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Doce Cremoso de Laranja e Ovos – Arqueologia I
Postado por jumar em 29 abril 2015
Recuperar sabores perdidos, receitas antigas, é uma tarefa arqueológica. A arqueologia estuda os modos de vidas, culturas, hábitos e sociedades do passado, já extintos, partindo da análise de vestígios materiais. Mas que vestígio material poderia ter uma receita não escrita, um sabor perdido? A resposta é simples: nossa memória afetiva culinária. Os sabores que aprendemos a gostar, os aromas, as texturas, estão gravados na nossa memória, destas lembranças partimos para nossas investidas arqueológicas culinárias.
Na minha casa materna era feito um doce do suco da laranja com ovos. Um sabor inesquecível, perdido e nunca mais repetido na família. O sabor, a textura e a cor deste doce estão bem guardados a espera de uma investida arqueologia culinária.
Depois de muitas conversas e comentários sobre o extinto doce de laranja com ovos, o meu lado Indiana Jones (o mais famoso dos arqueólogos) foi à cozinha com apenas o sabor guardado na memória. O resultado foi quase satisfatório, o prazer foi imenso, o sabor surpreendente. É mesmo impressionante como sabores e aromas fazem parte do nosso DNA, da nossa memória.
O doce ficou pastoso, ainda não sei o que deu errado, mas o sabor é igual, igual. Esta versão irei chamar de Doce Cremoso de Laranja e Ovos – Arqueologia I. Pode ser degustado puro, como geleia ou usado para coberturas e recheios. Receita abaixo.
1 – INGREDIENTES
- Suco de 6 laranjas (não retirar os gominhos)
- 4 ovos
- 2 xícaras de açúcar refinado
- Cravo e canela em pau a gosto
2 – MODO DE PREPARO
- Em uma panela média adicione o suco das 6 laranjas, o açúcar, o cravo e a canela em pau;
- Em fogo médio/ alto cozinhe a calda acima até ponto de fio;
- Bater as claras em neves, adicionar as gemas. Reserve;
- Quando a calda atingir o ponto de fio, adicione de uma única vez os ovos batidos, cozinhar até formar uma pasta cremosa.
3 – DICAS
- Cuidado com o tempo de cozimento do suco mais açúcar. Se passar do ponto pode caramelizar;
- Usar panela média ou grande. Quando os ovos batidos são adicionados o volume do doce aumenta, no momento, e pode derramar.
Sabores do Quilombo
Postado por jumar em 22 abril 2015
Um resgate precioso das receitas caseiras e afetivas está presente na primeira edição do Livro Sabores do Quilombo. Esta primeira edição eterniza e difunde receitas centenárias e deliciosas, mantidas na íntegra pela hospitaleira Comunidade Quilombola Chacrinha, em Belo Vale (MG).
Para [DOWNLOAD GRATUITO] Acesse:
http://www.seppir.gov.br/publicacoes/livro-sabores-do-quilombo
Abaixo reproduzimos a receita 17.
17. Biscoito Calcanhar de Nego
Ingredientes:
1 kg de polvilho doce peneirado
1 prato de queijo meia cura ralado
11 ovos pequenos
1 copo americano de farinha de milho (beiju)
1 copo americano de leite
350 ml – sendo metade manteiga derretida e metade óleo 1 colher de sobremesa de sal
1 colher de sobremesa de erva doce
Modo de fazer
Coloque o leite, a farinha de milho e espere-a inchar. Junte polvilho, queijo, sal e erva doce, misturando os ingredientes com as mãos. Acrescente manteiga, óleo, ovos e misture tudo. Enrole os biscoitos em forma de argola e leve para assar.
Molho Mignon em Lento Cozimento
Postado por jumar em 21 abril 2015
Fazer molhos para massas é uma diversão, sempre. Massa é um tipo de prato que suporta tudo, tudo mesmo. Desde um salsicha em lata, de beira de estrada, com extrato de tomate até trufas negras e foie gras. Hoje, fomos para cozinha, sem muito ideia, para fazer um molho para um penne. Partir de 1 kg de filé mignon em cubinhos e o resto dos ingredientes foram pescados na geladeira e nos armários. Tinha tempo, muito tempo, então resolvi que faria um molho em fogo muito baixo, cozinhando lentamente. Tudo que é feito no fogo e forno lentamente é muito mais saboroso, macio, suculento.
1 – INGREDIENTES
- 1 kg de filé mignon em cubinhos (ou colchão mole)
- 4 cebolas médias cortadas
- 1 cebola roxa grande cortada
- 5 dentes de alho
- 1 pimentão vermelho em tirinhas
- 6 tomates maduros, sem sementes, em tirinhas
- 1 limão siciliano
- Sal, gengibre em finas lascas (prefiro a japonesa em conserva) pimenta do reino e cheiro verde (salsinha, cebolinha e coentro), a gosto
- 690 g de molho de tomate (usei Paganini)
- 1 caixinha de creme de leite (200 g – usei Nestlé)
- 500 g de massa grano duro penne (pode ser outro tipo de corte – usei Petybon)
- 3 a 5 xícaras de água
- Azeite de oliva extra virgem
2 – MODO DE PREPARO*
- Tempere a carme com o sal, a pimenta do reino e o suco do limão siciliano, reserve;
- Refogue a cebola e o alho no azeite de oliva extra virgem, lentamente;
- Adicione a carne, refogue lentamente;
- Acrescente 3 xícaras de água e o cheiro verde, cozinha lentamente;
- Adicione a gengibre e o pimentão em tirinhas e continue cozinhando lentamente. Tampe a panela;
- Se necessário adicione mais água durante o lento cozimento;
- Acrescente o molho de tomate, cozinhe um pouco e adicione o tomate em tirinhas. Deixe levantar fervura;
- Adicione o creme de leite, ajuste o sal e desligue o fogo.
* Este molho levou 5 horas em fogo muito baixo.
Bala Dura
Postado por jumar em 19 abril 2015
Uma infância sem muitos doces industriais, sem balas industrializadas em larga escala, mas com doces de frutas caseiras e este tipo de bala, mais artesanal. São balas duras, base açúcar e com outros ingredientes para conferir sabor e cor. Lembro bem dos sabores doce de leite, caramelo, café e chocolate. Ainda são encontradas, especialmente, no norte e nordeste do Brasil. Adoro!
Manifesto Colher de Pau
Postado por jumar em 15 abril 2015
A colher de pau está impregnada de cultura, afetos, memória e sabor. É utensílio indispensável na cozinha brasileira, utilizada no dia a dia dos lares, seja no campo ou na cidade. Faz parte do ritual culinário, com seu acervo de gestuais e saberes.Segundo o sociólogo Gilberto Freyre, o artefato de madeira estava presente na culinária dos povos indígenas. Por ser um objeto emblemático e milenar, que mexe com múltiplas questões alimentares, a colher de pau foi escolhida como elemento simbólico da campanha Comida é Patrimônio, lançada pelo Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN). O ícone da colher na identidade visual da campanha representa nossa diversidade em produzir, preparar, servir e comer. Como parte das ações estratégicas dessa mobilização, o Fórum lança com exclusividade o Manifesto Colher de Pau, de autoria do antropólogo e museólogo Raul Lody, pesquisador na área de alimentação, com diversos livros publicados e idealizador do Museu de Gastronomia Baiana (Fonte: www.fbssan.org.br).
Manifesto Colher de Pau
Manifesto Colher de PauPela salvaguarda das cozinhas regionais e tradicionais do Brasil, e com respeito aos acervos culinários que são também identificados nos conjuntos de objetos de madeira, metal, fibra natural trançada, cerâmica entre outros; conjuntos de objetos variados e fundamentais ao ofício de se fazer a comida e possibilitar a preservação das receitas, e ainda preservam a estética de cada prato e o seu serviço em diferentes espaços e ambientes sociais. A comida servida à mesa, em banca, sobre esteira, sobre folha de bananeira, traz vivências das muitas experiências culturais de comensalidade nos cenários das casas, dos mercados, das feiras, dos restaurantes, dos templos, entre tantos outros. Pela segurança alimentar e principalmente pela soberania alimentar o “Manifesto Colher de Pau” quer valorizar cada objeto, implemento de cozinha, e rituais sociais de oferecimento de comida e bebida como forma de preservação do exercício dos saberes tradicionais e indentitários de famílias, regiões, segmentos étnicos, religiões; e, em destaque, a compreensão plena da importância técnica e simbólica de cada objeto. Assim, morfologia, material, função, trazem memórias ancestrais que são definidoras das peculiaridades das culturas e dos povos que são identificados em cada objeto. Objeto vinculado ao que se entende por “patrimônio integrado” no entendimento contemporâneo de patrimônio cultural imaterial. Respeitar e manter estes acervos materiais nas cozinhas, e nos serviços, garantem os espaços de singularidade e de peculiaridade dos nossos sistemas alimentares de brasileiros, e os acervos significativos dos sabores, da construção dos paladares, ações que se dão no exercício das culturas (Fonte: www.fbssan.org.br).
Feijão-de-Corda
Postado por jumar em 13 abril 2015
Dados sobre Feijão-de-Corda, do livro Alimentos Regionais Brasileiro. No portal www.saude.gov.br/promocaodasaude, é possível baixar a versão digital completa do livro.























