A Cozinha Afetiva de Natal da Minha Mãe – O Queijo Palmyra

 

Queijo Palmyra

Palmyra é um queijo tipo Reino muito tradicional. O nome Palmyra se deve ao fato de que a produção deste tipo de queijo começou na serra da Mantiqueira, mais especificamente na região de Palmyra, estado de Minas Gerais, hoje Santos Dumont*. Produzido por queijeiros holandeses em 1876, a partir de uma adaptação do queijo holandês Edam, o queijo tipo Reino teve sucesso imediato devido à sua qualidade que superava o original holandês. Mantêm características notáveis, que tornaram este tipo de queijo um dos grandes queijos nacionais. É acondicionado na tradicional embalagem de lata, que além de proteger o queijo, ajuda no processo de maturação. A casca vermelha e o seu tempo de maturação, com um mínimo de três meses, são fatores decisivos para um sabor peculiar e um queijo bastante aromático.

Queijo Palmyra na minha casa de infância era queijo de festa. A cuia de lata era aproveitada como comedor ou bebedor para os bichos do quintal. A casca vermelha, rezava a lenda, não podia ser comida pelas crianças: fazia mal, podia provocar “dor de barriga”. Na nossa visão infantil, porém, a cor vermelha-rosa da casca era um grande atrativo, e não resistindo ao proibido, nós as comíamos escondidos. Nunca tivemos “dor de barriga”, confesso!

É muito difícil encontrar o Palmyra em cuia – lata em São Paulo. Indico três prováveis locais: Galeria dos Pães (http://www.galeriadospaes.com.br), Padaria Dengosa (da Melo Alves, 281 – Jardins) e o Mercado Municipal (http://www.mercadomunicipal.com.br).

*O município de Santos Dumont situado na Zona Mata (MG), aproximadamente 207 km de Belo Horizonte e a 235 do Rio de Janeiro. Seu nome é uma homenagem ao conterrâneo Alberto Santos Dumont, o inventor do avião. Foi Fundada por João Gomes, pai do inconfidente José Aires Gomes, com o nome de Palmira e só mudou de nome por causa de Santos Dumont.

Several a times, it happens that people specially men feel embarrassed when they wish to purchase other products comprar viagra 50mg Erectile dysfunction became popular amongst the common man not due to its own character but on account of the onde comprar viagra This really is a drug that comes in the form of a pill and comprar viagra 200mg Oriental Viagra or herbal Viagra has treated an incredible number of victims of erectile dysfunction, normally. Compound comprar viagra lisboa As with almost every allopathic medication Viagra also has viagra comprar barcelona Leading 2. - Due Date & Middot; Helps men with ED viagra comprar andorra Available Outlook Express, right-click on Local files, and choose New Folder. When the Create file window opens up, write comprar viagra cialis Sexual activity unarguably is among the most effective gifts of character, and viagra 25mg The 1st guys fitness tip will be to perform a routine exercise in the viagra generico barato The manufacturers of those organic choices to Viagra pills claim they have no unwanted effects. And theyre extremely less expensive comprar viagra ibiza

A Cozinha Afetiva de Natal da Minha Mãe – Pão Doce de Natal

Pão Doce de Natal

O Pão Doce de Natal sempre foi o “patinho feio” da nossa mesa de Natal, e era função do meu pai a compra do pão natalino na padaria. Estava sempre presente e sobrava inteirinho para ser devorado com queijo Palmyra no café da manhã do dia 25. Acho que era a “missão do pão”, além de enfeitar e compor a mesa, só ser comido no dia seguinte. O Pão Doce de Natal tinha formato de rosca, era decorado com frutas, açúcar e um creme de baunilha amarelinho. Não lembro quando este pão foi substituído pelos atuais Panetones na nossa mesa, mas sinto saudades do aroma, da cor e do sabor, e especialmente do ritual da chegada deste pão à nossa casa na véspera do Natal. Em certos Natais havia congestionamento de Pão Doce, pois, sempre alguém trazia mais um de presente para nossa ceia.

Como nosso pão era de padaria, pesquisamos receitas na internet. Mais uma vez, optamos pela receita do Mais Você (Ana Maria Braga – Rede Globo).

Pão Doce de Natal

1 – INGREDIENTES

  • 6 tabletes de fermento
  • 1 colher de chá de açúcar
  • 1 xicara de chá de farinha de trigo
  • 1 xicara de chá de água morna
  • 4 ovos
  • 12 colheres de açúcar
  • 3 colheres, bem cheias de margarina
  • 1 colher, bem cheia de manteiga
  • ½ litro de leite morno
  • 1 colher de café de sal
  • 1 kg de farinha de trigo

2 – MODO DE PREPARO

  • Dissolva o fermento em uma colher de chá de açúcar, junte a água morna, em seguida misture a farinha. Cubra e deixe crescer até dobrar de volume.
  • Em separado, bata muito bem os ovos com o açúcar, a margarina (derretida e morna), a manteiga, o leite e o sal.
  • Junte ao fermento já crescido e misture a farinha de trigo aos poucos sovando muito bem até abrir bolhas. A massa tem que grudar de leve nas mãos e não pode ficar pesada.
  • Unte uma forma com manteiga e polvilhada com farinha.
  • Corte a massa em pedaços iguais e forme tranças, deixando crescer até dobrar de volume.
  • Pincele com uma gema de ovo e polvilhe com açúcar (pode ser de confeiteiro, refinado ou cristal).
  • Asse em forno pré-aquecido por mais ou menos 30 minutos.

Pão Doce de Natal na Padaria

Eles Não Usam Black-Tie

As noites em Feira de Santana, cidade a 100 km de Salvador (BA), eram silenciosas e calmas. Morávamos na Praça da Matriz, não tínhamos TV em casa, o café da noite era por volta das 18 – 19 horas e o sono chegava sempre por volta das 20 – 21 horas. Café da noite é (ou era) um hábito baiano. À noite não havia jantar na nossa casa, tínhamos o café da noite muito farto e variado: sopas, em geral com as sobras do almoço, cuscuz de milho, batata doce cozida, aipim (macaxeira), ovo frito, requeijão*, mingau de tapioca, milho ou maizena, banana frita, pão torrado, bolo, bolacha, café, leite. Assim era o nosso cardápio e a nossa rotina alimentar noturna.

O silencio das noites desta fase é uma lembrança ainda muito viva na minha memória, que só era quebrado pelas cigarras e grilos, um latir de cachorro ou um miar de gato. Dentro da casa, o silencio era compartilhado com nossas vozes e o rádio da familia, hora falando de esportes, hora de nóticias, hora de novela. O melhor barulho, entretanto, vinha da cozinha da minha mãe. Nunca os pratos dormiam sujos ou a cozinha desarrumada, pois tudo deveria estar pronto para as intensas atividades do dia seguinte. Dos barulhos noturnos da cozinha afetiva de minha mãe, o que mais tenho saudades era o barulhinho do catar feijão, um ritual que antecedia ao preparo do feijão do dia a dia.  

O feijão era guardado em lata (do conjunto de mantimentos), da lata era retirada uma medida, que era jogada sobre a mesa forrada com toalha plástica (em geral estampada com frutas, flores ou quadriculada), e aí, a dona da cozinha começava a separar o feijão bom do feijão ruim, pedrinhas e outras impurezas. O feijão bom era aparado em uma bacia de alumínio, que produzia um som mágico que funcionava como um aviso de fim de noite. Este ritual era repetido pelo menos quatro vezes na semana, e tínhamos participação direta, pois era permitido a nossa participação na catação, porém com muita atenção para não deixar passar feijão ruim ou impurezas para a bacia de alumínio.

Lembrei-me deste ritual em novembro, no sítio do meu irmão, observando as mulheres da casa reunidas na cozinha para catar uma grande quantidade de feijão para uma feijoada de domingo… herança culinária afetiva.

Herança Culinária Afetiva

Catar Feijão - Minha Irmã Dalva

Catar Feijão - Minha Sobrinha Neta Joseane

A lembrança da minha mãe catando feijão é uma memória afetiva forte na minha vida, tão emocionamte como a cena final do filme Eles não usam black-tie**, onde em um silêncio gritante Fernanda Montenegro e Gianfrancesco Guarnieri protagonizam uma das cenas mais espetaculares do cinema mundial (ver no link http://www.youtube.com/watch?v=jZjcX851deQ&feature=related – total de 9min 54seg – A cena encontra-se entre 2min 45 seg e 7min 32sg).

Fernanda Montenegro & Gianfrancesso Guarnieri - Cena Final

Fernanda Montenegro e Gianfrancesco Guarnieri - Cena Final - Eles não usam black-tie

*Requeijão Há quem diga que nosso requeijão é muito gordo, e é mesmo, afinal é na produção dele que se extrai a manteiga caseira. Bem, para os tradicionais adoradores ele tem um sabor mais forte e não compete com nenhum outro tipo de queijo. É muito comum no nordeste brasileiro. Fora o queijo Palmyra, que só entrava na nossa casa no São João, Natal e Ano Novo (era um queijo de festa), o requeijão era nosso queijo do dia a dia. Em São Paulo podemos encontrar requeijão no Mercado da Lapa (Rua Herbart, 47 – Lapa – Zona Oeste – 3832-1834 / 3641-3946 – segunda a sexta, das 8h às 19h – sábado, das 8h às 18h – http://www.encontralapa.com.br/lapa/mercado-da-lapa.shtml), direto da Bahia.

**Eles não usam black-tie – É uma peça de cunho sócio-político escrita por Gianfrancesco Guarnieri em 1958. A direção da peça foi realizada por José Renato com músicas de Adoniram Barbosa e encenada no Teatro de Arena, um pequeno teatro de noventa lugares em frente à praça da Consolação em São Paulo. Em 1981 Leon Hirszman, com fotografia de Lauro Escorel, dirigiu a versão para o cinema da peça Eles não usam black-tie.

Personagens

1958 – Peça

1981 – Filme

Otávio

Eugênio Kusnet

Gianfrancesco Guarnieri

Romana

Lélia Abramo

Fernanda Montenegro

Tião

Gianfrancessco Guarnieri

Carlos Alberto Ricclli

Maria

Miriam Mehler

Bete Mendes

Cartaz

Cartaz do Filme - 1981

O Pudim de Nozes Afetivo da Dona Laura

Memórias afetivas ativadas, algumas receitas de orientação e a mão de uma pequena para quebrar nozes. A memória afetiva culinária de Laura Noce foi reescrita. Abaixo o comentário publicado no Facebook.

“Segue o pudim afetivo, depois de muitas marteladas de uma mão pequena no saquinho de nozes, muitas memórias e muita diversão!”

O PUDIM DE NOZES

Pudim de Nozes da Dona Laura

Bolachinhas de Natal Decoradas

A edição do dia 14/12/2010 do Jornal Hoje, Rede Globo, apresentou uma reportagem sobre Bolachinhas de Natal Decoradas.

A fabricação das bolachas decoradas com desenhos natalinos é uma tradição muita antiga que surgiu na idade média nos conventos e mosteiros da Alemanha, sendo mantida até hoje pelos descendentes de alemães em Santa Catarina, estado onde foi realizada a matéria. São de fácil preparo, lúdicas e ideais para o preparo com crianças.

Fazer Bolachinhas de Natal Decoradas com nossas crianças ajuda a construção da memória afetiva culinária.

Os formatos são variados e temáticos.

Mão na massa e na criatividade ... construindo nossa identidade afetiva culinária ... memória de infância.

Formatos Natalinos.

Para colorir é só usar anilina e glacê. A dica é abusar da imaginação e inventar os mais diferentes desenhos.

Os sabores, cores e possibilidades decorativas das Bolachinhas de Natal Decoradas aguçam nossa memória afetiva culinária.

Receita das Bolachinhas de Natal

1 – INGREDIENTES

Bolachas

  • 3 ovos
  • 3 xícaras de açúcar
  • 1 xícara de manteiga
  • 1 xícara de leite
  • 1 colher de sopa de baunilha
  • 1 colher de sopa de fermento
  • 1 colher de sobremesa de sal amoníaco*
  • Farinha de trigo para até engrossar a massa

*Sal amoníaco, ou cloreto de amônio, funciona como fermento e ajuda a manter as bolachas mais sequinhas e crocantes por um prazo mais prolongado.  

Glacê (para decoração)

  • 200 gramas de açúcar de confeiteiro
  • 2 claras
  • 1 colher de suco de limão
  • Anilina (cores diversas)

2 – MODO DE PREPARO

Bolachas

  • Misture o açúcar, a manteiga e os ovos.
  • Bata bem até fazer um creme.
  • Depois misture o leite, a baunilha, o fermento e o sal amoníaco.
  • Bata de novo. Vá acrescentando a farinha de trigo até engrossar a massa.
  • Abra a massa com um rolo e corte com forminhas de formatos variados. 
  • Asse em forno quente por mais ou menos dez minutos. 

Glacê (para decoração)

  • Bata todos os ingredientes em uma batedeira.
  • Acrescente anilina para dar cor e use o glacê para decorar as bolachinhas com ajuda de bicos de confeiteiro.

IDÉIAS DE BOLACHINHAS DE NATAL DECORADAS

 

PARA DECORAR A ÁRVORE DE NATAL

 

PARA COMPOR A DECORAÇÃO DO ARRANJO DA MESA NATALINA

Pudim de Nozes do Natal – O Desafio

Uma menina mineira acompanhava sua afetiva mãe na cozinha, com a função de quebrar nozes. As nozes eram enroladas em pano de prato, e com ajuda de um martelinho de amaciar carne eram delicadamente quebradas, sem barulho e sem misturar as cascas com as amêndoas. Um ritual de infância para o preparo do Pudim de Nozes da família “Noce”, em Belo Horizonte, servido nos Natais, e que ajudou na formação da memória afetiva culinária da Laura Noce, ex-colega de trabalho, amiga querida, que segue uma carreira consistente em marketing.

O desafio encontra-se abaixo, através da troca de mensagens no Facebook.

Esperamos que as 5 receitas descritas neste post, possam ajudar a renascer a memória culinária do Pudim de Nozes, que marcou a infância da Laura, e continua provocando grandes momentos de afetividade, através das lembranças do ritual de preparo e das lembranças sensoriais deste Pudim de Nozes.

 PUDIM DE NOZES – I (http://receitas.maisvoce.globo.com)

 1 – INGREDIENTES

 Pudim

  • 24 nozes
  • 2 latas de leite condensado
  • 2 latas de leite de vaca (medida na lata do leite condensado)
  • 2 ovos
  • 2 colheres (sopa) de chocolate

 Calda

  • 1 xícara de açúcar
  • 2 xícaras de água
  • 1 lata de creme de leite sem soro (para servir)

2 – MODO DE PREPARO

  • Faça a calda numa panela primeiramente. Derreta o açúcar até queimar, acrescente a água e depois que ferver bem e estiver numa consistência caramelada, despeje na vasilha do pudim.
  • Bata num liquidificador, as nozes, em seguida acrescente, o leite de vaca, o leite condensado, os ovos e depois o chocolate.
  • Leve ao forno pré-aquecido em banho-maria e depois de 1 hora e 20 minutos, retire.
  • Deixe esfriar, desenforme, leve a geladeira e sirva com o creme de leite sem soro para quebrar um pouco o sabor forte das nozes.

PUDIM DE NOZES – II (http://guiadereceitas.uol.com.br) 

1 – INGREDIENTES

  • 1 lata de leite condensado
  • 2 latas (medida na lata do leite condensado) de leite vaca
  • 1 xícara (chá) de nozes moídas
  • 4 ovos
  • 1 colher (sopa) de essência de baunilha
  • 1 xícara (chá) de açúcar para caramelo
2 – MODO DE PREPARO

  • Coloque numa panela o açúcar e leve ao fogo mexendo sempre até que derreta e vire caramelo.
  • Espalhe por uma fôrma e reserve.
  • No liquidificador, bata os demais ingredientes e despeje na fôrma caramelada.
  • Leve ao forno preaquecido por 40 minutos.
  • Retire do forno, espere amornar e leve à geladeira por 3 horas.
  • Desenforme e sirva.

 PUDIM DE NOZES – III (http://pt.petitchef.com)

1 – INGREDIENTES

Pudim

  • 1 lata de leite condensado
  • 4 ovos
  • 1 ½ xícara (chá) de leite de vaca
  • 1 colher (chá) de baunilha
  • 1 colher (sobremesa) de amido de milho
  • 5 biscoitos do tipo champanhe, picados

 Caramelo

  • 1 xícara (chá) de açúcar
  • ½ xícara (chá) de nozes picadas

2 – MODO DE PREPARO

  • Bata no liquidificador o leite condensado, os ovos, o leite, a baunilha e o amido de milho.
  • Caramelize uma forma para pudim com o açúcar e distribua as nozes picadas sobre o caramelo.
  • Coloque a mistura batida e sobre ela os biscoitos picados.
  • Leve ao forno, em banho-maria, por cerca de 50 minutos.
  • Espere amornar e desenforme.
  • Sirva gelado.

 PUDIM DE NOZES – IV (http://www.receitinhas.com.br) 

1 – INGREDIENTES

  • 2 latas de leite condensado
  • 200 grs de nozes trituradas
  • 4 ovos
  • 1 lata (medida na lata do leite condensado) de leite de vaca

2 – MODO DE PREPARO

  • Bata bem tudo no liquidificador.
  • Leve ao forno pré-aquecido em banho-maria, aproximadamente 40 minutos.
  • Deixe amornar e decore com nozes e fios de ovos. 
  • Sirva gelado. 

PUDIM DE NOZES – V (http://sobretudo.org

1 – INGREDIENTES

  • 8 ovos
  • 16 colheres (de sopa) de Açúcar
  • 250 g de nozes raladas
  • 200 g de ameixas pretas

2 – MODO DE PREPARO

  • Bata como para suspiro as 8 claras com 8 colheres de açúcar.
  • Junte as 250 g de nozes (raladas a máquina) e misture bem.
  • Coloque essa massa em fôrma untada com manteiga e leve ao forno para corar.
  • Ponho num prato e cubra com o Doce de Ovos:

DOCE DE OVOS:

  • Leve ao fogo, em uma panela pequena, uma xícara (de chá) de água e 200 g de açúcar, até dar ponto-de-fio.
  • Retire do fogo e deixe esfriar.
  • Junte 8 gemas passadas por peneira e leve ao fogo brando, mexendo sempre com uma colher de pau, até engrossar.
  • Cubra o pudim com este doce de ovos e coloque compota de ameixas pretas ao redor.

Comida Afetiva, Capeba e Mingau de Cachorro

Nas bancas no domingo (12 de dezembro) a revista Época, com uma matéria sobre COMIDA AFETIVA. A repórter Flávia Pinho (com belas fotos do Rogério Voltan) apresenta uma abordagem interessante de restaurantes paulistanos que fazem sucesso cozinhando receitas de família como antigamente. Dos cinco citados (AMICI/5641-9110, BETH COZINHA DE ESTAR/3073-0354, CASA DA LI/3871-1002, DALVA E DITO/3068-4444 e LÁ NA VENDA/3037-7702), posso atestar dois; o Dalva e Dito e o Lá na Venda, este último com decoração super afetiva e com venda de coisinhas de “casa de mãe”. Outra curiosidade do Lá na Venda é o “Bolo de Nada”, mas vamos deixar para outros posts a apresentação destes restaurantes afetivos e voltar à matéria da Época, onde temos uma definição muito legal para Comida (ou Cozinha ou Culinária) Afetiva: “Mais do que uma culinária farta e descomplicada, trata-se de uma derivação da comida caseira e envolve necessariamente uma boa dose de emoção, bem como lembranças afetuosas – tanto de quem cozinha quanto de quem come.”

Outro destaque da reportagem é o depoimento do Alex Atala: “Todas as grandes cozinhas do mundo, a exemplo da japonesa e da italiana, usam como base a comida familiar”, diz. “Acho o termo comfort food, em inglês, horrível, mas é bom que estejamos finalmente aprendendo a valorizar os sabores que formaram o nosso paladar.

Horrível mesmo o termo comfort food para definir nossa comida caseira, nossa cozinha afetiva nacional. Não define nada. Sempre associei este termo à “comida de hospital” ou uma comidinha para tratar uma “dorzinha de barriga”. Na minha infância fui tratado muitas vezes com “mingau de cachorro” e “chá de capeba”, um ato muito afetivo da minha mãe, que usava da sua sabedoria popular na condução das pequenas enfermidades caseiras. Bem, acho que estas comidinhas e bebidinhas medicinais até que poderiam ser denominadas de comfort food, pois era um conforto e um alivio a sensação de bem-estar após o tratamento, com recompensa real para cair de cabeça, de boca e de estômago nas verdadeiras COMIDAS AFETIVAS da COZINHA AFETIVA da minha mãe.

Capeba - Planta Medicinal

Receita de Mingau de Cachorro

  • Pegue um dente de alho, pique e coloque no liquidificador.
  • Adicione 2 copos duplos de água.
  • Coloque uma colher de sopa de farinha de guerra (farinha de mandioca).
  • Adicione uma pitada de pimenta do reino, uma pitada de sal e ½ colher de chá de azeite de oliva extra virgem.
  • Bata tudo no liquidificador, coloque em uma panela e leve ao fogo.
  • Deixe chegar ao ponto de fervura, a aparência vai ser de um mingau ralo.
  • Deixe esfriar um pouco e tome como se fosse uma sopa. 

Uma variação deliciosa do Mingau de Cachorro, para não enfermos, é adicionar mais pimenta, sal e uma colher de sobremesa de manteiga. Quebre um ovo dentro da mistura, quando chegar ao ponto de fervura,  continue mexendo. Deixe esfriar um pouco e tome como se fosse uma sopa.

 No link abaixo a matéria completa da revista Época.

http://revistaepocasp.globo.com/Revista/Epoca/SP/0,,EMI194925-16206-1,00-COMIDA+AFETIVA.html

O Arroz de Palma

O texto abaixo, página 11 do livro O ARROZ DE PALMA (Editora Record, 2008), nos foi apresentado, via e-mail, por um companheiro de trabalho, Paulo Ferrari, como mensagem de final de ano. O livro representa a estréia na literatura do roteirista e dramaturgo Francisco Azevedo, autor das peças Unha e carne e A casa de Anais Nin.

O ARROZ DE PALMA retrata a saga de 100 anos de uma família portuguesa que migrou para o Brasil. A narração é alicerçada nas lembranças afetivas do personagem central, cozinheiro de profissão, que aos 88 anos, se encontra na cozinha de sua casa preparando um grande almoço de família em comemoração não só pelos seus 88 anos, mas também pelo aniversário de 100 anos do casamento de seus pais, já falecidos. No dia do casamento de seus pais, uma chuva torrencial de arroz caiu em cima deles, e a Tia Palma, recolhe do chão todo o arroz (12 quilos) e dá de presente aos recém-casados. Esse é o ponto de partida da história.

O ARROZ DE PALMA é uma história familiar, recheada de afeto e como bem diz em várias ocasiões a narrativa do livro, “família é prato difícil de preparar”.

A capa é a mais perfeita tradução de imagens e identidades de uma cozinha afetiva: arroz dentro de uma forma de alumínio em forma de coração, sobre lastro de madeiras rusticas e rendinhas das prateleiras antigas na borda do livro. 

 

 

O ARROZ DE PALMA (Francisco Azevedo, página 11)

Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.

E você?  É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.

Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.

Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.

O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini, Família à Belle Meunier; Família ao Molho Pardo,  em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é à  Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.

Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha.  Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.

Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.

 

Memória Afetiva do Natal Brasileiro

Histórias de “Natais” são parecidas em todas as famílias, e na medida em que agrupamos estas famílias por países, estados, cidades, bairros… as histórias ficam mais parecidas e as memórias formam uma identidade quase única. Temos, com certeza, uma Memória Afetiva do Natal Brasileiro, que pode ser segmentada em Histórias de Natais Baianos, Cearenses, Paulistas, Gaúchos, Mineiros…

As particularidades de cada história formam, então, a nossa identidade pessoal e única da Memória Afetiva de Natal, identidade recheada das heranças afetivas da nossa família, dos hábitos, costumes e condutas dos nossos pais, avós, tios, irmãos e vizinhos mais próximos. No texto abaixo, que afetivamente batizamos de “Pudim de Natal do Menino Jesus e Chinchilas”, Renata Rodrigues, amiga paulista de longa data, relata de forma criativa e bem humorada suas memórias afetivas de natal, que passam, logicamente, pela cozinha da sua mãe.

Arriscamos afirmar, que não existe História Afetiva de Natal sem memória afetiva de cozinha. Natais e Cozinhas estão intimamente ligados e relacionados. Boa leitura!

PUDIM DE NATAL DO MENINO JESUS E CHINCHILAS (Renata Rodrigues) 

Todos os “Natais” da minha vida foram memoráveis. Quando vasculho meus arquivos emocionais sobre o Natal, nada encontro de sombrio ou triste. E devo a minha mãe a construção feliz dessa data em minha história até os dias de hoje. 

Ela tem uma energia inesgotável em preparar a festa e uma criatividade infinita em nos surpreender em pacotes e detalhes. Cheguei à conclusão que seu conceito de presente se resume em algo que você desejaria muito ter, mas jamais se permitiria comprar – seja por dinheiro ou por juízo! Inclua nessa lista animais de estimação como gansos e chinchilas, colete salva vidas digital, piscina inflável de 30.000 litros, bicicleta restaurada de 1920 e assim por diante.

Chinchila

Tudo é possível e nada é previsível. Exceto o cardápio: nesse quesito nenhuma surpresa desde os meus quatro anos de idade, quando meu peru de estimação (Nestor) apareceu bronzeado sobre a mesa… pensando bem esse episódio poderia ser classificado como traumatizante em minhas memórias natalinas.

Deixe-me explicar melhor: nunca fizemos uma ceia de Natal. Isso mesmo – a tradição matriarcal definiu que em nossa residência haveria almoços natalinos e não ceias – nada de comer “restos” no dia seguinte nem crianças ficarem acordadas até tarde entre tapas e choros – sapatos embaixo da majestosa árvore, um Pai Nosso todo engolido em frente ao presépio e cama! No dia seguinte, se ninguém tivesse atrapalhado o Papai Noel espiando-o durante a noite, os presentes esperados estariam embaixo dos sapatos… ou dentro… ou em cima deles… ou fazendo deles um confortável ninho…

E num piscar de olhos o relógio anunciava o tão cheiroso e esperado almoço: todos os pratos dispostos na mesa, em suas respectivas travessas e ordem cósmica. E depois da oração o ataque era maravilhoso! Nunca entendi porque só comíamos tender no Natal – não ”criavam tenders” durante os outros meses do ano? E passas então? Porque aquela divindade de arroz com passar não podia ser cozida em outro dia com cara de domingo? Passei toda minha infância sem tais respostas tão essenciais e sem poder repetir tais iguarias em outros dias tão mortais…

Mas o ápice da festa ficava por conta da sobremesa: por 364 dias esperávamos por ele: O Pudim de Natal

Era como se guardassem a melhor melodia para tocar no final do concerto – um Gran Finale – algo para degustar preciosamente em pequenas porções espalhadas por tigelinhas de louça branca com desenhos florais e bordas douradas em companhia de centenárias colheres de sobremesas herdadas de bisavós espanholas. 

Hoje me espanto pela simplicidade da receita do tão venerado pudim… mas deixei de questionar sua presença singular em nosso almoço natalino quando minha mãe finalmente resolveu me explicar o porquê de tal exclusividade: 

___ Se eu o fizesse em outros dias não poderia fazê-lo no aniversário do menino Jesus.

Gostei de sua religiosidade gastronômica e pretendo respeitá-la em nossos Natais futuros. E também aumentar minha fatia do pudim esse ano… 

PUDIM DE NATAL DO MENINO JESUS

1 – INGREDIENTES

Calda Caramelizada

  • 2 xícaras de açúcar
  • 1 xícara de água quente
  • Gotas de essência de baunilha

Pudim

  • 1 litro de leite integral frio
  • 2 latas de leite condensado
  • 3 colheres de amido de milho 
  • 2 gemas (reserve as claras)
  • Gotas de essência de baunilha 

Recheio do Pudim

  • 200g de passas brancas e 200g de passas escuras (dormidas no vinho doce se gostar)

Cobertura de Suspiro

  • 4 claras 
  • 1 xícara de açúcar  

2 – MODO DE PREPARO

  • Prepare a calda levando o açúcar e a água ao fogo até caramelizar. Forre o fundo de uma forma de vidro tipo pirex oval. Espalhe algumas passas claras e escuras sobre a calda.  
  • Misture o leite integral, o leite condensado, as gemas e a baunilha. Dissolva o amido de milho nessa mistura e leve ao fogo mexendo sempre  até engrossar e por mais alguns minutos.  
  • Despeje a metade do pudim na forma. Espalhe mais passas claras e escuras sobre o pudim. Despeje o restante do pudim e repita as passas. 
  • Bata as claras em neve e adicione o açúcar aos poucos até que forme um suspiro firme. Cubra o pudim com o suspiro e faça alguns desenhos com a ponta de um garfo. Leve ao forno pré-aquecido e deixe em 180 oC até que o suspiro doure.  Deixe esfriar e leve à geladeira por algumas horas.  
  • Sirva de sobremesa no almoço de Natal. 

Lichia com Queijo Brie e Geléia de Pimenta

Mauricio Rampazzo é Bioquímico por profissão e paixão, amigo do coração, de descendência italiana e com raízes no nordeste (nada haver com biótipo, a raiz aqui é em função da fartura que este paulista, e Dona Iris – sua mãe, levam a mesa…, no nordeste fartura e diversidade são sinônimos de receber bem, de dizer que estamos felizes em ter amigos e parentes compartilhando da nossa comida, da nossa mesa). Ele sempre surpreende nos rateios das festas e reuniões, onde cada um deve levar seu pratinho e sua bebida. Seja na preparação das caipirinhas de frutas (as melhores que já degustei) ou na quantidade e variedade das comidas. Quem seria capaz de comprar quase quatrocentos reais de frutas no CEAGESP para um almoço de amigo secreto? Mauricio, com certeza. A especialidade, porém, fica por conta da comida idealizada por ele: Macarrão Caseiro, Capeletti in Brodo, Torresmo, Entradinhas Variadas, Alcachofras… “Maumau” é mais da direção culinária, da criação, da composição. Ele idealiza e Dona Iris cozinha. As receitas das comidas da afetiva família Rampazzo irão fazer parte deste Blog em breve. Hoje iremos falar, apenas, do petisco Lichia com Queijo Brie e Geléia de Pimenta… fantástico, rápido e delicioso. Vejam as fotos abaixo. Não temos receita. É só passar a Geléia de Pimenta no interior da Lichia e enfiar em um palito com um pedaço generoso de Queijo Brie. Deixar na geladeira até a hora de servir. A criatividade final do Rampazzo fica por conta dos palitos de Lichia mais Brie espetados na Abóbora Jerimum.

Lichia com Queijo Brie Espetados na Jerimum

Lichia com Queijo Brie

LICHIA – Fruta tropical que é encontrada principalmente na China, Índia, Madagáscar, Africa do Sul e México. É uma fruta de gosto doce, em cachos, a casca é rugosa e de cor vermelha, sendo fácil de ser destacada. A polpa é gelatinosa, translúcida sucosa e de excelente sabor, lembrando ao de uva Itália e não é aderente ao caroço. Ideal para consumo ao natural, sucos e compostas. A lichia contém alto índice de vitamina C, além de possuir as do complexo B, sódio, cálcio e potássio. O primeiro local de cultivo desse fruto no Brasil foi no estado de São Paulo.

QUEIJO BRIE – Os chamados brie são uma importante família de queijos de pasta mole e crosta florida, originados da região de Brie, na França. São fabricados com leite de vaca. A sua crosta é branca e macia, formada pelo fungo Penicillium candida. De sabor delicado, considera-se em boas condições se estiver mole, mas sem escorrer. O seu sabor e textura se modificam de acordo com a sua maturação: os sabores mais suaves e as texturas mais macias são encontrados em peças com até trinta dias de maturação; para um sabor mais apurados e uma textura cremosa, são indicadas peças com mais de trinta dias. Para melhor ser desgutado, o brie deve ser retirado da refrigeração 30 minutos antes de ser servido. O queijo camembert é um derivado do brie.

Powered by WordPress | Designed by: Free MMO Games | Thanks to MMORPG List, Video Game Music and VPS hosting

Notice: ob_end_flush(): failed to send buffer of zlib output compression (1) in /home/cozinhaafetiva/www/wp-includes/functions.php on line 2914

Notice: ob_end_flush(): failed to send buffer of zlib output compression (1) in /home/cozinhaafetiva/www/wp-includes/functions.php on line 2914