A VIDA SERIA MUITO MAIS AGRADÁVEL SE UMA PESSOAS PUDESSE LEVAR AONDE QUER QUE FOSSE OS SABORES E CHEIROS DA CASA MATERNA (Como Água para Chocolate – Laura Esquivel).
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A VIDA SERIA MUITO MAIS AGRADÁVEL SE UMA PESSOAS PUDESSE LEVAR AONDE QUER QUE FOSSE OS SABORES E CHEIROS DA CASA MATERNA (Como Água para Chocolate – Laura Esquivel).
Frigideira de Maturi. Esquenta!
O almoço do Esquenta!, do dia 20/03, foi de dar água na boca e tipicamente de domingão, especialmente domingão baiano. Moqueca de camarão, farofa de dendê e frigideira de maturi*. Rodrigo Veloso, irmão de Maria Bethânia, Secretario de Turismo de Santo Amaro da Purificação (BA) e que carrega no DNA a afetividade da cozinha da Dona Canô, marcou presença com a frigideira de maturi, a castanha verde do caju. Neide e a irmã Ana Célia ficaram responsáveis pela moqueca de camarão e a farofa de dendê.
Nelson Sargento, a Velha Guarda da Mangueira e a iluminada presença de Maria Bethânia, fizeram do Esquenta! deste domingo, um dos melhores programas da temporada. Pegou fogo, esquentou geral. Bethânia estava em casa e conversou como se estivesse no sofá da Dona Canô em Santo Amaro da Purificação. Para fechar, impossível não comentar o figurino verde e rosa de Regina Casé, especial em homenagem a Mangueira e em linha com a proposta do programa. Tudo 10!
Frigideira de Maturi do Esquenta!
1 – INGREDIENTES
*Maturi – É a castanha mole do caju verde, que nasce antes da parte que contém a polpa. Largamente usada em pratos da culinária nordestina. Muqueca de Maturi tem referências como afrodisíaco, na cultura popular do Nordeste.
2 – MODO DE PREPARO
Moqueca de Camarão do Esquenta!
1 – INGREDIENTES
2 – MODO DE PREPARO
Farofa de Dendê do Esquenta!
1 – INGREDIENTES
2 – MODO DE PREPARO
Conheci o Pedro Sakamoto no meu primeiro dia de aula, na Escola Estadual Coração de Jesus, em São Paulo. Tínhamos 10 anos de idade, e tudo parecia novidade naquele universo diferente da minha realidade, pois acabara de chegar do interior do estado. Pedro, um garotinho branquinho, de pouco mais de um metro, cabelo preto escorrido e olhos de mangá, era conhecido como Pedro Escumadeira, e isto me intrigou.
Durante o meu primeiro mês na nova escola, fui observando mais detalhadamente o Pedro, garoto tímido, com uma cabeça redonda e desproporcional para seu franzino corpo. Filho de mãe japonesa com pai nascido no Piauí, o garoto tinha bochechas sem cor e com pequenos furinhos provenientes de espinhas precoces, de uma adolescência previamente anunciada. Entretanto, o que mais chamava minha atenção no Pedro Sakamoto, ou Pedro Escumadeira, era sua forma de falar. O Pedro espumava pelos cantos da boca quando falava, e isto me causava certo nojo, impedindo que eu me aproximasse deste diferente garoto, que trazia arquitetônicos bolinhos de arroz na lancheira. Este hábito, inclusive, o tornava ainda mais diferente da homogênea turma.
Quase ao final do ano, e ainda com o mesmo sentimento em relação ao Pedro, entendi o sentido do apelido Escumadeira ao presenciar minha mãe cozinhando. Na cozinha da minha casa a escumadeira, objeto circular côncavo, de aluminio, cabo de madeira e com furinhos, era um utensilio de uso diário que fui apresentado em uma manhã de domingo, quando minha mãe berrou para minha irmã mais velha: “Dalva, pega a escumadeira ai no armário e tira o excesso de espuma do arroz antes que derrame da panela”.
*Texto produzido a partir das aulas da oficina de “Comida & Literatura” – São Paulo / fevereiro, 2011 (www.oficinadeescritacriativa.com.br)
O texto* abaixo, uma ficção afetiva culinária, apresenta o cardápio da festa de casamento de Genaro Steiner (filho de uma mamma italiana e neto de rabino israelense) e de Mei Li de Oliveira (filha de uma chinesa de Hong Kong e um descendente de portugueses).
Quando meus amigos Genaro, paulistano filho de mãe italiana e neto de rabino israelense, e Mei Li, pernambucana filha de mãe chinesa com descendência portuguesa, formalizaram a data do casamento, confesso, com culpa de baiano guloso e fissurado na cozinha afetiva do mundo, que só pensei na farra culinária que seria a festa. Na verdade, fiquei sonhando com a tal celebração das etnias, religiões e sabores deste casamento. Qual seria a carta das bebidas e o cardápio das entradas, pratos principais e sobremesas? Como seria a harmonização da diversidade dos sabores salgado, doce, amargo, ácido e umami destas cozinhas de personalidades fortes e marcantes?
Enfim chegou o grande dia da minha mundial farra culinária, e logo após a cerimonia partir para o ataque, sem miséria. Bebidas, todas da Itália, iniciando com um verdadeiro espumante de Asti, gelado, docinho na medida certa, que deslizou como uma pura seda chinesa pela minha boca ávida pelas entradinhas da mãe da Mei Li. Impossível traduzir a delicadeza das misturas e das texturas, associadas aos sabores agridoce do molho dos rolinhos de pitu e primavera, ao picante tofu ou ao frescor dos pepinos e brotos de bambus envolvidos por umamis sabores da China. Pausa para uns goles de um branco de Orivetto, que harmonizou com o frango assado com ervas e mel, do tradicional receituário judaico, contrapondo com o azedinho do bazargan, trigo temperado com limão, extrato de tamarindo e snubar. Já quase sem sentidos, lambuzei-me sem vergonha nos fios de ovos, filhós e pastéis de Belém, orgulho das doceiras de Portugal, aos goles do azedinho, doce e gelado Limoncello, e finalizando, claro, com o amargo e refrescante Chinotto, delicioso digestivo italiano.
No grande final, café e o legitimo bolo de noiva do Recife, representantes da cozinha do Brasil, país de origem do Genaro e da Mei, que fecharam com talheres de ouro esta celebração da cozinha universal.
*Texto produzido a partir das aulas da oficina de “Comida & Literatura” – São Paulo / fevereiro, 2011 (www.oficinadeescritacriativa.com.br)
Depois de uma feijoada light e da salada de quinoa já estava na hora da cozinha do Esquenta! voltar a esquentar e trazer nossas comidas afetivas de domingo. Ficou por conta da Dona Heloisa, tia de Taís Araújo, ensinar a preparar uma deliciosa lasanha* de abobrinha, no Esquenta! de 12/03. E para esquentar o programa, Regina Casé trouxe um elenco feminino de primeira: Elza Soares, Juliana Paes, Tais de Araújo e Marina Silva.
Lasanha de Abobrinha do Esquenta!
1 – INGREDIENTES
Lasanha
Molho branco
2 – MODO DE PREPARO
Molho Branco
Preparo do Prato
*Origem da Lasanha
A palavra lasanha provém da grega “lasanon” que significa pote de quarto. O termo foi depois emprestado pelos romanos como “lasanum” para significar pote de cozinhar. Os italianos usaram a palavra para definir o prato onde, hoje se sabe, era feita a Lasanha. Apesar de tradicionalmente se acreditar que a lasanha é um prato tipicamente originado na Itália, tem-se evidências de que há um prato muito similar conhecido como “loseyns” (lê-se lasan), comido na corte de Rei Ricardo II no século XIV. Esta receita também figurou no primeiro livro de receitas da Inglaterra. A lasanha foi primeiro documentada no século XIII, quando foi usado num prato às camadas, esta versão mais antiga não incluia tomate, pois este ainda não tinha sido descoberto pelos Europeus (wikipedia.com.br).
O Esquenta! do dia 2 de março, domingão de carnaval, apresentou uma receita de Salada de Quinoa* com Castanha e Linhaça Germinada. “É muito bom se divertir no carnaval, mas é preciso pegar leve na hora de se alimentar para a folia não acabar antes do tempo”, informava o site do programa. Bem, nos meus dias de alta folia carnavalesca, particularmente, prefiro uma boa comidinha afetiva, tipo feijoada, frango com ora-pro-nobis, vatapá, lasanha…
A Salada de Quinoa com Castanha e Linhaça Germinada do Esquenta!
1 – INGREDIENTES
Salada
Vinagrete
2 – MODO DE PREPARO
Quinoa*
É uma planta nativa da Colômbia, Peru e Chile, que produz um grão indispensável à alimentação e à vida do homem andino. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, a quinoa é um dos alimentos mais completos que existem. Novas pesquisas da planta mostram que a mesma tem o poder proteico do leite materno. A quinoa não contém glúten e pode substituir o trigo na produção de farinha, a soja na produção de óleo, o milho para biodisel e o arroz na alimentação.
Cada 100 gramas de quinoa contêm:
Dia de domingo no carnaval da Bahia, em Salvador, é dia de Gandhy, dia do bloco “Filhos de Gandhy”. Nosso pinguim do domingão de carnaval é uma homenagem ao bloco “Filhos de Gandhy”.
A origem é de 1948, quando o sindicato dos estivadores fundou o bloco “Comendo Coentro”. Os componentes eram trajados finamente com o que de mais elegante existia: roupas de linho importado, chapéus “Panamá” e sapatos “Scamatchia”. A festa era regada a muita comida e bebida.
Em 1949, o “Comendo Coentro” não pode sair às ruas devido à crise financeira que se abateu sobre os estivadores. Surgiu, então, a idéia de fundar um novo “cordão”, ou bloco de carnaval. Durval Marques da Silva, o “Vavá Madeira”, com o apoio dos demais estivadores arrecadaram dinheiro e foram às compras, adquirindo lençóis para serem utilizados na confecção dos trajes, barris de mate e couro, com os quais construíram os tambores utilizados no acompanhamento do cortejo. O nome do bloco foi sugerido por “Vavá”, inspirado na vida do líder pacifista Mohandas Karamchand Gandhi. Batizou-se então o bloco com o nome “Filhos de Gandhy”.
O bloco “Filhos de Gandhy” (http://www.filhosdegandhy.com.br) foi construído ao longo dos seus 62 anos, com base na identidade e cultura “afro baiano”, sendo hoje um dos mais tradicionais blocos de rua do Brasil. Desfila no domingo, segunda feira e terça feira de carnaval, com suas tradicionais indumentárias.
O mais interessante da história do Gandhy é sua origem em um bloco de nome “Comendo Coentro”. Esta especialidade da culinária baiana é utilizada em todos os pratos, sejam tradicionais ou triviais, desde uma simples saladinha (nem só de dendê vive baiano, também comemos saladas, com coentro, claro!) até as moquecas e vatapás.
Chris Rodrigues, nutricionista da Regina Casé e da família de Arlindo Cruz, foi responsável pelo almoço do domingo 27/02, do Esquenta! Feijoada Light, com ricota defumada e farofa de gérmen de trigo. Sem condição! Esfriou! Nutrição é muito importante, cortar calorias ajuda na qualidade de vida, ser saudável é legal, mas tem limite, feijoada é feijoada, e sou da religião da Dona Zica. Tenho certeza que esta receita deve ser muito boa, que Regina Casé pode e deve ser ampla na proposta do Esquenta!, mas não consigo enxergar um almoço de domingo, com samba, cerveja, caipirinha e a véspera da maior festa popular do mundo com uma feijoada light. Quem desejar a receita deve acessar o site da Rede Globo.
Bem, a feijoada foi light, mas o programa estava repleto de boas calorias, com as presenças de Luiza e Yasmin Brunet, Samantha Schmutz, o grupo Pura Tentação, o cantor Waguinho, ex-vocalista da banda Os Morenos, Nega Gizza, uma das fundadoras da CUFA (Central Única das Favelas). Respeitada pela sua dedicação às causas sociais e referência feminina no mundo rap, Gizza cantou seus hits e falou sobre os projetos da CUFA.
No comando da banda fixa do programa ao lado de Leandro Sapucahy, Arlindo Cruz faz parte do Esquenta! desde o primeiro programa. O cantor tem mais de 500 composições gravadas por grandes nomes da música como Chico Buarque e foi vencedor de inúmeros sambas-enredo no Império Serrano. Arlindo foi o convidado especial do Esquenta!, que apesar da feijoada light esquentou legal.
E para não fechar sem uma receita, iremos homenagear a maior comida nacional, mais popular, a verdadeira Comida Popular Brasileira (CPB), a FEIJOADA, com a receita da afetiva Dona Zica. Para minha felicidade culinária, provei desta receita, impecável, no domingo 27. Minha amiga Albinha fez sua 1ª feijoada orientada milimetricamente pelo livro da Dona Zica, e posso garantir que estava afetivamente, deliciosamente extraordinária. Isto sim é feijoada!
O nosso Pinguim de geladeira escolheu a Estação Primeira de Mangueira e os Filhos de Ghandy como tema para o carnaval 2011. Rio de Janeiro e Bahia em conexão com a Cozinha Afetiva.
O Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira foi fundado em 28 de abril de 1928, no morro da mangueira, Rio de Janeiro. Com suas cores verde e rosa, é uma das escolas de samba mais tradicionais do Rio. É a minha escola de samba do coração. Em 2011 a mangueira irá desfilar no domingo, 06/02, com o enredo “O Filho Fiel, Sempre Presente”. O samba enredo é de Sérgio Cabral e Beth Carvalho.
A tradição culinária da Mangueira, do Rio de Janeiro e do Brasil, foi registrada no livro “D. Zica, Tempero, Amor e Arte”, lançado em fevereiro de 2003. O livro apresenta um farto cardápio das receitas afetivas elaboradas pela Dona Zica. Feijoada, xinxim de galinha, carne-assada recheada com cenoura, bolo de batata, pudim de pão, arroz doces e várias outras receitas estão no delicioso livro escrito por Nilcemar Nogueira, neta da Dona Zica.
Sobre o Pinguim Filhos de Gandhy, da Bahia, falamos na próxima semana.
Uma receita tradicional de Portugal, foi à atração culinária do Esquenta!, Domingo dia 20/02. Um verdadeiro almoço de domingo luso-brasileiro, elaborado pelo cozinheiro Afrânio Duarte do Restaurante Adegão Português.
Endereço:
Campo de São Cristóvão 212 – São Cristóvão – Rio de Janeiro/ RJ
Telefones:
(21) 2580-7288 / (21) 2580-8689
Horário:
Segunda à Sábado, 11 – 23 horas / Domingo, 11 – 20 horas
Martinho da Vila, Mart’nália e Jorge Fernando, diretor da novela Ti ti ti, estiveram presentes no penúltimo Esquenta! da versão 2011. Jorge definiu o programa como uma “proposta anárquica”, pela irreverência, descontração, misturas e combinações que o Esquenta! apresenta todos os domingos. Difícil mesmo, é imaginar esta proposta anárquica e irreverente sem a Regina Casé. O Esquenta! é a Regina Casé! É ela na sua essência e forma de agregar tribos, estilos, pessoas, comidas, alegria, cultura, lazer, música, muita diversão e almoço de domingo, uma tradição nacional, retratada de forma maravilhosamente simples e saborosa como são os nossos almoços de domingos.
Bacalhau à Lagareiro do Esquenta!
1 – INGREDIENTES
2 – MODO DE PREPARO
Molho