1o Dia – Trezena de Santo Antônio – 01 de junho de 2013

Santo Antônio nasceu em Lisboa – Portugal – no dia 15 de agosto de 1.195. Era filho de Martinho de Bulhões, descendente de valorosos cruzados, que ajudou D. Afonso Henrique (1.106-1.185 – 1º rei de Portugal, fundador da nação portuguesa) na conquista de Lisboa do poder dos mouros, e de Dona Teresa Taveira, descendente do Rei das Astúrias. Santo Antônio morreu em 13 de junho de 1.217, uma terça feira. Este dia da semana é dedicado ao Santo em qualquer parte do mundo.

Na Bahia, em Pernambuco, no Rio de Janeiro e em várias cidades do Brasil, comemora-se a Festa de Santo Antônio de 01 a 13 de junho. São 13 noites de rezas, festas, cantos, comidas e bebidas típicas e muita fé. Nas Trezenas dedicadas a Antônio cantam-se vários hinos com ingênuos versos, como o descrito abaixo, típico do estado de Pernambuco:

“Salve, ô Santo Antônio

Nosso padroeiro,

Enchei de alegria,

Pernambuco inteiro”

Na Bahia, temos várias formas de celebrar a Trezena de Santo Antônio, seja em casas de famílias ou nas igrejas:

  • O dono (a) da casa oferece uma das 13 noites a um amigo ou parente, que fica responsável pelos “comes e bebes” desta noite;
  • O dono (a) da casa realiza as rezas todas as noites, ficando responsável por toda a festa;
  • 13 amigos e/ou parentes reúnem-se para realizar a Trezena, uma noite em cada casa;
  • Também é comum efetuar a Trezena de forma intimista, só, na nossa casa ou onde estejamos. Tenho adotado este caminho a muitos anos, deixando a comemoração coletiva, com amigos e família, apenas para o dia 13.
  • As Igrejas também realizam as Trezenas, com missas diárias;
  • Cidades que tem o Santo como padroeiro realizam grandes festas durante os 13 dias da Trezena.

Aqui na Cozinha Afetiva, iremos apresentar dia a dia as rezas de Santo Antonio, possibilitando a realização da Trezena, no tempo e na disponibilidade de cada leitor do nosso blog. Venha com fé!

Diferente dos anos anteriores, em 2013 iremos alternar receitas com histórias do dia a dia, encontros com lugares que nos trazem lembranças afetivas ou qualquer outro fato importante.

Estou em Belo Horizonte, nas Minas Gerais, desde o dia 29/05, estado vizinho da minha Bahia. Aqui estou iniciando a Trezena. O 1o dia ganha um sabor especial mineiro. Minas respira tradição, afeto, uma história culinária rica de aromas e sabores que resiste ao tempo, uma cultura forte de personalidade marcante, representada fielmente no MERCADO CENTRAL de Belo Horizonte, fundado em 1929.

Mercado Central - 1929

Mercado Central - 1929

1º DIA – 01 de junho de 2013

Ao Espírito Santo

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações de vossos fiéis, e acendei neles o fogo do vosso amor.

Enviai o vosso Espírito, e tudo será criado.

E renovareis a face da terra.

Oremos: Ó Deus, que iluminais os corações de vossos fiéis com as luzes do Espírito Santo fazei que pelo mesmo Espírito saibamos o que é reto, e sempre gozemos de sua consolação. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

A Santo Antônio

Meu grande protetor Santo Antônio: apresento-me a vós, pedindo-vos me alcanceis de Deus o perdão dos pecados, o espírito de conversão, o crescimento no amor de Deus, e a perseverança no bem até o fim de minha vida. O que especialmente vos peço, é a seguinte graça: (diz-se o que se pede na Trezena). Se esta graça não for conveniente para minha salvação, alcançai-me a perfeita conformidade com a vontade de Deus. Santo Antônio, nestes dias que consagro a vossa honra, como em todos os dias de minha vida, fazei que eu conserve a graça e amizade de Deus, que dele nunca me afaste, e que enfim tenha a felicidade de amá-lo e gozá-lo para sempre em vossa companhia, na felicidade eterna do céu. Amém.

Oração do Dia

Santo Antônio, amigo do menino-Deus; tivestes a felicidade de ser educado por país piedosos e exemplares que vos encaminharam na senda do bem e da virtude. Dai-me a graça de seguir sempre os ensinamentos de Jesus e de sua Igreja.

Pai Nosso, Ave Maria e Glória ao Pai.

Mercado Central - 1929

Mercado Central - 1929

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“Peixes e Peras”

“… na barraca de peixes entrefechou os olhos aspirando de novo o cheiro de maresia dos peixes, e o cheiro era a alma deles depois de mortos …”

“… as peras estavam tão repletas delas mesmos que, nessa maturidade elas quase estavam em seu sumo … comprou uma e ali mesmo na feira deu a primeira dentada na carne da pera que cedeu totalmente … sabia que só quem tinha comido uma pera suculenta a entenderia.”

Clarice Lispector – Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres (Editora Rocco – 1998)

Em junho – de 01 a 13 – Trezena de Santo Antônio na Cozinha Afetiva

Trezena de Santo Antônio - 01 a 13 de junho de 2013

Pinguim Carnaval

Pinguim Carnaval

Pinguim Verão

Mantendo Tradição

Mantendo Tradição

Mantendo Tradições (de Jucimar Pedreira – meu irmão):

Prato do Dia: Escaldado de Peru…
Há muito em minha família o final de ano acontece com o Natal, Réveillon e o Escaldado de Peru… Todas as sobras de todos os perus festivos são guardadas e em um domingo de janeiro são misturadas com mais Peru, Carnes Verdes e Defumadas, Verduras e Legumes. Do caldo mexe-se um grande pirão que é servido com arroz branco: Hoje foi o dia de manter esta tradição familiar. ADOREI!

2013 É DE OGUM E IEMANJÁ – FELIZ ANO NOVO

Pinguim Ano Novo

Pinguim Ano Novo

JANTAR DE 2013 PARA OGUM E IEMANJÁ

OGUM

Ogum (em yoruba: Ògún) é, na mitologia yoruba, o orixá ferreiro, senhor dos metais. O próprio Ogum forjava suas ferramentas, tanto para a caça, como para a agricultura e para a guerra. Na África seu culto é restrito aos homens, e existiam templos em Ondo, Ekiti e Oyo. Era o filho mais velho de Oduduwa, o fundador de Ifé, identificado no jogo do merindilogun pelos odu etaogunda, odi e obeogunda, representado materialmente e imaterial pelo candomblé, através do assentamento sagrado denominado igba ogun.

Ogum é considerado o primeiro dos orixás a descer do Orun (o céu), para o Aiye (a Terra), após a criação, um dos semideuses visando uma futura vida humana. Em comemoração a tal acontecimento, um de seus vários nomes é Oriki ou Osin Imole, que significa o “primeiro orixá a vir para a Terra”.

Ogum foi provavelmente a primeira divindade cultuada pelos povos yorubá da África Ocidental. Acredita-se que ele tenha wo ile sun, que significa “afundar na terra e não morrer”, em um lugar chamado ‘Ire-Ekiti’.

É também chamado por Ògún, Ogoun, Gu, Ogou, Ogun e Oggún. Sua primeira aparição na mitologia foi como um caçador chamado Tobe Ode.

Oração

Ogum, meu Pai – Vencedor de demanda, poderoso guardião das Leis, Chamá-lo de Pai é honra, esperança, é vida.
Vós sois meu aliado no combate às minhas inferioridades.
Mensageiro de Oxalá – Filho de OLORUN.
Senhor, Vós sois o domador dos sentimentos espúrios, depurai com Vossa espada e lança, minha consciente e inconsciente baixeza de caráter.
Ogum, irmão, amigo e companheiro, continuai em Vossa ronda e na perseguição aos defeitos que nos assaltam a cada instante.
Ogum, glorioso Orixá, reinai com Vossa falange de milhões de guerreiros vermelhos e mostrai por piedade o bom caminho para o nosso coração, consciência e espírito.
Despedaçai, Ogum, os monstros que habitam nosso ser, expulsai-os da cidadela inferior.
Ogum, Senhor da noite e do dia e de mãe de todas as horas boas e más, livrai-nos da tentação e apontai o caminho do nosso Eu.
Vencedor contigo, descasaremos na paz e na Glória de OLORUN.
Ogumhiê Ogum.
Glória a OLORUN!

IEMANJÁ

Iyemanjá, Yemanjá, Yemaya, Iemoja, Iemanjá ou Yemoja é um orixá africano, cujo nome deriva da expressão Iorubá Yèyé omo ejá (“Mãe cujos filhos são peixes”), identificada no merindilogum (um tipo de jogo de búzios) pelos odus ejibe e ossá. É representado no canbomblé através do assentamento sagrado denominado igba yemanja. É considerada a mãe dos outros Orixás, personificada como uma matrona, bela, de seios enormes, símbolo da maternidade fecunda e nutritiva, e as mães são as autoridades supremas das Cozinhas Afetivas. Mães são as provedoras maiores da comida afetiva e nutritiva.

  “Iemanjá, rainha do mar, é também conhecida por dona Janaína, Inaê, Princesa de Aiocá e Maria, no paralelismo com a religião católica. Aiocá é o reino das terras misteriosas da felicidade e da liberdade, imagem das terras natais da África, saudades dos dias livres na floresta.”  — Jorge Amado

Oração

“Vós que governais as águas, derramai por sobre a humanidade a vossa proteção, fazendo assim Divina Mãe, uma descarga em seus corpos materiais, limpando suas almas e incutindo em seus corações o respeito e a veneração devida a essa força da natureza que simbolizais.

Fluidificai nossos espíritos e despertai nossa matéria de todas as impurezas que hajam adquirido. Permiti que vossas falanges nos protejam e amparem, assim o fazendo com toda a humanidade, nossa irmã. Salve Iemanjá, Rainha dos mares.” (Livro: Iemanjá de J. Edson Orphanake).

O JANTAR DA VIRADA DE 2012 PARA 2013, ANO REGIDO POR OGUM E IEMANJÁ

 Para montar o cardápio do jantar, utilizamos receitas e ingredientes que na tradição destes Orixás são considerados oferendas. Com licença de Ogum e Iemanjá misturamos livremente estes ingredientes e receitas, criando pratos comuns aos dois Orixás.

FRIGIDEIRA DE BACALHAU

 A receita pode ser encontrada no post A Cozinha Afetiva de Natal da Minha Mãe – A Frigideira de Bacalhau de 21 de dezembro de 2010. Incluímos nos ingredientes 4 colheres de sopa de azeite-de-dendê em homenagem aos Orixás.

 ARROZ DE LEITE DE COCO

1 – Ingredientes

  • ½ xícara de arroz
  • ½ xícara de leite de coco
  • Azeite de oliva extra virgem
  • Sal a gosto

2 – Modo de Preparo

  1. Cozinhe bem o arroz em água e sal até formar uma papa, escorra;
  2. Junte o leite de coco e leve ao fogo até secar bem;
  3. Transfira para uma fôrma de pudim ou de bolo umedecida com azeite de oliva;
  4. Deixe esfriar e desenformar.

FAROFA DE CEBOLA RALADA E MEL

1 – Ingrediente (quantidade a critério de quem prepara)

  • Farinha de mandioca (da Bahia, de preferência)
  • Camarão seco sem casca
  • Cebola ralada
  • Alho socado
  • Manteiga
  • Mel
  • Sal a gosto 

2 – Modo de Preparo

  1. Doure a cebola, o alho e o camarão seco na manteiga;
  2. Adicione o mel e logo em seguida a farinha de mandioca;
  3. Ajuste o sal a gosto;
  4. Misture bem até dourar levemente a farinha.

MANJAR BRANCO

1 – Ingredientes

  • 2 colheres sopa de Maisena
  • ½ xícara de leite de coco
  • 1 xícara de leite
  • ¼ de xícara de açúcar
  • Mel 
  • Raspas de laranja

2 – Modo de Preparo

  1. Dissolver a Maizena no leite frio;
  2. Juntar os outros ingredientes e levar ao fogo mexendo até engrossar;
  3. Transfira para uma fôrma de pudim molhada;
  4. Deixe esfriar e desenforme;
  5. Sirva gelado com mel a gosto.

Bolo Prestigio da Zaiza (Receita sem Glúten)

Zaiza é a filha de 11 anos da minha afilhada Maisa. Carinha da mãe, esperta, inteligente, gatinha lindinha, rápida, ligada no iPhone e no Facebook, como todas da sua geração. Zaiza não come nada com glúten, situação que fez da cozinha da sua mãe algo muito mais especial. Aniversário sem bolo tradicional? Salgadinhos de festas? Chocolates? Biscoitos? Como privar uma gatinha das delicias que formam nossa identidade culinária? A resposta é simples: com afeto, carinho e verdade. Zaiza aprendeu bem cedo à lição. Sempre fiquei impressionado como ela sempre soube conviver com esta condição que nos limita a uma culinária mais restrita, especialmente em países como o nosso onde as opções são mínimas para pessoas com restrições alimentares. Mais impressionante foi encontrar Zaiza na noite de natal com uma foto de bolo sem glúten no seu iPhone. Bolo feito por ela, aprovado por toda família e melhor que muitos bolos que entram no forno desta família que aprendeu a viver sem glúten, mas com muito afeto na cozinha. Abaixo a receita da Zaiza da forma que recebi no meu e-mail. 

Bolo Prestigio da Zaiza (Receita sem Glúten)

Bolo Prestigio da Zaiza (Receita sem Glúten)

1 – Ingredientes 

  • 6 ovos
  • 6 colheres de sopa de açúcar 
  • 6 colheres de sopa de chocolate (ou achocolatado)
  • 3 colheres de sopa de manteiga
  • 1 colher de sopa de fermento
  • 100g de coco ralado 

2 – Modo de Preparo 

“Bata tudo no liquidificador, enquanto o bolo está batendo você vai untar a forma com manteiga e amido de milho. Bata bem, coloque na forma untada e coloque no forno por cerca de 30 minutos. Depois se quiser coloque uma cobertura no bolo .”

Bolo Prestigio da Zaiza (Receita sem Glúten)

Bolo Prestigio da Zaiza (Receita sem Glúten)

Bolo Rápido Natalino

Herança Culinaria: a sobrinha neta foi para cozinha. De bisavó para avó, de avó para mãe, de mãe para filha… assim se faz a tradição culinaria afetiva. Beijos Joseane sua ceia tem história, gostinho de Maria, Maria mãe, Maria avó, Maria bisavó, Maria tataravó. Natal tem esta função agregadora de tradição na cozinha, do fazer a comida, da celebração… e hoje vai ser igual… a farofa de miúdos do peru e a maionese foram esquecidas na mesa, a geladeira esta cheia, o calor está a quase 40oC, todos irão almoçar o excesso da ceia e nada vai acontecer de anormal. Familia faz bem no natal!
A Ceia da Sobrinha Neta

A Ceia da Sobrinha Neta

Os doces sempre são esquecidos nas ceias. As estrelas da festa são o peru, o pernil e o presunto com todos os acompanhamentos tradicionais – farofa, maionese, arroz colorido. Neste natal, um bolo inesperado, feito com a praticidade que a vida moderna nos oferece, fez a festa da nossa mesa. Abaixo a receita do Bolo Rápido Natalino.
Bolo Rápido de Natal

Bolo Rápido de Natal

1 – Ingredientes
  • Mistura para bolo Dona Benta, sabor laranja
  • Beijinho Harald Melken
  • Chocolate amargo 63% Harald Melken Unique
  • Frutas secas (passas brancas e pretas sem caroços, figos, ameixas sem caroços e damascos)
  • Castanhas do Pará, amendoas e nozes
2 – Modo de Preparo
  1. Prepare a mistura para bolo conforme as instruções da embalagem em forma de furo ou redonda, deixe esfriar, desenforme e corte o bolo em duas fatias, reserve;
  2. Faça uma farofa grossa com as castanhas do Pará, amendoas e nozes (use de preferência um pilão de madeira para moer), reserve;
  3. Leve um pouco menos da metade do beijinho Melken ao fogo, com leite e uvas passas pretas, cozinhe até formar um creme consistente;
  4. Rechei o bolo com o beijinho ainda quente, coloque a outra fatia do bolo sobre a fatia recheada com o beijinho;
  5. Derreta o chocolate Melken Unique em banho-maria. Cubra o bolo com a calda do chocolate ainda quente;
  6. Joque a farofa de nozes sobre a cobertura de chocolate;
  7. Faça beijinhos, conforme instrução da embalagem, e decore o bolo de acordo sua preferência;
  8. Decore um pouco mais seu bolo natalino com passas brancas e pretas, figos, ameixas e damascos. Lembrem-se que natal é a festa da estética excessiva, onde “muito ainda é um muito pouco”.
Neste natal, um bolo ineperado, feito com a praticidade que a vida moderna nos oferece, fez a festa da nossa mesa.

Neste natal, um bolo ineperado, feito com a praticidade que a vida moderna nos oferece, fez a festa da nossa mesa.

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