialmente controlado”.

Encantava-me o ritual das mãos no preparo e no enrolar dos beijinhos, brigadeiros e cajuzinhos. O carinho e o afeto destas mulheres passavam para os doces através das suas mãos, incorporando-se aos ingredientes. Qual o sabor de um beijinho elaborado neste ritual de cozinha afetiva? Vivemos em busca destes sabores, destas memórias de infância que nos confortam, nos aquecem e nos acalmam.

Dona Terezinha – Baiana de Itabuna –, querida mãe da querida Alba, é assim. Têm mãos de mãe. Mãe afetuosa que sempre agrega carinho e afeto às suas receitas, a receita do seu beijinho de coco, por exemplo, sempre presente em todas as nossas comemorações. Escrever esta receita é uma tarefa quase impossível. Beijinhos são feitos com leite condensado, (Moça, por favor), coco ralado (fresco, ralado em casa), açúcar, manteiga, gema de ovo e cravo. Difícil é materializar os ingredientes CARINHO e AFETO da Dona Terezinha e o calor das suas mãos, que aquecem, afagam, protegem e enrolam beijinhos de coco.

Beijinho de Coco da Dona Terezinha na Trezena de Santo Antônio - Leite condensado, (Moça, por favor), coco ralado (fresco, ralado em casa), açúcar, gema de ovo, cravo, carinho e afeto

Festa de Aniversário (de antigamente) – post 100!

Uma festa de aniversário de antigamente (anos 60)

O melhor da festa de aniversário de antigamente era a movimentação que acontecia na casa nos dias – ou meses – que antecediam a data festiva. Lembro com muita clareza do corre e corre da minha mãe, irmãs, tias e vizinhas planejando, fazendo reuniões, trocando receitas e bandejas (ninguém tinha bandeja suficiente para suportar uma festinha), em uma união perfeita de comadres.

Uma vez decidido o tema do bolo, as surpresinhas, os docinhos, salgadinhos e bebidas, todas partiam para elaboração da festa. Das movimentações observadas na casa, a mais afetiva e encantadora era a elaboração das comidas. O aroma do bolo assando, pastéis fritando, docinhos sendo enroladas por várias mãos, mãos de carinho e de educação severa, que transitava entre a maciez dos afetos e a dureza dos castigos.

Todas as festas tinham, praticamente, o mesmo cardápio: rabo de tatu – em bandejas forradas de alfaces e decoradas com flores de tomates vermelhos e pétalas de pimentões verdes –, pastéis de carne, quibes, empadinhas, pãezinhos – pão de forma em triângulo, sem a casca, com recheio de patê de presunto ou queijo. Para os pãezinhos, havia um ritual curioso de cobrilos após o preparo com um pano de prato úmido, evitando o ressecamento, uma sabedoria de mãe, de tia, de madrinha.

Na mesa farta, com o bolo confeitado e salgados diversos, coberta com a melhor toalha da casa (provavelmente do enxoval do casamento) e com lindo jarro de flores naturais, ainda eram colocados os pratinhos, copos, taças, talheres, surpresinhas, brigadeiros, beijinhos, olhos de sogra e cajuzinhos. Para os adultos sempre havia um peru assado em fatias, “proibido” para as crianças, que ignoravam o rigor da proibição, desobedecendo sorrateiramente às ordens das matriarcas.

Algumas festas serviam refrigerantes, k-suco e um ponche sem álcool, cor de vinho, doce como mel, minha melhor lembrança das bebidas, nos fazendo sentir adultos.

Toda esta memória afetiva de aniversários veio através da releitura do livro “O SAL É UM DOM – Receitas de Mãe Canô” (De Mabel Veloso / Fotografias de Maria Sampaio – Corrupio / Nova Fronteira 2008). Na página 40, encontra-se uma foto em P&B de uma afetiva mesa de aniversário pronta, prontinha para a festa. As bandejas extrapolam os limites da mesa, invadindo as peças e cristaleiras da mobília da sala, muito comum nas festas de antigamente, igual como era feito na minha casa materna e casas dos meus parentes e amigos.

Hoje, as festas de aniversários são planejadas via internet, em sites de compras coletivas, em buffets frios e de plásticos, sem aroma de bolo, sem mãos carinhosas para enrolar docinhos e sem a movimentação afetiva das casas. Contratamos tudo, chegamos com nossas crianças na hora da festa, sorrimos, ficamos felizes por algumas horas, e horas depois nos esquecemos de tudo, ou quase tudo, pois as maquininhas digitais irão armazenar as 500 ou mais fotos, que serão esquecidas nos nossos PCs. Nas festas de aniversários de hoje não impregnamos nossa memória com o principal ingrediente fixador das lembranças eternas: o envolvimento de quem amamos como testemunha do nosso afeto no ato caseiro do preparo, no ato afetivo da cozinha.

Outra festa de aniversário de antigamente (anos 60)

____________________________

Ao meu irmão DôDô, in memoriam!

Molho Oriental

Não lembro onde e quando fiz este molho para massas (ou para outros acompanhamentos) pela primeira vez. Provavelmente em algum momento buscando na geladeira e nos armários ingredientes diferentes, que combinados pudessem resultar em algum prato especial, diferente, afetivo.

O molho oriental é muito fácil e de rápido preparo. Todos os ingredientes de origem oriental são facilmente encontrados no bairro da Liberdade em São Paulo.

Como estamos na Cozinha Afetiva, as quantidades dos ingredientes podem ser adequadas ao paladar dos cozinheiros ou mesmo substituídos. Nas dicas apresentamos algumas alternativas.

Molho Oriental

1 – INGREDIENTES

  • 200 g de shimeji preto fresco
  • 12 cogumelos frescos
  • 12 aspargos frescos em pedaços (+/- 400 g)
  • 100 g de manteiga
  • 100 g de camarão seco sem casca
  • 100 g de massa de peixe (Ajitaka)
  • 15 colheres de sopa de shoyu
  • 1 cebola grande picada
  • 2 dentes de alho socado
  • 3 colheres de sopa de azeite de oliva extra virgem
  • 2 colheres de chá de gengibre em pó
  • 2 colheres de chá de açúcar
  • 1 colher de chá raiz forte
  • ½ colher de chá de House Spice
  • Sal a gosto

House Spice e Raiz Forte

2 – MODO DE PREPARO

  • Cozinhe o aspargo deixando tenro. Reserve;
  • Frite a cebola até dourar no alho e na manteiga. Adicione o camarão seco e refogue;
  • Adicione o shimeji e os cogumelos e continue refogando;
  • Adicione o shoyu e logo em seguida a gengibre, o açúcar, a raiz forte e a House Spice. Misture tudo e continue refogando;
  • Por fim, adicione a massa de peixe e os aspargos. Ajuste o sal e refogue mais um pouco;
  • Desligue o fogo e adicione o azeite de oliva extra virgem;
  • Sirva com massas, arroz ou pães.

3 – DICA

  • Os ingredientes orientais House Spice e raiz forte podem ser substituídos por pimenta calabresa seca;
  • A massa de peixe pode ser retirada da receita ou substituída por bacalhau.
Powered by WordPress | Designed by: Free MMO Games | Thanks to MMORPG List, Video Game Music and VPS hosting

Notice: ob_end_flush(): failed to send buffer of zlib output compression (1) in /home/cozinhaafetiva/www/wp-includes/functions.php on line 2914

Notice: ob_end_flush(): failed to send buffer of zlib output compression (1) in /home/cozinhaafetiva/www/wp-includes/functions.php on line 2914